PRESCRIÇÃO SOCIAL E O ENVELHECIMENTO: Revisão sistemática
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
- 10 - Redução das Desigualdades
Resumo
O envelhecimento populacional é uma das transformações sociodemográficas mais expressivas do século XXI. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com 60 anos ou mais no mundo atingirá 2,1 bilhões até 2050, representando um desafio inédito para os sistemas de saúde, de proteção social e de cuidado. No Brasil, o cenário é igualmente desafiador: segundo o IBGE (2022), o país conta com aproximadamente 32 milhões de idosos, com projeção de alcançar 68 milhões em 2050. Nesse contexto, emergem crescentes evidências de que os determinantes sociais como isolamento, solidão, ausência de vínculo comunitário, inatividade e falta de propósito exercem impacto tão significativo sobre a saúde dos idosos quanto os fatores biológicos e clínicos. A solidão crônica, por exemplo, tem sido associada a risco aumentado de demência, depressão, doenças cardiovasculares e mortalidade precoce, configurando o que alguns autores denominam de 'epidemia silenciosa do século XXI'. É nesse cenário que a prescrição social (social prescribing) emerge como uma abordagem inovadora, integrativa e humanizadora no campo da Atenção Primária à Saúde (APS). Trata-se de um modelo de cuidado que permite a profissionais de saúde em especial enfermeiros, médicos e agentes comunitários conectar pacientes a atividades e recursos de natureza não clínica existentes na comunidade, como grupos de convivência, atividades físicas supervisionadas, oficinas de arte e cultura, voluntariado, jardinagem, música, aprendizado de novas habilidades e serviços de apoio social. Originária do Reino Unido, onde foi adotada como política nacional pelo National Health Service (NHS) a partir de 2019, a prescrição social vem se expandindo rapidamente por países como Canadá, Austrália, Japão, Portugal e, mais recentemente, Brasil. O período entre 2021 e 2026 representa um momento particularmente fértil para a análise científica dessa prática, uma vez que coincide com o amadurecimento de programas pioneiros, a publicação de estudos longitudinais de seguimento e a intensificação do debate sobre a incorporação da prescrição social nas políticas de atenção ao idoso no contexto pós-pandemia. Diante desse panorama, justifica-se a realização de uma revisão sistemática de literatura que mapeie, analise e sintetize as evidências produzidas nesse período, com foco específico nas pessoas idosas, contribuindo para o avanço do conhecimento e para a qualificação das práticas de cuidado a essa população. Assim o estudo tem a seguinte questão de pesquisa: Quais são as evidências científicas produzidas entre 2021a 2026 sobre a efetividade, os modelos de implementação e os impactos da prescrição social no bem-estar físico, mental e social de pessoas idosas, e quais fatores influenciam seus resultados?