TECNOLOGIA E TERRITÓRIO: ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA-ESPACIAL DA TUBERCULOSE PULMONAR E CONSTRUÇÃO DE ESTRATÉGIAS EDUCATIVAS NA PROMOÇÃO DO AUTOCUIDADO EM TUBERCULOSE
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
- 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
- 10 - Redução das Desigualdades
Resumo
A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa causada pela bactéria denominada Mycobacterium tuberculosis, também chamada de bacilo de Koch. A transmissão desse agente etiológico ocorre através da aspersão de aerossóis liberados por meio da fala, espirro e principalmente da tosse, uma vez que este é um dos sintomas mais característicos da patologia. No âmbito social, a TB está diretamente atrelada às condições de vida, sendo mais incidente na população economicamente menos favorecida. Isso ocorre a partir das disparidades socioeconômicas que se evidenciam pela falta de infraestrutura urbana e precariedade de acesso a serviços em algumas regiões. Diante desse cenário, os determinantes sociais contribuem para a perpetuação de um ciclo de carência econômica, já que a ausência de saúde afeta a força de trabalho. Dessa forma, estudo de análise espacial tem sido uma ferramenta essencial na identificação de padrões epidemiológicos, permitindo um melhor direcionamento das estratégias de controle e prevenção. Além de estudo de análise espacial, o uso de tecnologias educativas surge como estratégias para proporcionar conhecimentos à profissionais e pacientes, e comunidade em geral. O profissional enfermeiro nesse processo de educação em saúde desempenha um papel de educador, desenvolvendo e validando tecnologias educativas para o desenvolvimento de promoção e prevenção de agravos a saúde. Este profissional é responsável por educar profissionais e pacientes, que pode servir de propagação de conhecimentos aos seus familiares. O projeto está alinhado principalmente ao ODS 3 Saúde e Bem-Estar, ao buscar a redução da carga da tuberculose por meio da vigilância epidemiológica e do empoderamento dos indivíduos para o autocuidado. A integração da análise espacial e de tecnologias educativas também dialoga com o ODS 9 Indústria, Inovação e Infraestrutura, ao incorporar inovações tecnológicas no enfrentamento de problemas de saúde pública. Além disso, a abordagem territorial e participativa contribui com o ODS 10 Redução das Desigualdades, ao considerar as vulnerabilidades sociais e geográficas no planejamento das ações. Assim, uma das formas de auxiliar na prevenção e controle da TB é a utilização de tecnologias educativas, assistenciais e/ou digitais que envolvam os principais cuidados e informações para o paciente, tornando uma estratégia para controle da doença, além de estudos mais especificos sobre o território. Portanto o objetivo geral do projeto é: analisar os indicadores da tuberculose pulmonar e tuberculose drogarresistente, distribuição espacial da tuberculose na região Norte e desenvolver tecnologia educativa voltada à promoção do autocuidado e adesão ao tratamento em áreas prioritárias. Este projeto se constitui em um macroprojeto e será realizado um estudo multimétodo, que seguirá duas etapas com tipos de estudo diferentes. A primeira etapa será uma pesquisa documental, descritivo, quantitativo, no qual, será realizada a coleta de dados a fim de analisar os casos de TB e TB-DR na região Norte e sua correlação espacial. O estudo será realizado com dados da Região Norte do Brasil, que contempla os estados de Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. A obtenção de dados secundários do estado do Pará ocorrerá junto a Secretária do Estado do Pará (SESPA), com as informações dos casos de TB e TB-DR de pacientes residentes no Estado do Pará, em formato de banco de dados, cuja origem é das Fichas de Notificação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), oriundos dos municípios de interesse do estudo, no período de 2020 a 2024. Os dados secundários referentes aos estados de Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima e Tocantins serão obtidos através do sistema do Departamento de Informação e Informática do SUS (DataSUS). O georreferenciamento e a distribuição espacial ocorrerá através da criação de um Banco de Dados Geográfico (BDGeo), com latitude e longitude dos casos de TB e TB-DR, utilizando dados Companhia de desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (CODEM), Google Earth/Google Maps no software ArcGis. A análise das variáveis e suas associações serão feitas por meio das frequências absolutas e relativas, para analisar se os dados convergem para algum diferencial em especial ou se há tendência ou não, e em seguida a aplicação do teste qui-quadrado ou exato de Fisher a fim de comparar as proporções entre as populações e seu controle. O nível de significância adotado para todos os testes será de 5% (p-valor <0,05). A segunda etapa será uma pesquisa metodológica que se dedica ao estudo e desenvolvimento de métodos e técnicas de pesquisa. Seu objetivo é criar, aprimorar ou validar métodos e instrumentos utilizados para a coleta e análise de dados. Busca melhorar os processos de investigação, construção e aperfeiçoamento das abordagens metodológicas. Será dividida em três etapas: 1) Revisão Integrativa da Literatura (RIL); 2) Criação da(s) tecnologia(s) educativa e/ou assistencial interativa; 3) Validação da tecnologia(s). Estas etapas serão desenvolvidas para que a tecnologia possa ser aplicada em pacientes com objetivo de promoção do autocuidado e adesão ao tratamento em áreas prioritárias da tuberculose. A RIL será realizada por seis etapas distintas na sua elaboração, sendo elas: 1) Formulação dos objetivos e da questão norteadora; 2) definição das bases de dados e critérios de inclusão e exclusão dos estudos; 3) estabelecimento dos dados a serem extraídas dos estudos selecionados; 4) análise dos estudos incluídos na revisão; 5) discussão dos resultados; 6) apresentação da revisão/síntese do conhecimento. A segunda etapa da pesquisa metodológica será constituída da criação da tecnologia educativa e/ou assistencial interativa a partir dos achados encontrados na revisão integrativa e dos manuais do Ministério da Saúde que abordam sobre TB. Sendo assim, serão selecionados os principais tópicos a serem abordados nesta tecnologia educativa, com o intuito de fornecer um material completamente integral e com fácil manuseio pelos usuários e profissionais. Para construção da tecnologia, será utilizado como proposta o Modelo Transteórico de Mudança de Comportamento (MTT). Também irá adotar um referencial metodológico para estruturar os aspectos da cartilha quanto à linguagem, ilustração e layout (Abreu, Marinho, Cardoso, 2021) e o método ADDIE, que significa Analyze (Análise), Design, Develop (Desenvolvimento), Implement (Implementação) e Evaluate (Avaliação). A tecnologia passará por dois processos de validação: por conteúdo e aparência. A população será composta de especialistas, a saber: o grupo de especialistas no assunto foco da tecnologia educacional, tuberculose. E, também serão incluídos os especialistas técnicos, sendo profissionais das áreas de comunicação- informação- linguagens, podendo ser design gráfico, pedagogos, dentre outros. Desse modo, a seleção destes especialistas ocorrerá através do conhecimento e experiência prática dos profissionais em sua área de atuação, permitindo assim, uma avaliação criteriosa e efetiva do instrumento criado e da técnica bola de neve aplicada. O instrumento que será utilizado com especialistas do assunto e técnico para avaliação da tecnologia será a escala Likert, adaptada para este estudo a partir de sua aplicação em pesquisa de validação. A análise do conteúdo coletado vai ter início com o índice de validade de conteúdo (IVC) e envolve a revisão cuidadosa dos itens. No cálculo do IVC basta somar as respostas 3 e 4 dos especialistas e dividir o resultado desta soma pelo número total de respostas obtidas para o item. Os itens que receberam pontuação "1" ou "2" devem ser revisados ou eliminados. Considera-se como validado a tecnologia se obtiver um ICV > 0,85 pontos, ou superior a 85% de pontos. A pontuação da escala será aplicada conforme o julgamento dos juízes especialistas no assunto aos itens avaliados devendo ser classificados como Totalmente Adequado (TA - 4), Adequado (A - 3), Parcialmente Adequado (PA - 2) e inadequado (I - 1), da qual somente as respostas positivas serão consideradas para fins de validação, ou seja, TA e A. O cálculo do escore total é feito a partir da soma dos escores obtidos, divididos pelo total máximo de escores. A interpretação do resultado consiste em: 0,70 a 1,00 material superior; 0,40 a 0,69 material adequado; e 0 a 0,39 material inadequado. O teste de usabilidade da tecnologia será baseado nas heurísticas de Jacob Nielsen (1994) que são reconhecidas internacionalmente como diretrizes consolidadas na avaliação de interfaces digitais. Essas heurísticas orientam a IVC = Número de respostas 3 e 4 / Total de juízes e visam promover interações mais intuitivas, eficientes e satisfatórias entre os usuários e os sistemas. O teste de usabilidade será conduzido com o público-alvo da tecnologia, a fim de verificar se as informações da tecnologia são compreensíveis, se a mensagem de autocuidado e adesão ao tratamento é eficiente e o layout da tecnologia é agradável de ser utilizada, contribuindo para a aprendizagem. Participarão do teste de usabilidade o público-alvo da tecnologia, ou seja, pacientes em tratamento e acompanhamento de TB. Será uma amostra não probabilística por conveniência. Os critérios de inclusão serão: pacientes com diagnóstico confirmado de TB cadastrado na Unidade Municipal de Saúde (UMS) do Guamá que se localiza da Rua Barão de Igarapé Mirim bairro do Guamá e que estejam presentes no dia da consulta de enfermagem e/ou médica nos dias do teste de usabilidade. Serão dois instrumentos a serem aplicados: o primeiro é referente às características sociodemográficas dos participantes com cinco perguntas objetivas, sendo: idade, sexo, escolaridade, tempo de diagnóstico e tempo de tratamento (APENDICE I). O outro instrumento de coleta de dados da usabilidade será estruturado baseado no System Usability Scale (SUS) traduzido para o português, um instrumento validado internacionalmente composto por 10 itens, com respostas em escala Likert de 5 pontos, que permite uma avaliação subjetiva da usabilidade percebida (Brooke, 1996). Para sistematizar a coleta e possibilitar a análise quantitativa das percepções dos usuários, a escala Likert está organizada em quatro pontos, sendo: 1 = discordo totalmente; 2 = discordo; 3 = não concordo nem discordo; 4 = concordo; 5 = concordo totalmente. Apenas a última questão, incluída pelo pesquisador, foi dissertativa não obrigatória. Após a pontuação e o cálculo do escore, é possível fazer a classificação do sistema avaliado: <20,5 (pior imaginável); 21 a 38,5 (pobre); 39 a 52,5 (mediano); 53 a 73,5 (bom); 74 a 85,5 (excelente); e 86 a 100 (melhor imaginável). Por se tratar de uma pesquisa de multimétodos, a pesquisa terá diferentes aspectos éticos, porém toda a pesquisa será desenvolvida respeitando os preceitos éticos da Resolução 510/2016 e 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS).