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Formação de Professores e luta quilombola: construindo diálogos a partir de uma Pesquisa-Ação Participativa

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS DA EDUCACAO
Subunidade
FACULDADE DE EDUCACAO
Coordenador
MARIATERESA MURACA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade

Impacto na Amazônia

  • Comunidades Tradicionais – Ações com Quilombolas

Resumo

O projeto de pesquisa intitulado “Formação de Professores e luta quilombola: construindo diálogos a partir de uma Pesquisa-Ação Participativa” tem duração de dois anos (agosto de 2026 a julho de 2028) e uma carga horária de 20 (vinte) horas semanais. Seu objetivo é fortalecer a formação inicial e continuada de professores na perspectiva da Educação Escolar Quilombola, a partir do diálogo entre a universidade, as comunidades quilombolas e os movimentos sociais. Este projeto representa a continuidade da pesquisa intitulada “Fortalecendo a Formação de Professores na perspectiva da Educação Escolar Quilombola”, coordenada pela proponente no biénio anterior. No decorrer dessa pesquisa, foram realizadas quatro rodas de conversa nas comunidades quilombolas de Moju Miri, Ribeira de Jambuaçu, Santa Ana do Baixo Jambuaçu e Abacatal e quatro entrevistas com lideranças da Malungu – Coordenação de Comunidade Remanescentes de Quilombos do Pará, do CEDENPA – Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará e da ADQ – Associação de Estudantes Quilombolas da Universidade Federal do Pará (UFPA). As rodas e as entrevistas mostraram que, no contexto quilombola, a educação se entrelaça com questões complexas, como os conflitos socioambientais, os saberes ancestrais e as práticas tradicionais, as desigualdades e as discriminações históricas. Essas questões devem ser reconhecidas e sistematizadas para possibilitar uma transformação organizativa, epistêmica e curricular dos percursos de formação inicial e continuada dos professores (Muraca; Peixoto; Cardoso; Cardoso, 2026). O presente projeto de pesquisa visa aprofundar os dados consistentes e relevantes coletados com a pesquisa anterior; problematizá-los e enriquecê-los à luz das contribuições de pensadores e pensadoras negros, quilombolas, decoloniais, pós-coloniais e contra-coloniais; e promover a elaboração de ações formativas em diálogo com as comunidades e os movimentos sociais envolvidos. Nesse sentido, adota a abordagem crítica e transformadora da Pesquisa-Ação Participativa (PAP), a qual permite não somente a elaboração de conhecimento científico, mas também a geração de ações relevantes para os sujeitos interessados. Em particular, o percurso da pesquisa se articula em quatro fases: 1) exame da literatura científica; 2) realização de atividades de PAP com comunidades quilombolas e movimentos sociais; 3) análise dos dados e sistematização colaborativa das propostas formativas surgidas desse diálogo; 4) socialização dos resultados com a comunidade acadêmica. O referencial teórico se fundamenta na Educação Popular (Freire, 2003), no Pensamento Decolonial (Lander, 2000; Walsh, 2013) e Contra-Colonial (Santos, 2015), nas Pedagogias Feministas (hooks, 2013) e nas Epistemologias do Sul (Meneses; Bidaseca, 2018). Embora tenha ligações com outros objetivos, o projeto de pesquisa foca especialmente o Objetivo de desenvolvimento sustentável da ONU n. 4 “Educação de Qualidade: Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos”.