Grupo de Pesquisa Arte Sonora: Estudos dos Processos Criativos, Instalativos e em Paisagem Sonora
Resumo
Para melhor descrever este trabalho, aproprio-me do que Marisa Fonterrada (2008) considera, no livro De tramas e fios, como sendo atividades naturais. Atualmente, "(...) andar ao ar livre, tomar contato com a diversidade, reconhecer similaridades, apurar a sensibilidade, conhecer, ver e escutar diferentes ambientes (...)" (FONTERRADA, 2008, p. 270) podem ser, na maioria dos casos, práticas distantes do nosso cotidiano. A arte sonora se apresenta como um espaço de diferentes sensibilidades e linguagens; um campo de estudo que cada vez mais integra pesquisadores, artistas e educadores interessados na experiência sonora, nos processos criativos, instalativos e em suas diferentes poéticas, principalmente por apresentar diferentes possibilidades de difusão sonora e inovação nos formatos de apresentação de obras acústicas, visuais e ou multimídias. Nesse sentido, inserida no âmbito das práticas contemporâneas da arte sonora e da composição musical, este projeto de investigação pretende debruçar sobre o estudo de processos criativos, considerando metodologias, poéticas, tecnologias, performances, instalações e paisagem sonora, onde a produção artística e científica considera a diversidade de expressões, linguagens, performances, espetacularidades e metodologias. Num primeiro momento, abordarei tópicos relacionados aos processos criativos, bem como aos processos de composição de instalações sonoras para espaços específicos, considerando registros sonoros, fotografias, mapeamentos da paisagem, performances, corpo e movimento, improvisações in situ, soundwalking , composição musical eletroacústica, dentre outros processos presentes na minha produção artística e científica. Ao ter os sons da paisagem sonora de Belém - PA e de seus entornos como materiais vivos de pesquisa, pretendo produzir bibliografia científica que se relacionam aos trabalhos artísticos e teóricos de: Hildegard Westerkamp (1974, 1988), que introduz o soundwalking como processo artístico exploratório; Barry Truax (1984, 2012), que menciona a importância das relações entre compositor e paisagem sonora; Murray Schafer (1977, 1992), que aponta a importância do ensino da paisagem sonora e da educação sonora de forma abrangente; Bernie Krause (2013), que aponta nomenclaturas inteligíveis e de clareza epistemológica (i.e. biofonia, geofonia e antropofonia) que abrangem paisagens sonoras contemporâneas, considerando também as formas as quais os sons distinguem-se na composição musical e no espaço envolvente; entre outros autores. Esta etapa da proposta de investigação pretende criar e partilhar métodos alternativos e/ou complementares ao soundwalking para explorar, monitorar e interagir com espaços específicos e com as pessoas que o integram, comparando registros acústicos e visuais, assim como possibilitando composições musicais conjuntas, instalações sonoras e performances coletivas a serem realizadas em diferentes localidades da cidade e de seus entornos, bem como em escolas públicas, divulgadas em diferentes streamings gerando novos materiais de acervo e pesquisa, dialogando incisivamente com Projeto de Extensão Mosaico: arte, música e paisagem sonora na escola: 2ª edição. Ressalto, ainda, a relevância deste projeto de pesquisa, pois os estudos de paisagem sonora e de arte sonora vêm sendo discutidos em diferentes áreas do conhecimento. Música, Cinema, Artes Visuais, Arquitetura, Educação, Educação Ambiental e Filosofia são áreas que me são afins e que recorrentemente acolhem os estudos de paisagem sonora e verificam a potência da experiência acústica para a escola e para a comunidade em geral. Ouvir os sons da paisagem sonora tem promovido interação e transformações acústicas em diferentes espaços a partir de vivências que podem ser ainda potencializadas na cidade de Belém-PA e em seus entornos, promovendo integração, inclusão, pertencimento e novos desafios. A partir dos escritos de Ana Godoy, proponho lançarmos nossos corpos integralmente para a experiência de uma educação musical que nutra o pensamento intempestivo e ativo, que brote do presente e que o problematize (GODOY, 2008), realizando atividades em conjunto com a paisagem sonora local, propondo momentos de criação a partir das principais referências em arte sonora. Neste caso, o Grupo de Pesquisa em Arte Sonora pretende a estruturação do estudo dos conceitos e fundamentos da arte sonora, da paisagem sonora e dos processos criativos que são de interesse coletivo, tendo como referência as obras de artistas renomados tanto mundialmente quanto regionalmente. Ainda, a pesquisa em coletivo fomentará a criação sonora conjunta em diferentes formatos expositivos, considerando diferentes espaços e possibilidades poéticas.