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Interfaces entre direção de fotografia e pós-produção cinematográfica

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS DA ARTE
Subunidade
FACULDADE DE ARTES VISUAIS
Coordenador
RONALD SOUZA DE JESUS
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade
  • 5 - Igualdade de Gênero

Resumo

O projeto de pesquisa “Interface entre Direção de Fotografia e Pós-Produção Cinematográfica” se propõe a reunir interessados em estudos acerca dos processos estéticos, tecnológicos e metodológicos envolvidos na produção audiovisual, desde a captação até a finalização. Embora se tratem de setores distintos do cinema, essas duas áreas se desenvolvem paralelamente ao longo da história, em um processo contínuo de retroalimentação. Já no primeiro cinema, até aproximadamente 1910, os recursos de montagem realizados no set — como nas peças cinematográficas de Georges Méliès — apontavam para a possibilidade de um ilusionismo mágico por meio dos mecanismos cinematográficos. Efeitos práticos, aliados ao corte da película e a saltos temporais, permitiam forjar acontecimentos que ficariam registrados no material finalizado. Outros experimentos, como a pintura manual dos frames, também possibilitaram a transformação da imagem, ultrapassando a limitação do simulacro da realidade natural então registrada pelas películas, cuja característica mais evidente era a ausência nativa de cor. Assim, esse mecanismo artesanal — o gesto do pincel e da tinta sobre a película — já se apresentava como aliado não apenas do manuseio temporal da narrativa, mas também da própria criação da imagem, aspecto ontologicamente fotográfico. Com o surgimento e o aperfeiçoamento dos recursos da linguagem cinematográfica, entre eles a manipulação do tempo e da narrativa por meio da montagem, os níveis de colaboração entre a direção de fotografia e a pós-produção tornaram-se cada vez pressupostos ao longo do tempo. As possibilidades do chroma key, como visto em O Ladrão de Bagdá (1940), permitiam que cenas fossem filmadas mesmo com a ausência física de parte do cenário, de modo que esses espaços pudessem ser completados posteriormente. Isso flexibilizava a criação visual do ponto de vista prático, viabilizando, inclusive, que cenários geograficamente distantes ou impossíveis compartilhassem a composição final da imagem. Assim, filmes ambientados em desertos, por exemplo, poderiam ter cenas captadas em estúdio e, posteriormente, complementadas nas mesmas imagens por elementos visuais registradas in loco. Esses recursos tornaram-se ainda mais evidentes com os avanços da cinematografia eletrônica ocorridos entre o final do século XX e o início do século XXI, e com a chegada do vídeo digital, da computação gráfica, dos softwares de edição, dos programas de manipulação de cor, além do surgimento de sofisticados recursos de efeitos visuais. Amparado em autores como Arlindo Machado, David Bordwell, Joseph V. Mascelli, Sergei Eisenstein, Andrei Tarkóvski, Edgar Moura, Patti Bellantoni, Walter Murch, Vittorio Storaro, Ken Dancyger, entre outros — e guiado especialmente pelos procedimentos da teoria de cineastas —, este projeto visa a dedicação aos estudos dessas interfaces, investigando as possibilidades que emergem da interdependência entre os setores do audiovisual. Busca-se, assim, vislumbrar novas estéticas e teorias tanto no âmbito técnico — contemplando elementos como modelagem 3D, CGI, motion tracking, color grading, VFX, telecine, entre outros — quanto no âmbito conceitual, enquanto processos de pensamento da linguagem cinematográfica.