Identificação de Biomarcadores de Epilepsia em paciente que utilizam Dieta Cetogênica
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- 3 - Saúde e Bem-Estar
Resumo
A Epilepsia é uma condição neurológica crônica que acomete cerca de 1% da população mundial, e afeta diretamente cerca de 3 milhões de pessoas no Brasil (OMS,2002) A doença é caracterizada por uma parte do cérebro emitir sinais incorretos causando crises que podem se manifestam em convulsões ou outros sintomas, como ausências. Durante esses episódios, há um agrupamento de células cerebrais que passam a se comportar de maneira hiperexcitável, levando às manifestações clínicas da epilepsia, as convulsões recorrentes, que são muitas vezes imprevisíveis, tendo inúmeras consequências neurobiológicas, cognitivas e psicossociais (CASTRO et al., 2020). Embora avanços notáveis tenham sido alcançados no desenvolvimento de medicamentos antiepilépticos ao longo dos anos, uma parcela substancial de pacientes com epilepsia continua a enfrentar um desafio significativo- a epilepsia fármaco-resistente (LAGGER et al., 2023). Essa condição, por definição, implica na incapacidade de alcançar o controle satisfatório das convulsões com tratamentos farmacológicos convencionais. No início do século XX, médicos franceses começaram a relatar convulsões de baixa gravidade quando o paciente adotava jejum, sendo esta a primeira observação científica sobre a relevância do jejum na epilepsia (GUELPA et al., 1911). Ao longo de 1920 e 1930, diversas experiências positivas com jejum e diminuição das crises convulsivas foram relatadas (GEYELIN, 1921; KOSSOFF et al., 2016; WOODYATT, 1921;). Devido a inviabilidade de um indivíduo sobreviver em jejum, em 1921 surge a dieta cetogênica (DC), publicada pela primeira vez pelo médico Russel Wilder, como uma alternativa de promover ao organismo humano os efeitos bioquímicos do jejum, o preservando a um estado de anabolismo (WILDER, 1921; PETERMAN, 1925) Há quase 100 anos a DC, vem sendo estudada e utilizada como alternativa terapêutica no controle da epilepsia fármaco-resistente (MARTIN et al., 2016). Em aspectos gerais a DC se caracteriza por seu alto teor de gordura, adequada em proteína e baixo teor de carboidratos. Ela atua induzido o metabolismo a utilizar gordura como fonte energética, esses lipídios quando metabolizados no fígado se tornam ácidos graxos, oxidados nas mitocôndrias do hepatócito, produzindo acetil-CoA em grande quantidade, pela baixa concentração de oxaloacetato, ocorre a diminuição na velocidade da oxidação por meio desta via, favorecendo a produção de corpos cetônicos denominados acetoacetato, acetona e B-hidroxibutirato (KOSSOFF et al., 2016). Esses corpos cetônicos atravessam a barreira hematoencefálica, através de transportadores de ácido carboxílico (WHELESS, 2008), entrando no ciclo de Krebs, tornando-se substrato energético para o cérebro, modulando neurotransmissores, ocasionando um controle excitatório, bloqueando a liberação de glutamato, hiperpolarizando os neurônios, trazendo um efeito neuroprotetor (KOSSOFF et al., 2018). No entanto, o alvo molecular pelo qual os corpos cetônicos atuam ainda são desconhecidos.