Ação da Ketamina-S e ketamina Racêmica ( S/R) sobre o córtex visual e hipocampo: um estudo eletrofisiológico comparativo.
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- 3 - Saúde e Bem-Estar
Resumo
A ketamina, ou cetamina, foi descoberta em 1960 e, na atualidade, tem sido utilizada como anestésico por sua eficácia em doses sub-anestésicas, o que demonstra uma resposta diferente dos demais medicamentos tradicionais nessa área por ser um potente analgésico com propriedades dissociativas e sedativas (Nikayin; Murphy; Krystal; Wilkinson, 2022). Além disso, outra característica relevante desta droga é que ela não suprime a atividade respiratória ou os reflexos das vias aéreas, exceto em doses muito altas, o que a difere dentro do mercado. (Mion, 2012) Essa droga é um composto racêmico e medicamento composto por enantiômeros de (S)-cetamina e (R)-cetamina e seus metabólitos (Levinstein et al.,2025). Sua molécula contém um átomo de carbono assimétrico com dois enantiômeros: um isômero S(+) e um isômero R(-).(Geisslinger, 1975) O enantiômero S(+) tem uma atividade anestésica/analgésica mais potente, com menor propensão a reações adversas do que o enantiômero R(-) (Midega, 2022). O mecanismo de ação da ketamina é antagonizar os receptores NMDA (N-metil-D-aspartato) (Bell et al., 2024). Modula a sensação central e a hiperalgesia através do bloqueio não competitivo dos receptores de glutamato, e suas ações analgésicas são mediadas pelos receptores kappa, delta e mu-1 (Garber et al., 2019). O processo de modulação das atividades cerebrais está intrinsecamente ligado ao neurotransmissor glutamato (Mohammed & Mansour, 2020). Além disso, a ketamina amplia seu caráter analgésico ao interagir também com outros sistemas neurotransmissores importantes na função neural, como o sistema opioide (De Andrade Santana et al., 2025) Devido ao efeito mediado pela modulação da neurotransmissão glutamatérgica e pela promoção de plasticidade sináptica, existe uma crescente aplicação da ketamina pela sua capacidade de induzir efeitos antidepressivos dentro de horas após a administração (Andrade, 2017). Tais propriedades farmacodinâmicas e farmacocinéticas garantem e incentivam seu uso em diversos contextos clínicos, incluindo sedação, anestesia ambulatorial e práticas de terapia intensiva (Simonini et al., 2022). Dessa forma, a Ketamina é um importante alvo de estudo para compreensão do seu potencial de regulação neuronal para transtornos mentais e viabilização de alternativas para doenças nessa área. Está bem definido que todos os agentes farmacológicos usados para sedação podem apresentar alguns efeitos adversos (Sacchetti et al., 2007). Os relacionados com a ketamina estão relacionados à liberação de catecolaminas, à alteração do ritmo cardíaco e da pressão arterial sistêmica e, em especial, à dissociação funcional e eletrofisiológica entre os sistemas límbicos e tálamo-neocortical a qual a ketamina desencadeia um estado alterado de consciência que alguns autores descrevem como dissociação e outros como uma experiência psicodélica (Studerus et al., 2020; Acevedo-Diaz et al., 2011). Isso se deve principalmente a disforia, alucinações, desorientação, sonhos vívidos, ilusões sensoriais e/ou perceptivas que a droga pode desencadear. (Strayer e Nelson, 2018). Uma ferramenta importante para descoberta dessas alterações e efeitos da ketamina é a análise do eletroencefalograma (EEG) após o seu uso. Tal exame é um dos métodos de neuroimagem mais eficazes para investigação neural de drogas psicoativas de forma flexível e natural devido à sua alta resolução temporal e não invasividade (Buzsáki et al., 2012). Nesse contexto, em comparação com outras drogas com atuação semelhante, a ketamina mostrou uma maior modulação das características do EEG (Agnorelli, 2025). Diversas áreas cerebrais podem ser observadas no EEG e a interpretação de alterações às normalidades de regiões específicas determinam problemas vinculados à não efetividade plena de suas funções. Nesse sentido, para este trabalho, destacam-se duas: o hipocampo e o lobo occipital. O hipocampo é uma estrutura cerebral muito importante na composição dos seres vivos e está intimamente relacionado com à memória, aprendizagem e outras funções mentais superiores (Pinilla Ruge, 2023). O lobo occipital está localizado na parte posterior do cérebro e é a área especializada no processamento da visão, isto é: área primária que recebe estímulos visuais dos olhos e os interpreta (De Queiroz et al., 2024) Nesse sentido, apesar de apresentar diversas vantagens, a droga demonstra efeitos colaterais negativos que precisam ser estudados. Em especial a disforia, alucinações, desorientação, sonhos vívidos, ilusões sensoriais e/ou perceptivas que a ketamina pode desencadear. (Strayer e Nelson, 2018).