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Vocalizando em uma floresta estruturalmente complexa: uma investigação de uma solução única de um Beija-flor.

Unidade
INSTITUTO DE CIENCIAS BIOLOGICAS
Subunidade
FACULDADE DE CIENCIAS BIOLOGICAS
Coordenador
MARIA LUISA DA SILVA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 15 - Vida Terrestre

Resumo

Os Beija-flores pretos fazem parte de um clado dos Beija-flores da mata-atlântica do Brasil. Suas vocalizações de alta frequência têm uma frequência fundamental média de 11,5 kHz com oscilações rápidas que variam de ~10-14 kHz, o que é notável para um pássaro e está no limite superior da produção vocal das aves. Essa faixa também está bem acima do limite estabelecido de audição das aves (até 8-9 kHz), e, considerando o habitat biodiverso único onde ocorrem, abre novas direções na ecologia comportamental da comunicação animal. Além disso, essas vocalizações parecem ser aprendidas, portanto, é possível que essas vocalizações de alta frequência permitam o reconhecimento individual. Coletamos vocalizações de beija-flores-pretos no Instituto Nacional da Mata Atlântica de 2015 a 2024 e relatamos as mudanças acústicas que ocorreram nessa população ao longo da última década. Observamos que essas vocalizações, produzidas por ambos os sexos e juvenis mais velhos, são representadas por um único tipo de canto por indivíduo. Essas vocalizações são tipicamente produzidas durante exibições em voo a curta distância de outros beija-flores-pretos. Em contraste, não observamos beija-flores-pretos vocalizando para outras espécies ou outras espécies respondendo às vocalizações dos beija-flores-pretos. Em 2015-16, a vocalização mais comum foi uma emissão de três sílabas com um padrão espetro-acústico característico. A partir de 2019, observamos a ocorrência de emissões de duas sílabas com sílabas mais longas, e em 2022-24, as emissões de três sílabas foram completamente substituídas por emissões de uma ou duas sílabas. Durante esse tempo, a duração média da sílaba também aumentou, possivelmente como compensação pelas sílabas menos numerosas. Observamos a ocorrência de vocalizações transitórias em 2019, onde as duas primeiras sílabas se fundiram, levando a uma sílaba mais longa e fundida seguida por uma sílaba curta (antiga 3ª sílaba). Esse padrão longo-curto foi observado em 2022 em aproximadamente metade das vocalizações amostradas, enquanto o restante eram de um padrão mais simples de duas sílabas com duração e estrutura acústica idênticas. As oscilações rápidas que são características dessa espécie também mudaram ao longo da última década, passando de um padrão regular em 2015 (~300 Hz ciclos) para um padrão mais variável, mas estereotipado, em 2022-24. A capacidade potencial de perceber e imitar esses padrões temporais finos identifica outra capacidade sensorial notável dessa espécie. Esses dados estabelecem o palco para uma investigação mais extensa do repertório dessa espécie e apresentam um modelo conceitual valioso para futuras pesquisas sobre comunicação vocal em ambientes complexos.