A Amazônia paraense na crítica cultural latino-americana. Interdisciplinaridade e integração da diversidade latino-americana. Colóquios multicampi UFPAXXI
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 5 - Igualdade de Gênero
- 10 - Redução das Desigualdades
- 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
Resumo
O território amazônico (o Norte, Pará e a UFPA, efetivamente) revela uma falta de reconhecimento da região ou, bem, de uma inserção diferente neste cenário do saber teórico-crítico cultural latino-americano que afeta seu protagonismo dentro do campo intelectual ameaçado pelas hegemonias planetárias (Said, 2002). Pode-se observar um desaproveitamento que leva gradualmente para um grave debilitamento de seu próprio capital cultural. Mas não é só um fenômeno amazônico: é regional, já que essa mesma falta é perceptível também na região hispano-americana. É sabido que no processo modernizador finissecular, impulsado pelas elites urbano-capitais (MéxicoDF, Buenos Aires, Santiago, Bogotá), a região amazônica é menos real do que simbólica, reduzida a um exotismo negador da complexidade histórica do sujeito e do espaço geográfico. Situação similar acontece com a percepção do latino (!). Em geral, para o Brasil e em particular para a região do Pará, o vizinho é um enigma. Uma realidade que sobrevoo: está e não está. Trata-se, enfim, de um afastamento intencional de mútua exclusão que promove a injustiça e a desigualdade da população indígena, negra e pobre latino-americana. O desconhecimento de nossas origens em comum (colonização, território, processos sociais, língua) criou um vácuo de crítica cultural que favorece a superficialidade e a fragmentação de um todo que fica vulnerável e dependente frente ao Poder central. O resultado desta separação estrutural divide, por um lado, a totalidade entre o luso e o hispano-americano, e, por outro, o Brasil do progresso metropolitano com o da periferia subdesenvolvida. É quando, então, as Humanidades, as Artes e as Ciências Sociais da UFPA, como anfitriãs, devem assumir o mando pela integração, criando estratégias de aproximação recíproca que permitam às partes apropriar-se de suas principais contribuições do pensamento. De tal maneira que cada universo, unidos historicamente, retomam os intentos unificadores valorizando a singularidade de cada componente. Para isso, os estudos amazônicos têm a responsabilidade de gerar pontes com os estudos latino-americanos1 com a finalidade de iniciar um debate que sirva nos anos posteriores como referente de integração e diálogo intercultural. A falta da crítica amazônica fora da Amazonía é tão evidente e necessária como a latino-americana dentro deste território. Mas, neste caso pontual, a UFPA, na sua condição amazônica, é a encarregada de abrir o espaço discursivo e propiciar um novo acordo entre as partes. Assim, só o saber integral do outro permitirá conformar um discurso teórico-crítico acorde às urgentes demandas do século XXI. (1) Utilizo latino-americano e não hispano-americano porque em nossa história moderna e contemporânea há existido um diálogo fecundo, mas insuficiente. Pense-se, por ej., nos estudos de Buarque de Holanda, Antônio Candido ou Darcy Ribeiro, entre outros intelectuais que já tinham uma percepção de conjunto.