A Amazônia no Estado Novo: Cultura, Política e Mobilização Social.
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
Resumo
O projeto de pesquisa intitulado "A Amazônia no Estado Novo: Cultura, Política e Mobilização Social", coordenado pelo Prof. Dr. Edivando da Silva Costa na Universidade Federal do Pará (UFPA), propõe uma investigação aprofundada sobre a inserção estratégica do estado do Pará no cenário internacional durante a Segunda Guerra Mundial e o regime autoritário de Getúlio Vargas. Com execução prevista para o período de agosto de 2026 a agosto de 2028, o estudo analisa como a centralização política e o esforço de guerra serviram como catalisadores para um projeto de integração nacional que buscou reconfigurar a Amazônia paraense de forma multidimensional. O pano de fundo histórico da pesquisa é a "Marcha para o Oeste" e a assinatura dos Acordos de Washington em 1942, que converteram a região em um eixo geopolítico vital para os Aliados, funcionando como entreposto logístico e centro produtor de látex na chamada "Batalha da Borracha". Para sustentar essa economia de guerra, o governo varguista promoveu a migração em massa de trabalhadores nordestinos os "soldados da borracha" e implementou o Serviço Especial de Saúde Pública (SESP). O projeto destaca que o combate a endemias tropicais e as políticas de saneamento não eram meras ações humanitárias, mas estratégias de uma "guerra sanitária" destinadas a disciplinar a mão de obra e substituir as lideranças locais pela autoridade direta da União. A investigação também se dedica a compreender as articulações políticas locais, como o "Baratismo" sob a interventoria de Magalhães Barata, e o papel do Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (DEIP) no controle ideológico e na construção de uma identidade regional alinhada aos ideais de progresso do Estado Novo. Utilizando uma metodologia de análise documental qualitativa, o estudo explora acervos de instituições como o Instituto Evandro Chagas, a Casa de Oswaldo Cruz e o Arquivo Nacional, examinando desde boletins oficiais e jornais da época até prontuários médicos e fotografias. Além da produção acadêmica e científica, o projeto possui uma forte vertente educacional e de extensão. Estão previstas a realização de oficinas e palestras, bem como a elaboração de material didático voltado especificamente para discentes do 3º ano do Ensino Médio. O objetivo é socializar os resultados da pesquisa e integrar as discussões sobre saúde, política e história regional amazônica aos conteúdos programáticos escolares, auxiliando os estudantes na compreensão de processos históricos complexos que ainda marcam o Vale Amazônico. .