PENSAMENTO DECOLONIAL E EDUCAÇÃO DO CAMPO: uma revisão integrativa no cenário brasileiro
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
Resumo
O projeto Pensamento Decolonial e Educação do Campo: uma revisão integrativa no cenário brasileiro tem como objetivo geral mapear e analisar, através de uma revisão integrativa da literatura, as produções acadêmicas sobre Educação do Campo no Brasil, a partir do pensamento decolonial. Como objetivos específicos, pretende: identificar como a Educação do Campo é tematizada nas produções acadêmicas sob a perspectiva decolonial; levantar as áreas de conhecimento, o período e a região abordados nas produções tabuladas; e evidenciar as proposições realizadas por autores e autoras em torno dos avanços teóricos e práticos na Educação do Campo. A pesquisa parte da seguinte problemática: até que ponto a Educação do Campo tem sido tratada na literatura científica brasileira a partir de um olhar decolonial, que não apenas reconheça os sujeitos camponeses como protagonistas de seus processos educativos, mas que também questione a hegemonia epistêmica que ainda orienta boa parte das pesquisas em educação no Brasil? Nesse sentido, busca compreender como as pesquisas acadêmicas têm reconhecido os saberes e práticas pedagógicas camponesas como produtoras de conhecimento, em que medida o pensamento decolonial vem sendo incorporado como referencial analítico e quais lacunas e silenciamentos ainda permanecem nas produções científicas. A relevância do estudo reside na contribuição para o fortalecimento da Educação do Campo enquanto campo teórico, político e pedagógico comprometido com a valorização dos povos do campo, das águas e das florestas, historicamente submetidos a processos de exclusão, invisibilização e subalternização produzidos pela lógica da modernidade/colonialidade. Ao sistematizar o conhecimento produzido na interface entre Educação do Campo e pensamento decolonial, a pesquisa poderá identificar tendências, avanços, desafios e perspectivas para a área, além de subsidiar futuras investigações e práticas educativas comprometidas com a justiça social e epistemológica. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica desenvolvida por meio da revisão integrativa da literatura, que permitirá reunir, selecionar, organizar e analisar artigos científicos, dissertações e teses produzidos sobre a temática. A análise dos dados será realizada por meio da técnica de Análise de Conteúdo proposta por Bardin, possibilitando a construção de categorias temáticas que evidenciem como a Educação do Campo vem sendo abordada no campo epistêmico da decolonialidade. A fundamentação teórica está ancorada em autores da Educação do Campo, como Miguel Arroyo, Roseli Caldart e Mônica Molina, e em pensadores do giro decolonial, como Aníbal Quijano, Walter Mignolo, Nelson Maldonado-Torres, Frantz Fanon e Luciana Ballestrin, além das contribuições de Paulo Freire sobre humanização, emancipação e pedagogia dos oprimidos. Dessa forma, a pesquisa compreende a Educação do Campo como espaço de resistência, produção de conhecimentos outros e afirmação de sujeitos historicamente marginalizados, contribuindo para a construção de perspectivas educativas comprometidas com a valorização dos territórios, das identidades e dos saberes dos povos do campo.