SERVIÇO SOCIAL E A ESCUTA DAS INFÂNCIAS TRADICIONAIS E ORIGINÁRIAS DA AMAZÔNIA PARAENSE: REDE MULTICAMPI DE PESQUISA-AÇÃO E INTEGRAÇÃO ENTRE A GRANDE BELÉM E OS MARAJÓS EM DEFESA DA PROTEÇÃO INTEGRAL
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 10 - Redução das Desigualdades
- 16 - Paz, Justiça e Instituições Eficazes
Impacto na Amazônia
- Comunidades Tradicionais – Ações com Povos Indígenas ou Originários
Resumo
O presente projeto propõe a constituição de uma rede de pesquisa, formação e extensão articulando o Grupo de Estudos e Pesquisas em Trabalho, Estado e Sociedade na Amazônia (GEP-TESA) e o Grupo de Estudos e Pesquisa em Direitos Humanos, Infâncias e Diversidade na Amazônia (GEDHIDAM), bem como os programas de pós-graduação aos quais estão vinculados, o Programa de Pós-Graduação em Serviço Social (PPGSS/UFPA) e o Programa de Pós-Graduação em Sociobiodiversidade e Educação (PPGSE/UFPA), sediados respectivamente nos Campi Guamá/Belém e Marajó/Breves da Universidade Federal do Pará (UFPA). A proposta busca fortalecer a cooperação multicampi da UFPA por meio da produção compartilhada de conhecimentos sobre as infâncias amazônidas, a proteção integral de crianças e adolescentes e o trabalho profissional do assistente social em territórios marcados por profundas desigualdades sociais, étnico-raciais, territoriais e ambientais, consolidando uma articulação entre a capital (centro), os distritos da região metropolitana e os demais municípios e suas correspondentes regiões de integração. A pesquisa parte da compreensão de que as infâncias amazônidas permanecem atravessadas por processos históricos de invisibilização, particularmente quando se trata de crianças pertencentes a povos e comunidades tradicionais e originárias, cujas experiências, saberes e formas de participação raramente são incorporadas à produção acadêmica e aos processos de gestão, planejamento e execução de políticas públicas. Nesse contexto, o estudo busca analisar como assistentes sociais têm atuado na proteção integral de crianças e adolescentes em diferentes territórios amazônicos, bem como compreender de que forma as próprias crianças interpretam, narram e cartografam suas experiências de proteção, pertencimento, participação e violação de direitos. O objetivo geral consiste em analisar as intervenções do Serviço Social voltadas às infâncias amazônidas e construir cartografias socioterritoriais participativas que articulem território, direitos, participação infantil e formação profissional, fortalecendo a integração entre ensino, pesquisa e extensão na UFPA, especialmente por meio da articulação entre graduação e pós-graduação stricto sensu. A pesquisa fundamenta-se no materialismo histórico-dialético, em diálogo com intelectuais do marxismo negro, africano, caribenho e latino-americano, bem como com estudos críticos das relações étnico-raciais, dos direitos humanos e das infâncias. Metodologicamente, adotará abordagem quanti-qualitativa, articulando pesquisa bibliográfica, documental e de campo, recorrendo a instrumentos como questionários, entrevistas semiestruturadas, grupos focais, rodas de diálogo que irão subsidiar na elaboração coletiva e participativa de cartografias socioterritoriais. A participação de assistentes sociais ocorrerá por meio de estratégias híbridas, envolvendo profissionais de diferentes municípios do Pará; enquanto a escuta de crianças e adolescentes será realizada presencialmente em Ananindeua, Outeiro, Mosqueiro, Soure, Salvaterra, Breves e Melgaço, onde há presença de famílias indígenas, quilombolas e ribeirinhas. A proposta pretende promover a circulação de conhecimentos, saberes e experiências entre os campi da UFPA e ampliar a inserção acadêmica e científica de estudantes que não se encontram nos centros urbanos da Amazônia paraense, sobretudo fortalecer as estratégias para a garantia da proteção integral de crianças e adolescentes, em uma das últimas fronteiras do Capital.