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Concepção de linguagem em práticas pedagógicas de Modelagem Matemática: implicações para a constituição do conhecimento matemático

Unidade
CAMPUS UNIVERSITARIO DE SALINOPOLIS
Subunidade
FACULDADE DE FISICA - SALINOPOLIS
Coordenador
DANIANA DE COSTA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade

Resumo

O que é o significado de uma palavra? Ao tomar como base a corrente filosófica essencialista platônica, o significado de uma palavra seria a essência do objeto a que a palavra se refere e que está localizado no mundo inteligível. Já, para a filosofia aristotélica, por exemplo, o significado de uma palavra seria uma imagem de algo que existe no mundo empírico. Assim, tendo em vista, essas correntes filosóficas da antiguidade grega, os significados das palavras estariam relacionados à existência de algo presente numa realidade inteligível ou metafísica (SILVA, 2018). A ideia de que o significado das palavras é algo existente em alguma realidade acabou se perpetuando no decorrer do tempo. A título de exemplo, o filósofo da Patrística, Agostinho, sustentava que cada palavra na linguagem possui um significado, o qual corresponderia a um objeto no mundo. Tal forma de pensar a relação linguagem e mundo é denominada concepção referencial da linguagem (MULINARI, 2016). Essa concepção, com suas variações, se alastrou por toda a filosofia ocidental e acabou influenciando fortemente os primeiros pensamentos do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951) que estabeleceu um isomorfismo entre linguagem e mundo com a finalidade de solucionar os problemas filosóficos. Dessa forma, Wittgenstein concebe a linguagem significativa restrita à descrição de fatos do mundo, como está retratado em seu livro da juventude, o Tractatus Lógico-Philosophicus (1921). Posteriormente, em sua publicação póstuma, as Investigações Filosóficas (1953), esse filósofo apresenta outra forma de ver a relação entre linguagem e realidade, contrariando radicalmente seu pensamento da juventude que estava aprisionado pela concepção referencial da linguagem. Nesse contexto, a sua atividade filosófica é tomada como terapêutica, no sentido de libertar o pensamento dessa concepção exclusivista de significação. Por meio de exemplos, Wittgenstein procura persuadir seus interlocutores imaginários das Investigações Filosóficas a ver como a linguagem é utilizada em diferentes contextos linguísticos, e em decorrência disso, que os significados são os usos das palavras e expressões linguísticas (SPANIOL, 1989). Ele compara a linguagem a um jogo, de modo que ela passa a ser concebida como uma atividade regrada e os seus significados são determinados a partir dos seus contextos de usos, os jogos de linguagem (WITTGENSTEIN, 2014). Ao conceber a linguagem sob a ótica dos jogos de linguagem, fica evidenciado que a descrição de fatos deixa de ser a definição de linguagem significativa e passa a ser tão somente um jogo de linguagem. Desse modo, a linguagem não é utilizada apenas para referenciar objetos, fatos ou essências em alguma realidade empírica ou transcendental, mas passa a ter também a função de norma.As ideias do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein têm servido de inspiração para fundamentar diversas pesquisas no contexto da Educação Matemática, contribuindo para discutir, questionar e/ou repensar processos educativos. Levando em conta esse pensamento filosófico e suas potencialidades para se pensar a Educação Matemática, busca-se um entrelaçamento com a Modelagem Matemática na Educação Matemática (Modelagem), a qual pode ser entendida como “a arte de transformar problemas da realidade em problemas matemáticos e resolvê-los interpretando suas soluções na linguagem do mundo real” (BASSANEZI, 1994, p. 16). Ao se considerar o entrelaçamento entre Modelagem e o pensamento filosófico de Wittgenstein, Costa (2023), por exemplo, em sua tese de doutorado, aponta esclarecimentos de que, no contexto da Modelagem, os enunciados matemáticos não são de natureza empírica, mas sim, normativa. Além disso, que o modelo matemático é tal como um objeto linguístico que dá sentido à experiência empírica e que, no processo de Modelagem, o conhecimento matemático não são representações mentais de conceitos matemáticos, mas que ele se constitui mediante os diversos usos das regras matemáticas apresentadas ao estudante. Diante do exposto, no presente projeto de pesquisa, o intento é aprofundar o estudo que relaciona a Modelagem e o pensamento filosófico wittgensteiniano, o que poderá repercutir em modo de se pensar os processos educativos que incluem o ensino e/ou a aprendizagem.