ENCANTARIAS DOS SABERES ANCESTRAIS: PRÁTICAS EDUCATIVAS SOBRE PLANTAS AMAZÔNICAS
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
Resumo
Esta pesquisa busca identificar como se configuram as relações entre as encantarias e as plantas amazônicas e quais são práticas educativas que envolve o compartilhamento dos saberes ancestrais sobre essas plantas e ervas medicinais usadas nos cuidados e práticas de cura pelas populações tradicionais na Amazônia bragantina. Parte-se da compreensão de que a negação e silenciamento dos saberes Amazônicos, por meio de formas variadas de poder e de produção do conhecimento, alicerçada em racionalidade positivista, discriminatória e segregadora, tem agindo diretamente no sentimento de pertencimento e identidade desta população contribuindo para sua descaracterização e marginalização. Na contramão desta lógica segregadora e uniformizadora de saberes, este estudo sobre as práticas educativas das encantarias e plantas Amazônicas se configura como importante para resignificar saberes que são construídos e estão presentes para além dos espaços acadêmico. Saberes que não estão restritos a poucos selecionados e privilegiados nas universidades, mas são compartilhados por guardiões e guardiãs de sabedorias ancestrais nos diferentes territórios Amazônicos. Para tanto, esta pesquisa propõe a: Cartografar as plantas amazônicas utilizadas em práticas de curas por comunidades tradicionais; compreender a relação simbólicas entre as plantas, os encantados e as práticas de cura; identificar as dimensões de práticas, espiritualidade e identidade que permeiam a relação entre a pessoas e plantas; identificar as práticas educativas que envolvem o compartilhamento dos saberes e práticas de cura trata-se de uma pesquisa qualitativa Este projeto tem como caráter uma pesquisa qualitativa, adotando como abordagem metodológica a pesquisa participante, referendados pelos pressupostos de Brandão e Streck (2006), que compreende o processo investigativo como uma construção coletiva de saberes entre pesquisador e comunidade. A pesquisa participante rompe com a lógica da neutralidade científica e assume uma postura dialógica, ética e política, comprometida com a valorização dos saberes tradicionais e com a transformação da realidade local. Nesse sentido, será desenvolvida em três comunidades do território que chamamos de Amazônia Bragantina território das praias; campos e colonias. Ressalta-se ainda, que a coleta de dados será orientada pelos fundamentos da etnobotânica e da etonoecologia, conforme o proposto por Cabalzar et al (2017), Albuquerque, Lucena, Alencar (2010) e Amorozo, Viertler (2010), que privilegiam a escuta atenta, a observação participativa e o respeito aos modos próprios de classificação, uso e significação das plantas. Nesta perspectiva a investigação será desenvolvida em cinco etapas principais e interdependentes: a) identificação dos sujeitos dentros dos territórios (praias; colonias e campo); b) aproximação e explicação da pesquisa e de seus objetivos; c) entrevistas; observação participante (fotografias e filmagens); d) classificação comunitária e uso das plantas; e) construção coletiva de cartilhas sobre o uso das plantas. Espera-se que esta pesquisa possa destacar as práticas educativas relacionadas aos repasses dos saberes ancestrais no uso das plantas na cultura amazônica, formada pelo amálgama das influências Africanas e Indígenas expressas nos costumes, nos valores e dimensões simbólicas do uso das plantas pelos sujeitos Amazônicos.