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RELAÇÕES DE PODER E VIOLÊNCIA EM PERSPECTIVA CRÍTICO DISCURSIVA

Unidade
CAMPUS UNIVERSITARIO DE BRAGANCA
Subunidade
FACULDADE DE LETRAS - BRAGANCA
Coordenador
ROSANGELA DO SOCORRO NOGUEIRA DE SOUSA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 5 - Igualdade de Gênero
  • 10 - Redução das Desigualdades

Resumo

Este projeto, que visa dar continuidade nas pesquisas desenvolvidas desde 2017, coloca-se em perspectiva de Estudos Críticos de Discurso (ECD), partindo de uma abordagem que considere gênero, raça, etnia, classe social e suas interseccionalidades em discurso, caracterizando-se por: a) Se inserir em uma perspectiva interdisciplinar; b) Apresentar posicionamento explícito, portanto, engajada socialmente; c) Fazer uso de análise sistemática de texto como método de pesquisa. A proposta de investigar nos discursos sobre gênero, raça, etnia, classe social e suas interseccionalidades tem sua relevância pelo fato de assinalar o que se apresenta, no campo social como um todo, o direito democrático de igualdade de tratamento e liberdade. Dentro dessa perspectiva, o uso da linguagem cumpre os objetivos de representar, agir, interagir e identificar o mundo e nós mesmos, dando origem a Discursos, gêneros e Estilos. Ela, como parte irredutível da vida social, tem relação dialética com a sociedade, de modo que é possível afirmar que “... questões sociais são, em parte, questões de discurso e vice-versa.” (CHOULIARAKI & FAIRCLOUGH, p. vii). Na perspectiva da Análise de Discurso Crítica (ADC), a linguagem é capaz de estabelecer e manter relações de dominação tanto quanto é capaz de contestar e superar tais relações. Daí a perspectiva engajada dá sentido às pesquisas linguísticas que tomam como aporte teórico-metodológica os pressupostos da ADC. Do ponto de vista da abordagem da linguagem como Prática Social, três conceitos são centrais: Discurso, hegemonia e Ideologia, tendo em vista que esses conceitos dão suporte às análises discursivas e estas articulam análises linguísticas e explanações sobre o social. Esses três conceitos podem ser vislumbrados tanto na instância discursiva quanto nas práticas sociais associadas à essa instância. (VIEIRA E RESENDE, 2016). O papel do discurso nas práticas sociais deve ser estabelecido a partir da análise, posto que ele não é um dado a priori. Os mesmos discursos (substantivo concreto) podem ser tomados a partir de lugares sociais diferentes e terem efeitos causais diferentes a depender dessas posições. O discurso pode ser mais ou menos importante em conjuntos específicos de práticas, além de poder mudar no/com o tempo. (FAIRCLOUGH, 2010, p. 226). A noção de discurso, na perspectiva dialética do autor, é concebida de três modos nas práticas sociais: a) como parte da atividade social dentro de uma prática; b) como representações; c) como parte integrante dos modos de ser, a constituição de identidades. Em a, o discurso compreende gêneros, que, segundo o autor, ‘...correspondem a diferentes modos de agir, de produzir a atividade social, do ponto de vista semiótico.’ ((p. 226); em b, o discurso constitui discursos (forma concreta, que admite plurais), que ‘...são representações distintas da vida social derivadas das posições assumidas.’ (p. 226). Em c, o discurso constitui estilos, como parte dos modos de ser. Mediante isso, é possível dizer que as análises implementadas em ECD se propõem a “mapear conexões entre escolhas de atores sociais ou grupos, em textos e eventos discursivos específicos, e questões mais amplas de cunho social, envolvendo poder.”. Em suma, a análise linguística alimenta a crítica social e esta justifica aquela. (VIEIRA E RESENDE, 2016, p. 23). Especificamente, o conceito de violência se torna relevante para esta pesquisa, pois é foco das análises discursivas implementadas no âmbito da pesquisa proposta. Consideramos, aprioristicamente, o conceito de violência de Santos (1996), que entende violência como um dispositivo de controle aberto e contínuo. “A relação social caracterizada pelo uso real ou virtual da coerção, que impede o reconhecimento do outro, pessoa, classe, gênero ou raça, mediante o uso da força ou da coerção, provocando algum tipo de dano, configurando o oposto das possibilidades da sociedade democrática contemporânea”. E o conceito de violência estrutural (Minayo, 2006) definido como processos sociais, políticos e econômicos que reproduzem a fome, a miséria e as desigualdades sociais, de gênero e etnia. (COELHO; SILVA; LINDNER, 2014). Junto a esse conceito de violência também adotaremos o conceito de abjeção. Em Julia Kristeva, o abjeto “não é a falta de limpeza ou de saúde”, mas “aquilo que perturba uma identidade, um sistema, uma ordem”, “que não respeita os limites, os lugares, as regras”, visto como o “intermediário, o ambíguo, o composto” (KRISTEVA, 1982, p. 4, tradução nossa). Em Judith Butler (2018, p. 230), abjeto “designa aquilo que foi expelido do corpo, descartado como excremento, tornado literalmente ‘Outro’”. Com base nesses pressupostos, discutiremos, neste projeto, a discursivização das relações de poder com base em questionamentos tais como: Como os discursos retratam a violência contra minorias sociais sejam elas físicas, sociais etc? Quais aspectos são tomados como relevantes quando se constituem os discursos sobre as violências praticadas contra essas minorias? Quais os posicionamentos são licenciados quando tratam de direitos e garantias de grupos marginalizados seja por questões de gênero, raça, e classe social ou etnia?