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Aplicações Químicas e Biotecnológicas de Óleos de Espécies Aromáticas e Oleaginosas da Amazônia Paraense

Unidade
CAMPUS UNIVERSITARIO DE ANANINDEUA
Subunidade
FACULDADE DE QUIMICA - ANANINDEUA
Coordenador
ALCY FAVACHO RIBEIRO
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
  • 12 - Consumo e Produção Responsáveis

Impacto na Amazônia

  • Biodiversidade e Bioeconomia – Cadeias Produtivas

Resumo

Os ingredientes naturais, devido ao baixo percentual nas formulações, são de forte apelo promocional para o mercado consumidor, mas não suficientes para serem enquadrados legalmente entre os produtos de origem naturais. Por outro lado, o uso de conservantes e outros ingredientes químicos é o que viabiliza a venda desses produtos, já que a sua ausência resultaria em um tempo de validade (shelf life) menor, que poderia comprometer a produção e a comercialização em níveis nacional e internacional. Os principais campos de aplicação dos óleos vegetais estão nas indústrias de biocombustíveis, alimentícias e de cosméticos sendo que, na primeira opção, em substituição a componentes não renováveis, são presentes em tais produtos (Moretto & Fett, 1998; Ribeiro, 2005; Almeida, Rocha-Filho & Zoghbi, 2009). Sob o ponto de vista do mercado, os consumidores que preferem usar cosméticos naturais ou com apelo natural, entendem que a pele merece um cuidado especial, o mesmo que é empregado na produção do próprio cosmético. Outra associação importante quando se fala em produtos naturais é a valorização da harmonia. Os cosméticos naturais não são preparados apenas para manter a pele bonita e sadia, devem estender seus efeitos a todo o organismo, buscando um equilíbrio saudável. Os resultados estéticos finais dependerão, principalmente, da saúde total do corpo (SEBRAE, 2007). Os óleos essenciais são misturas de constituintes voláteis, obtidos por hidrodestilação ou arraste a vapor de plantas aromáticas, insolúveis em água e solúveis em solventes orgânicos. A maioria possui odor agradável (Maia & Andrade, 2009). Os óleos fixos são encontrados em diversas partes das plantas, principalmente frutos (Ribeiro, 2005). Os óleos vegetais, sejam fixos ou voláteis, são indicados no tratamento da saúde e prevenção, nos processos de inflamação e defensivos agrícolas. Por essa razão é extensamente usada no campo da medicina, da cosmetologia e na indústria de alimentos, bebidas e suplementos nutricionais. Entre as muitas propriedades biológicas relatadas para os óleos estão as atividades antimicrobiana, antiinflamatória, antioxidante e anti-proliferativa de doenças do coração, diabetes e câncer (Venturieri et al., 2003). A flora aromática da Amazônia se apresenta como uma fonte renovável apropriada à produção de essências aromáticas/oleaginosas e como alternativa econômica para o desenvolvimento sustentável, com reais perspectivas de geração de riqueza para a região. Para a produção de novos insumos, tendo por base a flora aromática da região, é necessário estender o conhecimento científico das espécies com potencial econômico, visando subsidiar o setor privado na produção de novos insumos regionais, com vistas à agroindústria regional. Óleos essenciais e aromas produzidos na região podem ser usados como matérias primas na indústria de transformação, seja por aplicação direta em produtos como perfumes, fragrâncias e cosméticos, seja pela transformação em derivados estruturais com uso nas indústrias de medicamentos (fitofármacos), veterinária e horticultura (inseticidas, fungicidas, bactericidas, larvicidas, etc). Pesquisas realizadas pelo Grupo de Pesquisa “Plantas Aromáticas e Oleogainosas da Amazônia” e que tem participação de pesquisadores da Universidade Federal do Pará, Museu Paraense Emilio Goeldi entre outras, revelaram a importância de estender o conhecimento da flora da Amazônia, em especial do Pará. Por exemplo, no Parque Estadual da Serra dos Martírios-Andorinhas localizado no sudeste do estado do Pará, fronteira com o Tocantins, revelaram importantes características do Parque em que destacam formações geológicas, variadas feições do relevo, sítios arqueológicos, cavernas, grande biodiversidade em ambientes de cerrado ou floresta, nascentes de rios, além do rio Araguaia com toda beleza cênica, destacando o grande potencial para o ecoturismo (Figueiredo & Gorayeb, 2009). Já foram identificados sistemas distintos como cerrado, floresta densa, floresta de galeria, veredas, entre outras (Atzingen, Scherer & Furtado 2007), sem, entretanto detalhar o potencial das espécies. Espécies aromáticas e oleaginosas com ocorrência em ecossistemas tão diversificados como os da Amazônia estão sob permanente pressão ambiental em face da ação do homem na exploração dos recursos florestais, ainda bastante predatória, além dos desmatamentos e queimadas exigidos pelo próprio desenvolvimento. A taxa de extinção das espécies aromáticas que ocorrem em áreas de pressão ambiental é crescente, haja vista a dificuldade de hoje com a recoleta de plantas de um mesmo ambiente. A flora aromática da Amazônia apresenta-se como uma fonte renovável apropriada à produção de essências aromáticas e como alternativa econômica para o desenvolvimento sustentável, com real perspectiva na geração de riqueza para a região. Para a produção de novos insumos, tendo por base a flora aromática/oleaginosa, é necessário estender o conhecimento científico de espécies com potencial econômico, visando subsidiar o setor público e privado na execução de projetos com impacto tecnológico, voltados para o crescimento da agroindústria regional. Algumas das plantas usadas para enriquecer sachets são arataciú (Sagotia racemosa, Euphorbiaceae), macacaporanga (Aniba fragrans, Lauraceae) e vetiver (Vetiveria zizanioides, Poaceae). Há necessidade da relação comercial com as empresas regionais na formulação de novas fragrâncias, com o uso de essências importadas e extratos ou óleos essenciais da região (Maia e Andrade, 2008). Portanto, é imperativo e urgente estender o inventário da flora aromática da Amazônia, com vistas à obtenção de novas fontes de matérias primas. Importante também é a geração de conhecimento científico que leve ao estabelecimento de medidas de conservação de espécies aromáticas/oleaginosas que ocorrem de forma endêmica em áreas sob pressão ambiental.