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Intelectuais, esfera pública e saber acadêmico no Brasil de meados do século XX

Unidade
CAMPUS UNIVERSITARIO DE ANANINDEUA
Subunidade
FACULDADE DE HISTORIA - ANANINDEUA
Coordenador
WESLEY GARCIA RIBEIRO SILVA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

Resumo

A análise sobre trajetórias intelectuais e os debates travados por estes no âmbito da esfera pública e da academia tem se mostrado profícua para a compreensão das formas pelas quais a produção de saberes vem historicamente se constituindo no Brasil. Obras próprias da área da História da Historiografia (NICODEMO, Et al; 2018) e da História das Ciências Sociais (MICELI, 1989) vem fornecendo subsídios importantes para vislumbrar as mudanças e permanências nas tradições de pensamento e referências intelectuais mobilizadas para se pensar a própria identidade do país e as suas condições de viabilidade no futuro. Elementos que estão imbricados na própria formação da elite dirigente e profissional dos cidadãos. Para além de uma simples transferência de saberes, essas pesquisas vêm denotando o caráter complexo da produção, circulação e recepção de ideias e modelos de pensamento, que se desdobram tanto no assentamento do debate público como nas diretrizes da formação escolar e acadêmica. Também chamam atenção para as práticas, ações e relações entre os sujeitos como elementos importantes para própria possibilidade de circulação e aceitação de ideias. Nesse sentido, acabam por dessacralizar a noção de intelectual para perscrutá-lo dentro de espaços sociais constituídos a partir de processos históricos marcados por lutas simbólicas entre grupos e campos. JACKSON e BLANCO (2014), analisando a trajetória da disciplinarização das Ciências Sociais no Brasil, denota o período singular dos anos de 1950 em termos da produção intelectual no país, marcado pela transformação do campo intelectual a partir da inserção e consolidação paulatina do campo acadêmico.Momento de paulatina transição do gênero ensaístico e da produção literária para formas de análises e métodos que se constituem a partir da universidade como elementos privilegiados para a compreensão da realidade brasileira. A investigação sobre o campo intelectual também oportuniza observar aspectos sobre a criação e fomento de universidades no contexto da década de 1950. No caso específico dessa pesquisa, particularmente miradas direcionadas ao estabelecimento da profissionalização e disciplinarização das Ciências Humanas. A trajetória de sujeitos como Benedito Nunes se coloca como elemento singular para análise, uma vez que é neste período que se dá o início de sua inserção no âmbito acadêmico, bem como sua produção junto aos periódicos (e ao campo intelectual nacional) do centro-sul do país