Redefinindo a fronteira: a implantação da Companhia de Mineração Maranhense e a imigração de chineses para os sertões entre o Pará e o Maranhão (1852-1878)
Resumo
Discutir a fronteira entre o Pará e o Maranhão na segunda metade do século XIX é experimentar uma nova experiência administrativa, consolidação de poderes políticos e investimentos no âmbito econômico. Momento em que depois de anos de espera a fronteira foi redefinida. Pois, em 1852 o limite administrativo entre as duas províncias deixou de ser estabelecida no rio Turiaçu e passou para o rio Gurupi com a incorporação das terras compreendidas entre os dois rios à província do Maranhão. Essa redefinição da fronteira também representou a implantação de políticas de ocupação, controle das gentes e atividades econômicas nas terras recém incorporadas. Desconsiderando a pluralidade dos sujeitos que ocupavam estas terras, ou em muitos casos representando a caçada a eles. E, a busca por estabelecer uma ocupação e atividades econômicas com migrantes europeus e asiáticos em oposição a composição étnica dos moradores da região fronteiriça. A anexação da região do Turiaçu em 1852 à província do Maranhão foi marcada por um intenso avanço sobre ela, com estratégias de ocupação e desapropriação de sujeitos que ali já moravam, como os quilombolas. Houve uma transformação promovida pela administração provincial maranhense tendo como ferramenta a lei de terras de 1850 em certas circunstâncias, sobretudo, no que diz respeito a venda de terras e incentivo para constituição e ampliação de fazendas aí já existentes. Além do incentivo à agricultura, extrativismo e mineração, que foram impulsionados por projetos que previam a vinda de europeus e asiáticos - mais precisamente chineses - fortalecimento de fazendeiros locais, além de indígenas que também foram agentes fundamentais nesse processo. As missões e colônias indígenas na segunda metade do século XIX foram resultados disso. E especificamente a fronteira foi reflexo dessas transformações no contexto pós anexação com a fundação de uma colônia militar que trouxe novos sujeitos à região como soldados, militares de média patente - como era o caso dos diretores que em sua maioria eram tenentes assim como pequenos camponeses. Tudo isso afetou a vida das gentes da fronteira e as transformações foram acompanhadas e fortalecidas por medidas mais amplas do governo provincial do Maranhão. Tais medidas paralelas à anexação estiveram relacionadas diretamente à utilização da terra. Tentavam reconfigurar a região através disso. Por exemplo, a lei de terras de 1850 estimulou com a compra e venda de terras, a concentração de grandes propriedades agrárias para homens ricos e a exploração da mão de obra imigrante. A colônia de operários das minas de Maracassumé foi construída com base nisso. Fundada após a apropriação pelo Governo maranhense dos terrenos de mineração que estavam na posse dos quilombos paraenses no Turiaçu - os quais foram destruídos por forças enviadas pelo primeiro -, a extração de ouro ficou a cargo de uma empresa com o investimento de acionistas chamada companhia de mineração maranhense.