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AVALIAÇÃO DO ALÍVIO DOS SINTOMAS DO TRATO URINÁRIO INFERIOR A PARTIR DE MODIFICAÇÕES NA POSIÇÃO E TEMPO MICCIONAL EM PACIENTES COM HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA DO AMBULATÓRIO DE UROLOGIA DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO JOÃO DE BARROS BARRETO

Unidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARA
Subunidade
INSTITUTO DE CIENCIAS MEDICAS
Coordenador
MARCUS VINICIUS BAPTISTA QUEIROZ
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar

Resumo

O primeiro relato médico sobre o impacto da posição ao urinar na saúde da bexiga data de 1883, quando o médico inglês Raglan W. Barnes expôs suas preocupações em relação à elevada prevalência de cálculos vesicais na população indiana, associando tal fenômeno à postura adotada durante a micção. A hipótese do médico, segundo a qual a posição corporal ao urinar pode influenciar significativamente os parâmetros urodinâmicos, estimulou investigações posteriores, uma vez que essas alterações poderiam estar relacionadas ao desenvolvimento de doenças urológicas (Barnes, 1883). Entre essas condições, destacam-se os sintomas do trato urinário inferior (STUI), um grupo de manifestações clínicas altamente prevalentes, frequentemente associados à Hiperplasia Prostática Benigna (HPB). A HPB, caracterizada pelo crescimento benigno da próstata, pode atingir uma prevalência de até 90% nos homens idosos, sendo a principal causa de STUI nesse grupo populacional (Bushman, 2009). A posição adotada ao urinar, seja em pé ou sentado, influencia diretamente variáveis associadas à saúde da bexiga, sobretudo no que diz respeito ao conforto e à eficácia do seu esvaziamento, sendo duas delas o volume residual pós-miccional e o tempo miccional. No cenário urológico, muito se discute a influência da posição miccional em parâmetros que avaliam a urodinâmica, principalmente em indivíduos do sexo masculino que apresentam hiperplasia prostática benigna (HPB) e sintomas do trato urinário inferior (STUI). A decisão sobre a posição miccional sofre influência do contexto cultural: no Ocidente, a posição em pé é a mais adotada, enquanto no continente asiático, onde há maior prevalência da posição sentada, estudos indicam um esvaziamento vesical mais eficiente. A decisão da posição miccional, mesmo que influenciada pelo contexto cultural de onde se está inserido, abre espaço para discussões práticas, no qual observa-se que em grande parte dos países do Ocidente a posição em pé é a mais utilizada, já no continente asiático observa-se uma maior prevalência da posição sentada, no qual apresentam resultados que apontam para um melhor esvaziamento da bexiga (Choudhury et al., 2010). A HPB, caracterizada pelo crescimento benigno do tecido prostático, é a principal causa de STUI em homens idosos. Este crescimento tem início entre a quarta e quinta década de vida, sendo que, anteriormente a esse período, o órgão tem um crescimento lento ou inexistente. Conforme o avanço da idade, há um aumento da incidência, atingindo seu pico por volta dos 60 a 69 anos, sendo esta a faixa com maior número de internações por HPB no Brasil. Já a maior taxa de mortalidade para os pacientes internados ocorre acima dos 80 anos (Arjona et al., 2008; Guedes; Ibrahim, 2022). A posição miccional se apresenta como algo positivo quando se trata da diminuição de resíduos pós-micção e do tempo de esvaziamento da bexiga, especialmente em pacientes com STUI. Os mais variados estudos sobre o tema levam a crer que a posição sentada ajuda os homens com comprometimento urológico ou que apresentam disfunção na micção, ao ponto que, indivíduos saudáveis não cursam quando se compara a posição sentada com em pé. Nesse cenário, discute -se amplamente a influência da posição miccional nos parâmetros urodinâmicos, especialmente em homens com HPB e STUI, uma vez que mudanças posturais podem impactar a eficácia do esvaziamento vesical (Langan, 2019). A sugestão é de que a postura sentada pode proporcionar vantagens, incluindo aumento da taxa máxima do fluxo urinário (Qmax), redução do tempo de esvaziamento (TQ) e diminuição do volume residual pós-miccional (PVR). Esses efeitos são atribuídos ao maior relaxamento da musculatura pélvica e à redução da tensão muscular nos compartimentos medial e anterior do quadril. Quando contraída, a musculatura do assoalho pélvico pode inibir a atividade do músculo detrusor urinário, reforçando a hipótese de que a postura adotada ao urinar impacta a dinâmica miccional (De Jong et al., 2014). Diante das divergências na literatura quanto à relevância clínica dessa abordagem e da carência de estudos que abordem essa temática, sobretudo no Brasil, torna-se fundamental investigar se as mudanças na posição e no tempo miccional melhoram os STUI em pacientes com HPB. A partir da observação da melhora do STUI e da diminuição do tamanho da próstata entre os pacientes com HPB do ambulatório de urologia do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) que adotaram a posição miccional sentada o presente estudo compromete-se a investigar a validade dessa correlação.