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ESTUDO RANDOMIZADO, DUPLO-CEGO, CONTROLADO POR PLACEBO PARA AVALIAR O EFEITO DO COLECALCIFEROL SOBRE A NEUROPATIA PERIFÉRICA EM PACIENTES COM DM2 E DOENÇA RENAL EM ESTÁGIO INICIAL

Unidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARA
Subunidade
INSTITUTO DE CIENCIAS MEDICAS
Coordenador
FRANCIANE TRINDADE CUNHA DE MELO
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar

Resumo

O presente projeto de pesquisa propõe investigar os efeitos da suplementação de colecalciferol (vitamina D3) em altas doses sobre a neuropatia periférica em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e doença renal diabética (DRD) em estágios iniciais. O DM2 é uma enfermidade crônica de alta prevalência, caracterizada por resistência à insulina e hiperglicemia persistente, frequentemente associada a condições como obesidade, dislipidemia e hipertensão. Uma de suas principais complicações microvasculares é a DRD, que atinge entre 20% e 40% dos pacientes diabéticos e representa uma das causas mais comuns de progressão para doença renal crônica e necessidade de terapia renal substitutiva. Outro desfecho comum em pacientes com DM2 é a neuropatia periférica, especialmente a polineuropatia simétrica distal, que afeta de forma significativa a qualidade de vida dos indivíduos e, muitas vezes, permanece subdiagnosticada. Estudos sugerem que níveis reduzidos de vitamina D estão associados tanto à progressão da DRD quanto ao agravamento da neuropatia diabética. A vitamina D, além de seu papel clássico no metabolismo ósseo, tem demonstrado atuar na modulação da resposta inflamatória, na homeostase glicêmica e na proteção de estruturas nervosas, por meio de seu efeito sobre receptores nucleares presentes em diversos tecidos, incluindo os sistemas renal e nervoso. No entanto, apesar das evidências observacionais, ainda há escassez de estudos clínicos randomizados que investiguem de forma controlada o real impacto da suplementação de vitamina D sobre os parâmetros neurológicos em pacientes com DM2 e DRD. Nesse contexto, o presente estudo busca contribuir para a elucidação dessa lacuna científica, avaliando de forma objetiva a eficácia do colecalciferol na prevenção e no tratamento da neuropatia diabética. O objetivo geral do estudo é avaliar os efeitos da suplementação diária de 10.000 UI de colecalciferol sobre a neuropatia periférica em pacientes com DM2 e DRD em estágio inicial. Os objetivos específicos incluem analisar a resposta da sensibilidade protetora plantar e dos escores clínicos de neuropatia antes e após a intervenção, assim como correlacionar tais mudanças com os níveis séricos de 25-hidroxivitamina D. Trata-se de um estudo clínico longitudinal, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, com duração inicial de 12 semanas e possibilidade de extensão por mais 12 semanas em pacientes que atingirem níveis satisfatórios de vitamina D. Serão incluídos 200 indivíduos com DM2, acompanhados no serviço de endocrinologia do Hospital Universitário João de Barros Barreto (UFPA), que apresentem taxa de filtração glomerular preservada (≥60 mL/min/1,73m²), microalbuminúria e níveis séricos de vitamina D ≤ 40 ng/mL. Durante o acompanhamento, os participantes serão submetidos a avaliações clínicas, laboratoriais e neurológicas padronizadas. O diagnóstico da polineuropatia será feito com base em instrumentos clínicos validados, como o Total Symptoms Score (TSS) e o Neuropathy Disability Score (NDS). Serão também realizados testes de sensibilidade vibratória, térmica, dolorosa e avaliação do reflexo de Aquileu, além do teste do monofilamento de 10g para análise da sensibilidade protetora plantar. Os exames laboratoriais incluirão dosagens de hemoglobina glicada, 25(OH)D, função renal, perfil lipídico, proteína C reativa e marcadores de função hepática e óssea. A expectativa é que a suplementação com vitamina D em altas doses promova melhora nos parâmetros da neuropatia periférica e traga evidências sobre seu possível papel como agente terapêutico adjuvante no manejo de complicações microvasculares do diabetes tipo 2. Os resultados do estudo poderão contribuir significativamente para a prática clínica, ampliando as possibilidades de tratamento não apenas da neuropatia, mas também da progressão da doença renal diabética, e fornecendo subsídios para futuras diretrizes terapêuticas.