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ESTUDO RANDOMIZADO, DUPLO-CEGO, CONTROLADO POR PLACEBO PARA AVALIAR O EFEITO DO COLECALCIFEROL SOBRE OS PARÂMETROS DA BIOIMPEDÂNCIA ELÉTRICA EM PACIENTES COM DM2 E DOENÇA RENAL DO DIABETES

Unidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARA
Subunidade
INSTITUTO DE CIENCIAS MEDICAS
Coordenador
ANA CAROLINA CONTENTE BRAGA DE SOUZA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar

Resumo

O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma enfermidade endócrina crônica, definida principalmente pela presença de hiperglicemia persistente, e está associada a uma variedade de causas e manifestações clínicas possíveis (ADA, 2025). Ocorre, sobretudo, em função da resistência dos tecidos à ação da insulina, sendo frequentemente relacionado a condições como síndrome metabólica, obesidade, dislipidemia e hipertensão arterial. Esses fatores levam à deterioração progressiva da função secretora das células beta pancreáticas, que produzem insulina, culminando em um esforço glandular que se torna insuficiente diante da incapacidade dos tecidos em utilizarem a glicose de maneira eficaz (ADA, 2025). Entre as diversas complicações do DM, a doença renal diabética (DRD) é uma das mais relevantes, compondo, junto à retinopatia e à neuropatia diabéticas, o grupo de doenças microvasculares associadas ao DM (ADA, 2025; Kulkarni et al., 2024). A DRD é reconhecida como a principal causa de entrada em terapia renal substitutiva e está presente em aproximadamente 20 a 40% dos pacientes com diabetes. A Bioimpedância é um método que estima a composição corporal total e segmentada com base na condutividade elétrica dos tecidos, analisada por meio da medição da resistência (impedância) do corpo à passagem de uma corrente elétrica alternada de baixa intensidade (Lukaski, 1987; Kyle et al., 2004; Vollkert et al., 2019). Sua fundamentação fisiológica envolve as propriedades elétricas diversificadas dos tecidos corporais, de modo que, a partir disto, este método permite calcular indiretamente parâmetros como água corporal total (TBW), quantitativos de massa magra (FFM), massa de gordura (FM), água intracelular (ICW) e extracelular (ECW) e o ângulo de fase (Kyle et al., 2004). A bioimpedância é reconhecida por diretrizes clínicas internacionais como uma ferramenta válida na avaliação nutricional, metabólica e funcional de pacientes (Vanitallie et al., 1996; White et al., 2012; Vollkert et al., 2019; Tandonnet et al., 2022). No que tange à aplicabilidade da bioimpedância no panorama de comorbidades específicas, a utilização desta avaliação em pacientes com Diabetes Mellitus é largamente investigada, sendo as análises acerca do ângulo de fase (PhA) reduzido um destaque nos estudos de enfoque em DM2 e DRD (Han et al., 2019; Schimpfle et al., 2024). A vitamina D (VD), por sua vez, atua como um pró-hormônio, cuja principal fonte para os seres humanos é a síntese cutânea, sendo o restante obtido por meio da alimentação (Maeda et al., 2014). A produção de sua forma ativa, o calcitriol (1,25(OH)2D3), é regulada principalmente pelos níveis de paratormônio (PTH), cálcio e fósforo no sangue (Schuch et al., 2009). O calcitriol se liga ao receptor nuclear VDR, modulando a expressão gênica e a função celular em diversos tecidos (Schuch et al., 2009). A relação entre VD e parâmetros da DRD tem sido investigada em diversos estudos experimentais, os quais apontam que níveis mais elevados de 25(OH)D estão associados a menores taxas de excreção urinária de albumina (Felício et al., 2016; Felício et al., 2017; Felício et al., 2019; Felício et al., 2021; Zomorodian et al., 2022). Entretanto, as ações desta a nível celular precisam ser melhor esclarecidas, bem como a influência de seus níveis nas demais complicações do diabetes, como anormalidades na composição corporal e desbalanços nutricionais e metabólicos. Para tanto, propomos estudá-las através de um estudo longitudinal, buscando elucidar possíveis influências da suplementação de vitamina D nos parâmetros avaliados na Bioimpedância Elétrica. O projeto promoverá a integração entre teoria e prática, capacitando os alunos em habilidades de pesquisa, análise crítica e uso de ferramentas diagnósticas aplicáveis na clínica. Para os cursos e professores, gera produção científica, fortalece conteúdos curriculares e fomenta a atualização docente. Também estimula a interdisciplinaridade entre áreas da saúde e amplia a formação profissional. Assim, contribui para o ensino-aprendizagem e para a consolidação da instituição como referência em cuidado integral ao paciente diabético. Este será um estudo longitudinal para avaliar a associação entre os parâmetros nutricionais e metabólicos obtidos a partir da Bioimpedância Elétrica e vitamina D em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 e DRD, por meio da suplementação de colecalciferol em altas doses e comparação dos parâmetros desta complicação diabética antes e após a implementação da metodologia. Será realizado estudo prospectivo, randomizado, placebo controlado de 12 semanas, cego, com 2 grupos paralelos, para avaliar a retinopatia em pacientes com DM2 e doença renal do diabetes. Os participantes serão randomizados na proporção 1:1, podendo receber 10000 UI/dia de vitamina D ou placebo. Haverá um pesquisador responsável pela randomização e dispensação da vitamina D, e o mesmo não participará da coleta de dados do estudo e nem atenderá aos pacientes. O estudo será cego para a equipe que atende aos pacientes do estudo. Um período de extensão de mais 12 semanas será adicionado, para aqueles pacientes de ambos os grupos que alcançarem níveis acima de 40 ng/ml de 25(OH)D. As doses de suplementação de vitamina D permanecerão semelhantes às do início do estudo de acordo com os níveis de 25(OH)D ao final das 12 semanas. Os participantes do estudo serão recrutados do serviço ambulatorial de endocrinologia do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) – UFPA. A composição corporal dos participantes será avaliada por meio de bioimpedância elétrica (BIA), utilizando a balança de bioimpedância de dupla frequência Tanita RD-545 HR, equipamento validado para uso clínico e populacional. A BIA é um método não invasivo, prático e amplamente utilizado para estimar a distribuição dos compartimentos corporais com base na resistência e reatância à passagem de uma corrente elétrica de baixa intensidade. O modelo RD-545 HR opera com duas frequências (5 kHz e 50 kHz), o que permite estimativas diferenciadas de compartimentos intra e extracelulares, conferindo maior precisão às medições. Dessa maneira, é esperado que este estudo comprove uma possível melhora dos parâmetros nutricionais e metabólicos avaliados na bioimpedância elétrica após incremento dos níveis de VD em pacientes com DM2 e DRD em estágios iniciais.