Rabecas e Rabequeiros: saberes e práticas
ODS vinculados
- 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
Resumo
O presente projeto busca conhecer a rabeca, seu processo de construção e práticas desse instrumento musical que acontecem na cidade de Bragança (PA). Pelo olhar da pesquisa, busca-se aprofundar a temática envolvendo a rabeca em relação às ações propostas no projeto de extensão intitulado Seguindo os Passos da Rabeca: da construção à execução musical, (PORTARIA Nº 39/2020 EMUFPA/UFPA), projeto que foi comtemplado pelo II Edital Prêmio PROEX de Arte e Cultura-2020. A utilização da rabeca e a continuidade e transmissão dessa tradição já têm sido investigadas por pesquisadores de instituições públicas como o antigo IAP (Instituto de Artes do Pará) e a UFPA (Universidade Federal do Pará). Um dos resultados foi a publicação intitulada Rabeca: Tocando a memória (IAP)¸ que apresenta dados importantes sobre a rabeca e rabequeiros de Bragança e inclui a transcrição em partitura das músicas tocadas durante as festividades da Marujada. Nessa pesquisa podem-se encontrar dados sobre a utilização de recursos naturais, como madeiras e fibras da flora amazônica, utilizados na fabricação de rabecas e arcos por seus construtores (DE MORAES, 2006). De acordo com a publicação referida, existem na região bragantina artesãos que constroem as rabecas e rabequeiros que atuam nas festas tradicionais e seculares, como a Marujada, toadas de bois bumbá, canções de cordões de pássaros, ladainhas, procissões, comédias e outras festividades ao longo do ano (DE MORAES, 2006). Há particularidades na construção dessas rabecas bragantinas, como a utilização do cedro como principal madeira. Além de rabecas são feitos arcos utilizando-se madeira e fibras vegetais encontradas na região. Somando-se às particularidades na fabricação de rabecas e arcos, a pesquisa apresenta os nomes de artesãos e rabequeiros atuantes à época em que foi realizada, alguns deles agora já falecidos. Apesar de avanços sobre o conhecimento dos recursos naturais e seus usos, a publicação do IAP ressalta a preocupação com a falta de valorização da rabeca e a falta de conhecimentos específicos sobre as madeiras e recursos amazônicos utilizados na construção da mesma, ressaltando a importância desses recursos para a fabricação de instrumentos musicais pelos artesãos (DE MORAES, 2006, p. 87). Para o início e desenvolvimento do presente projeto de pesquisa contamos com algumas informações mais atuais sobre os artesãos, obtidas a partir dos relatos de Fernando Oliveira, ex-aluno das oficinas de construção de rabeca promovidas pelo IAP em 2006, também aluno de Curso Técnico de Instrumento da Escola de Música da UFPA (EMUFPA). Em breve entrevista, feita por meio de aplicativo de mensagens em 03/09/2020, ele relatou que a rabeca continua sendo utilizada na Marujada e outras festividades e continua sendo feita por ele e por mais dois artesãos, ex-alunos das oficinas realizadas pelo IAP em 2006 e 2008. Nessa conversa também nos apresentou a situação atual sobre essa atividade: segundo Fernando, existem somente três artesãos em atuação, incluindo ele próprio, que aprenderam o ofício em oficinas ministradas nos anos de 2006 e 2008 por artesãos mais velhos e já falecidos, como o Mestre Ari, na extinta Associação Bragantina de Música. Fernando relatou ainda sobre as condições materiais de trabalho, como o funcionamento das oficinas em pequenos espaços improvisados das próprias casas, utilizando-se de ferramentas como a plaina elétrica, a lixadeira e a serra de bancada e outras manuais criadas por eles próprios, como as que fabrica: raspinhas de acabamentos mesidor (sic) do ândo (sic) do cabo da rabeca, torno para usinar as cravelhas e prensa para colagem dos tampos do instrumento (Entrevista com Fernando em 03/09/2020). Neste projeto, na visão mais ampliada sob o olhar da pesquisa, pretende-se abranger a rabeca em sua totalidade de conhecimentos e de usos, na perspectiva de se agregar e trocar conhecimentos, considerando-se que suas origens podem ser diversas e relacionadas a contextos distintos. Nesse sentido, como pesquisa acadêmica, cabe à investigação sobre os conhecimentos dos mestres artesãos ou construtores da rabeca e rabequeiros, gerar reflexões contextualizadas sobre esses conhecimentos. Para tanto, poderão ser utilizadas teorias e conhecimentos acadêmicos interdisciplinares, envolvendo, além da área da música, outras como a sociologia, história, engenharia florestal e a física/acústica, a fim de subsidiar e estimular a busca por conhecimentos sobre a rabeca e seu uso dentro do contexto cultural no qual ela e insere. Portanto, para se conhecer a rabeca e as práticas que a envolvem será importante investigar quem fabrica o instrumento, como o faz, quais são as especificidades e materiais que envolvem sua construção, quais os resultados dessa construção. Sobre o seu uso, buscar-se-á saber onde se pratica, como se pratica, quem são as pessoas envolvidas nessas ações e na transmissão dessa prática, bem como saber quais as formas de transmissão de conhecimentos relacionados à sua construção e uso. O projeto mantém suas atividades para o ano de 2022, conforme Portaria 10/2022 EMUFPA.