INVESTIGANDO PROCEDIMENTOS PARA ENSINAR LINGUAGEM PARA CRIANÇAS AUTISTAS
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
- 4 - Educação de Qualidade
Resumo
O autismo é um transtorno do desenvolvimento que pode resultar em diferentes níveis de comprometimento das habilidades sociais e verbais. De acordo com o CDC dos EUA, a incidência do autismo nesse país é de uma em 36 crianças de até 8 anos de idade (2,77%), o que, extrapolado para a população brasileira de crianças de até nove anos de idade em 2022 (26.454.300), resulta em mais de 732 mil crianças. Cerca de 30% das crianças autistas apresentam dificuldades acentuadas na aquisição da linguagem, requerendo a implementação de intervenções que favoreçam o desenvolvimento linguístico. A Teoria da Nomeação apresenta uma proposta comportamental da aquisição e do desenvolvimento da linguagem que implica a integração dos repertórios de ouvinte e falante em termos das relações comportamentais de nomeação bidirecional e nomeação bidirecional incidental. A nomeação bidirecional é um repertório comportamental que implica que o ensino de respostas de falante para objetos/eventos resultará na emergência de respostas de ouvinte para esses objetos/eventos, e vice-versa. O estabelecimento desse repertório como uma relação comportamental generalizada resulta na nomeação bidirecional incidental (emergência de respostas de ouvinte e falante para objetos/eventos após a exposição incidental aos seus nomes, sem a necessidade de ensino direto de nenhuma resposta), que é apontada como fundamental para o pleno desenvolvimento da linguagem. Os procedimentos de ensino por múltiplos exemplares e de ensino intensivo de tato têm sido apontados como promissores para induzir a nomeação bidirecional incidental em pessoas autistas. O ensino por múltiplos exemplares consiste em ensinar respostas de ouvinte e falante em tentativas consecutivas, com rotação rápida e aleatória entre os tipos de respostas e os estímulos utilizados, enquanto o ensino intensivo de tato padrão implica a adição de 100 tentativas de ensino de tato (nomear objetos/eventos) por dia, intercaladas às demais atividades de ensino do indivíduo. No entanto, dificuldades metodológicas relacionadas às medidas de pré e pós-testes de nomeação bidirecional e nomeação bidirecional incidental, aos tipos de delineamentos experimentais utilizados e à falta de avaliações de generalização e manutenção dos repertórios comprometem os achados dos estudos que têm sugerido a efetividade dos procedimentos de ensino por múltiplos exemplares e de ensino intensivo de tato para induzir a integração dos repertórios de ouvinte e falante em pessoas autistas. Dessa forma, o presente projeto tem como objetivo realizar avaliações metodologicamente robustas dos efeitos dos procedimentos de ensino por múltiplos exemplares e de ensino intensivo de tato na indução da integração dos repertórios de ouvinte e falante em crianças autistas. Para alcançar esse objetivo, são propostos três estudos. O Estudo 1 avaliará o efeito de um procedimento de ensino por múltiplos exemplares constituído por tentativas de ouvinte (emparelhamento ao modelo auditivo-visual AVMTS) e falante (tato intraverbal), sem exigência de respostas ecoicas, na indução de nomeação bidirecional (NB) e nomeação bidirecional incidental (NBI). O Estudo 2 avaliará o efeito de um procedimento de ensino por múltiplos exemplares constituído por tentativas de ouvinte (AVMTS) e falante (tato intraverbal), com e sem exigência de respostas ecoicas nas tentativas de AVMTS, na indução de NB e NBI. O Estudo 3 avaliará o efeito de um procedimento de ensino intensivo de tato com 50 tentativas de ensino por dia, implementadas três vezes por semana, na indução de NB e NBI.