Avaliando procedimentos de correção de erros utilizando vídeos no ensino de habilidades de vida diária a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
Resumo
Indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentam comprometimento na linguagem, dificuldades no contato visual, nas habilidades de imitação, em iniciar de forma independente habilidades ou comportamentos adquiridos, adesão excessiva a rotinas, além de resistência a mudanças, e comportamentos estereotipados. Esses prejuízos podem interferir na aprendizagem de Habilidades de Vida Diária (HVD), como higiene pessoal, alimentar-se, vestir-se, preparação de refeições, dificultando assim, o estabelecimento da autonomia e independência do indivíduo. Diante disso, é de suma importância a adoção de práticas baseadas em evidência que favoreçam o ensino de comportamentos e habilidades apropriadas a pessoas com TEA, como a Video Based Instruction (VBI) ou instrução baseada em vídeo. Essa metodologia inclui diversas variações, sendo as mais relevantes a videomodelação (VM) e o video prompting (VP). Durante a VM, o instrutor apresenta um vídeo mostrando a execução completa de uma tarefa do início ao fim antes que o aluno tenha a oportunidade de desempenhar a habilidade. No VP, entretanto, o instrutor apresenta um vídeo de um único passo da tarefa sendo concluído antes que o aluno tente executar esse passo; isso se repete para todas as etapas restantes até que toda a tarefa tenha sido concluída ou tentada. Ao considerarmos a necessidade de selecionar procedimentos mais eficientes (que ensina em menos tentativas) e mais viáveis (acessível a maior parcela da população) para treinar habilidades em pessoas com TEA, levando em conta o déficit em diferentes tipos de habilidades no repertório dessas pessoas, bem como a escassez de profissionais qualificados para uma intervenção com modelação in vivo, este estudo justifica-se por buscar avaliar a utilização de diferentes tipos de procedimentos de correção envolvendo vídeos no processo de ensino. O objetivo geral do presente projeto será avaliar a eficácia da utilização de vídeos em procedimentos de correção de erros no ensino de habilidades de vida diária a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). No Estudo 1, em que se avaliará a eficácia da videomodelação (VM) em procedimentos de correção de erros no ensino de habilidades de vida diária a crianças com TEA, participarão quatro crianças com diagnóstico de TEA, com idade entre 4 e 6 anos, com presença de comportamentos de colaboração de sessão (ex. sentar e esperar), que apresentem déficits nos repertórios de HVD, tais como arrumar lancheira, arrumar a mesa e preparar um achocolatado, correspondente aos níveis 3 e 4 de independência pessoal do Checklist Curriculum; com a presença de repertório básico de imitação (ex. movimentos motores grossos sem e com objetos), habilidades perceptuais visuais e pareamento ao modelo (ex. rastrear e pegar objetos, parear itens idênticos) equivalente ao Nível 1 do VB-MAPP; e que demonstrem aprendizagem de imitação motora simples via vídeo, que será verificado no Pré-teste. A variável independente (VI) será a implementação de um procedimento de correção utilizando videomodelação (VM). A variável dependente (VD) será a aprendizagem da HVD medida pela: (a) porcentagem de respostas independentes, respostas incorretas, tentativas corrigidas e tentativas de correção de erro remediativo, caracterizadas pela ocorrência de erro após a etapa de correção; (b) duração do procedimento de correção de erro e do programa de ensino. O estudo envolverá cinco fases: (a) Pré-teste de Aprendizagem via Vídeo, (b) Linha de Base, (c) Intervenção, (d) Generalização e (e) Follow-up. As sessões de intervenção serão realizadas três vezes por semana, com duração média de 15 minutos. Essas sessões iniciarão com o participante sendo posicionado em frente à mesa com os materiais necessários para a execução da HVD selecionada. Então, o pesquisador irá solicitar ao participante que execute a atividade (por exemplo, apresentará os materiais necessários para a execução da habilidade de arrumar a lancheira e a instrução vocal Arrume a lancheira). O participante terá 5 segundos para iniciar a execução da habilidade. A conclusão de todos os passos de uma HVD de maneira independente, será seguida de acesso a elogios e a um item de preferência (podendo ser itens comestíveis ou brinquedos) e a tentativa será encerrada. As respostas incorretas darão início ao procedimento de correção de erro, no qual o instrutor irá apresentar o vídeo completo da tarefa a ser realizada, independente do passo onde ocorrerá o erro. Após a finalização do vídeo, o participante terá a oportunidade de executar a tarefa novamente. Caso ele acerte, irá para a próxima etapa da cadeia de respostas até completar todos os passos da habilidade. Caso o participante emita uma resposta incorreta após a apresentação do vídeo, o instrutor irá realizar aquela etapa e passará para a próxima, no qual o participante terá a oportunidade de executar. Após a finalização da atividade será solicitado um comportamento alternativo, já presente no repertório da criança (Toque aqui, por exemplo), e disponibilizado acesso a itens de interesse. Caso o procedimento de correção de erro somente via VM não apresentar mudanças crescentes nos dados, após 3 sessões consecutivas, o instrutor irá fornecer uma ajuda mais intrusiva (ex. ajuda física total) logo após a visualização do vídeo, e passará para a próxima etapa da cadeia de respostas até completar todos os passos da habilidade. Após a finalização da atividade será solicitado um comportamento alternativo, já presente no repertório da criança (Toque aqui, por exemplo), disponibilizado acesso a itens de interesse. As fases de generalização e follow-up avaliarão, respectivamente, a ocorrência do comportamento-alvo para além das condições de treinamento e a ocorrência do comportamento-alvo 15 dias após o final do treinamento. O Estudo 2 é semelhante ao Estudo 1, com a fundamental diferença de que será avaliado o efeito do vídeo prompt (VP), ao invés da videomodelação, em procedimentos de correção de erro no ensino de habilidades de vida diária a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).