← Voltar

Avaliação da sialorréia em pacientes com paralisia cerebral tratados com toxina botulínica em um hospital universitário do Pará

Unidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARA
Subunidade
INSTITUTO DE CIENCIAS MEDICAS
Coordenador
JOAO AMAURY FRANCES BRITO
Período
2024-04-01 a 2025-09-30
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar

Impacto na Amazônia

  • Políticas Públicas – Apoio à Formulação

Resumo

A produção de saliva é realizada pelas glândulas parótidas, submandibular e sublingual, situada aos pares na região buco-maxilar. Quando há perda involuntária dessa secreção pela boca, é definida então a sialorreia. Pode ser classificada em anterior, quando a perda ocorre pela cavidade oral, ou, posterior, quando a saliva se direciona da língua para a faringe. É considerada normal até os 4 anos de idade e, a partir disso, considera-se uma condição patológica, a qual pode ser observada principalmente em pacientes de desordens neurológicas, como a paralisia cerebral (PC), a principal causa da sialorreia nos pacientes pediátricos, com uma incidência de 10 a 58% (HEIKEL et al., 2023). Os pacientes acometidos pela PC podem apresentar disfunção motora oral, devido a um reflexo de deglutição inadequado e distúrbios sensoriais intraoral, não permitindo a continuação da saliva durante o trato gastrointestinal, o que justifica boa parte do acúmulo e, consequentemente, o extravasamento de saliva pela boca. Além das questões clínicas que a sialorreia impacta, a exemplo dermatites periorais, doença do refluxo gastroesofágico e risco de pneumonia por aspiração, também devem considerados repercussões no âmbito da socialização e bem-estar do paciente, uma vez que a secreção salivar pode causar o desconforto em função do mau odor, tendo efeitos negativos no desenvolvimento psicossocial, em consequência da rejeição e do isolamento social usualmente imposto ao individuo. (SCOFANO DIAS;FERNANDES; MAIA FILHO, 2016). Atualmente, o tratamento para a sialorreia consiste de correção ortodôntica, farmacoterapia, cirurgias maxilofaciais e injeção de toxina botulínica do tipo A. Dentre as principais medicações, estão osanticolinérgicos, inibindo os receptores muscarínicos e consequentemente a produção de saliva; as intervenções cirurgias estão designadas principalmente para pacientes com grau severo de sialorreia e resistentes à medicação e a toxina botulínica; a injeção de toxina botulínica atua evitando a fusão das vesículas neurosecretoras com a membrana pré sináptica do neurônio colinérgico periférico, reduzindo assim o estímulo nervoso para produção da saliva (RIVA et al., 2021). Dentre as opções terapêuticas, a aplicação da toxina botulínica é preterida ao comparar as desvantagens com as demais terapias, justificada pela necessidade de sedação, estrutura adequada e uma equipe capacitada para realizar o procedimento (SCOFANO DIAS; FERNANDES; MAIA FILHO, 2016). Para determinar os efeitos da sialorreia em menores com PC, utiliza-se como instrumento desenvolvido por Reid et al., o Drooling Impact Scale (DIS), questionário traduzido e validado para o Brasil. Consiste de 10 perguntas com respostas escalonadas de 1 a 10, avaliando o impacto na qualidade de vida da criança e de seu responsável em aspectos da gravidade da doença e suas implicações psicossociais (CAVALCANTI et al., 2022). Para este estudo, será aplicado DIS na avaliação da sialorreia em pacientes com PC. Dessa forma, ao considerar o impacto que a sialorreia pode causar na saúde de crianças com PC, torna-se fundamental a avaliação da terapia por injeção por toxina botulínica com a finalidade de guiar possíveis políticas públicas sociais na área da saúde e esclarecer melhor para a comunidade científica os resultados advindos acerca desse tipo de tratamento, propiciando, assim, benefícios para a sociedade ao promover melhora da saúde e qualidade de vida desse grupo.