Avaliação da sialorréia em pacientes com paralisia cerebral tratados com toxina botulínica em um hospital universitário do Pará
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
Impacto na Amazônia
- Políticas Públicas – Apoio à Formulação
Resumo
A produção de saliva é realizada pelas glândulas parótidas, submandibular e sublingual, situada aos pares na região buco-maxilar. Quando há perda involuntária dessa secreção pela boca, é definida então a sialorreia. Pode ser classificada em anterior, quando a perda ocorre pela cavidade oral, ou, posterior, quando a saliva se direciona da língua para a faringe. É considerada normal até os 4 anos de idade e, a partir disso, considera-se uma condição patológica, a qual pode ser observada principalmente em pacientes de desordens neurológicas, como a paralisia cerebral (PC), a principal causa da sialorreia nos pacientes pediátricos, com uma incidência de 10 a 58% (HEIKEL et al., 2023). Os pacientes acometidos pela PC podem apresentar disfunção motora oral, devido a um reflexo de deglutição inadequado e distúrbios sensoriais intraoral, não permitindo a continuação da saliva durante o trato gastrointestinal, o que justifica boa parte do acúmulo e, consequentemente, o extravasamento de saliva pela boca. Além das questões clínicas que a sialorreia impacta, a exemplo dermatites periorais, doença do refluxo gastroesofágico e risco de pneumonia por aspiração, também devem considerados repercussões no âmbito da socialização e bem-estar do paciente, uma vez que a secreção salivar pode causar o desconforto em função do mau odor, tendo efeitos negativos no desenvolvimento psicossocial, em consequência da rejeição e do isolamento social usualmente imposto ao individuo. (SCOFANO DIAS;FERNANDES; MAIA FILHO, 2016). Atualmente, o tratamento para a sialorreia consiste de correção ortodôntica, farmacoterapia, cirurgias maxilofaciais e injeção de toxina botulínica do tipo A. Dentre as principais medicações, estão osanticolinérgicos, inibindo os receptores muscarínicos e consequentemente a produção de saliva; as intervenções cirurgias estão designadas principalmente para pacientes com grau severo de sialorreia e resistentes à medicação e a toxina botulínica; a injeção de toxina botulínica atua evitando a fusão das vesículas neurosecretoras com a membrana pré sináptica do neurônio colinérgico periférico, reduzindo assim o estímulo nervoso para produção da saliva (RIVA et al., 2021). Dentre as opções terapêuticas, a aplicação da toxina botulínica é preterida ao comparar as desvantagens com as demais terapias, justificada pela necessidade de sedação, estrutura adequada e uma equipe capacitada para realizar o procedimento (SCOFANO DIAS; FERNANDES; MAIA FILHO, 2016). Para determinar os efeitos da sialorreia em menores com PC, utiliza-se como instrumento desenvolvido por Reid et al., o Drooling Impact Scale (DIS), questionário traduzido e validado para o Brasil. Consiste de 10 perguntas com respostas escalonadas de 1 a 10, avaliando o impacto na qualidade de vida da criança e de seu responsável em aspectos da gravidade da doença e suas implicações psicossociais (CAVALCANTI et al., 2022). Para este estudo, será aplicado DIS na avaliação da sialorreia em pacientes com PC. Dessa forma, ao considerar o impacto que a sialorreia pode causar na saúde de crianças com PC, torna-se fundamental a avaliação da terapia por injeção por toxina botulínica com a finalidade de guiar possíveis políticas públicas sociais na área da saúde e esclarecer melhor para a comunidade científica os resultados advindos acerca desse tipo de tratamento, propiciando, assim, benefícios para a sociedade ao promover melhora da saúde e qualidade de vida desse grupo.