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REDES SOCIAIS, RELAÇÕES E SAÚDE MENTAL EM UNIVERSITÁRIOS

Unidade
NUCLEO DE TEORIA E PESQUISA DO COMPORTAMENTO
Subunidade
POS-GRADUACAO EM TEORIA E PESQUISA DO COMPORTAMENTO
Coordenador
FERNANDO AUGUSTO RAMOS PONTES
Período
2024-03-01 a 2028-02-29
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar
  • 4 - Educação de Qualidade
  • 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
  • 10 - Redução das Desigualdades

Impacto na Amazônia

  • Políticas Públicas – Apoio à Formulação

Resumo

A saúde mental é um componente integral e essencial da saúde. Estudos epidemiológicos têm mostrado um aumento na prevalência de transtornos mentais ao redor do mundo especialmente nos níveis de ansiedade, depressão e estresse, uma questão complexa que envolve múltiplos fatores e não pode ser atribuído a uma única causa, dentre os quais destaca-se, o uso da internet e de mídias sociais, a mudança no estilo de vida, tal como a diminuição de contatos presenciais (face-a-face). Os avanços tecnológicos do uso da internet e de mídias sociais têm, por sua vez, reforçado recursivamente padrões de menor contato social presencial. Por outro lado, alguns estudos sugerem que o vício de uso da internet pode ser um mecanismo de enfrentamento para lidar com sintomas de ansiedade e depressão, oferecendo uma forma temporária de alívio. No entanto, essa busca por alívio acaba mantendo o ciclo vicioso do isolamento social e agravando o problema subjacente. Atualmente o maior uso de internet não está relacionado a uso de computadores, pela flexibilidade, mobilidade, quantidade e versatilidade de aplicativos disponíveis, os smartfones são certamente a maior preocupação em termos de desenvolvimento de comportamentos viciantes. Há evidências acumuladas que relacionam o uso excessivo de telefones celulares com o aumento de sintomas psicopatológicos, como os relacionados à depressão, ansiedade e estresse. Adicionado a esses fatores, pela necessidade de isolamento social, houve um aumento de uso de smartfone durante e a partir da pandemia de COVID-19. Contudo, os casos de depressão e ansiedade, mesmo após a retomada das atividades de maior contato presenciais, se mantêm em alta. Esse pode ser um dos elementos que marcam a atual geração, a situação de extrema vulnerabilidade que ela está sujeita. Assim, embora a tecnologia da informação tenha proporcionado inúmeros benefícios, como maior conectividade e acesso a informações, também é importante considerar os possíveis efeitos correlatos negativos que essa forma de comunicação pode ter sobre a saúde mental. É nesse sentido que contra intuitivamente na população de jovens adultos, o Uso de Mídia Social (UMS) possa aumentar o Isolamento social percebido (ISP). Esta geração, marcada por esses eventos históricos, quando escolarizada, está hoje situada principalmente no ensino superior, trilhando a sua formação acadêmica e profissional, em pleno processo de transição ecológica. Esse contexto é marcado por uma diversidade de perfis, especialmente aqueles que, por uma política de cotas, particularmente das pessoas com deficiência que conseguiram um acesso ao ensino superior; esse aspecto institucional acresce um elemento de maior complexidade, especialmente no ambiente social disponível. Nesse sentido, para maior compreensão dos desafios colocados a esses sujeitos, deve ser considerado além da inclusão acadêmica a almejada inclusão social. É nesse contexto marcado por vulnerabilidades e diversidades que a integração social se apresenta como um dos desafios. Se são nas relações sociais presenciais que se desenvolvem as principais relações suportivas, e, por esse motivo, fundamentais para a saúde mental, é contrastante essa importância com o vazio de conhecimento existente sobre qual o lugar de pessoas com deficiência e com indicador de transtorno mentais na rede social que fazem parte ou da presença diferencial de amigos em sua rede. Esta proposta se se apresenta como um programa de pesquisa que procura identificar se há, em universitários típicos e com deficiência, diferenciação na expressão de transtornos, topologia de rede pessoal, suas características e percepções da ESC na sala de aula, na qualidade da amizade e no vício no uso de smartfone. Ademais, procurar-se-á identificar possíveis mecanismos de retroalimentação entre essas variáveis, de modo a supor perfis de resiliência-integração social ou de vulnerabilidade-exclusão social. Essa pesquisa tem o caráter transversal de natureza descritivo correlacional, de abordagem quantitativa. Trata-se de um programa de pesquisa marcado pela investigação de fenômenos do âmbito da psicologia, mas com ferramentas analíticas transdisciplinares, tal como a análise de redes. Os resultados serão analisados inicialmente em função da caracterização dos participantes e das diferentes dimensões de análise. Posteriormente será feito o cruzamento dos dados para fins de avaliar o objetivo geral, nessa direção será feita uma Análise Exploratória dos Dados (AED) com a base para a Análise de Componentes Principais (ACP) e da Análise Discriminante (AD) para uma melhor caracterização e diferenciação dos Grupo de típicos (T) e com deficiência (D) com base nos dados escalares de transtorno, comportamento viciante de smartfone, de redes sociais (Redes pessoais e Estrutura Social Cognitiva) e relações de amizade. Os resultados disponibilizados podem fornecer informações importantes para intervenção direcionada, bem como para prevenção e o desenvolvimento de políticas públicas.