PREVALÊNCIA E GEOEPIDEMIOLOGIA DA RESISTÊNCIA MEDICAMENTOSA, MUTAÇÕES GÊNICAS DO M. LEPRAE, E DE PACIENTES HANSENIANOS COM CRITÉRIOS DE INVESTIGAÇÃO DE RESISTÊNCIA MEDICAMENTOSA E SUAS RELAÇÕES COM FATORES CLÍNICOS, SOCIODEMOGRÁFICOS E COMPORTAMENTAIS, EM PACIENTES ATENDIDOS EM UM CENTRO DE REFERÊNCIA NA AMAZÔNIA
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- 3 - Saúde e Bem-Estar
Resumo
A hanseníase permanece como uma relevante endemia em países como o Brasil, Índia e Indonésia, especialmente em regiões hiperendêmicas da Amazônia, onde o controle da doença enfrenta desafios significativos. Embora a poliquimioterapia (PQT) tenha se mostrado altamente eficaz desde sua implementação na década de 1980, contribuindo para uma expressiva redução da prevalência global da doença, o surgimento e a propagação de cepas de Mycobacterium leprae resistentes aos principais antimicrobianos utilizados (rifampicina, dapsona e ofloxacina) acendem um alerta preocupante sobre a efetividade futura da terapêutica padrão. Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo principal investigar a prevalência de mutações genéticas associadas à resistência medicamentosa em M. leprae, bem como sua relação com a distribuição geográfica dos casos e os fatores clínicos, sociodemográficos, epidemiológicos e comportamentais em pacientes com hanseníase atendidos em um centro de referência na Amazônia. Trata-se de um estudo epidemiológico transversal, analítico, a ser conduzido no Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Federal do Pará (UFPA) e no Instituto Evandro Chagas (IEC), abrangendo o período de 2023 a 2025. A amostra será composta por pacientes em tratamento da hanseníase ou em seguimento por reações hansênicas, que preencham critérios de suspeição de resistência primária ou secundária, conforme diretrizes do Ministério da Saúde. Serão coletadas variáveis clínicas, laboratoriais, sociodemográficas e comportamentais, bem como amostras de sangue e biópsia de pele para análise molecular das mutações nos genes rpoB, folP1 e gyrA, por meio de sequenciamento de Sanger. Paralelamente, os dados serão integrados ao geoprocessamento com o uso do SIG (ArcGIS 10.5) para análise da distribuição espacial dos casos, visando identificar áreas de maior concentração e riscos potenciais. O estudo pretende contribuir para o fortalecimento da vigilância da resistência antimicrobiana no país, apoiar o uso dos critérios clínicos de investigação estabelecidos, e promover uma abordagem geoepidemiológica que viabilize intervenções direcionadas, especialmente em uma região com alta carga de doença e vulnerabilidades sociais. Ademais, os resultados poderão subsidiar políticas públicas voltadas à prevenção da resistência, ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado de casos multirresistentes, prevenindo recidivas, incapacidades físicas e a perpetuação da cadeia de transmissão em comunidades historicamente negligenciadas.