Processos comunicacionais e estratégicos sobre a deficiência em universidades brasileiras
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
Resumo
Descrição do Projeto Investigação sobre a percepção da deficiência e acessibilidade nas universidades brasileiras e desenvolvimento de ações de mobilização e engajamento, acessibilidade comunicacional e formação dos públicos das comunidades universitárias, considerando que a inclusão demanda o engajamento de todos. Trata-se de projeto em rede, envolvendo pesquisadoras(es) de diversas áreas de conhecimento das seguintes instituições: Universidade Federal da Paraíba (UFPB); Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Universidade Federal de Mato Grosso; Universidade Federal de São João Del-Rei e (UFSJ) Universidade Federal do Pará (UFPA). Contexto do Projeto O projeto expande a atuação de um piloto já iniciado na Universidade Federal de Minas Gerais, uma das parceiras, com o apoio do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão, aprovado em comitê de ética e com participação de pessoas com deficiência. Entrevistas e survey aplicado na UFMG indicaram pouco conhecimento da comunidade universitária sobre direitos das pessoas com deficiência e acessibilidade; prevalência de posturas capacitistas e pouca ou nenhuma motivação dos professores para produzir adaptações acessíveis em atividades didáticas. Os resultados vão ao encontro de outros estudos (Melo e Araújo, 2018; Pletsch e Melo, 2017), que indicam cultura capacitista e desconforto geral em sala de aula com alunos com deficiência, além de formação docente incipiente. Partimos de duas hipóteses. Primeiro, de que o desinteresse parte da percepção da deficiência como algo individual, um problema da pessoa que precisa ser resolvido ou pela universidade ou pelo próprio sujeito. Isso faz coro com o modelo biomédico da deficiência (CANGUILHEM, 1966; WHO, 1980; BRASIL, 1981; OLIVER, 1996; HAMMELL, 2006; SHAKESPEARE, 2006, 2018). A segunda é de que esse é um problema comunicacional. Se as pessoas não se veem suficientemente implicadas nos processos inclusivos é porque a comunicação - que vai desde o senso comum, conversações na internet, até a comunicação institucional - não funcionam de modo a produzir novos sentidos sobre a deficiência, coletivização das questões, responsabilização e pertencimento. Mobilizar é convocar vontades para atuar na busca de um propósito comum, sob uma interpretação e um sentido também compartilhados (Toro e Werneck, 1996). A comunicação desempenha três funções na mobilização: coletivização, vinculação e identificação. Com as pesquisa já desenvolvidas sobre acessibilidade comunicacional na UFPB em grupo de pesquisa com participação de pessoas com deficiência será dada sequência à produção de protocolos de acessibilidade comunicacional, o que aprimora o uso de aplicativos, sites e instrumentos didáticos de sala de aula. Soma-se a isso a expertise da UFPA, UFMT e UFSJ na temática da inclusão. O objetivo é desenvolver processos mobilizadores das comunidades universitárias em relação à deficiência, a partir de quatro eixos: diagnóstico, mobilização, formação e acessibilidade. O primeiro passo busca compreender como públicos de diferentes universidades brasileiras lidam, interpretam e reconfiguram a temática da deficiência e da acessibilidade em suas rotinas. A primeira etapa é inspirada no piloto, que utilizou surveys e entrevistas com diferentes públicos, inclusive o de pessoas com deficiência. Como segunda etapa, identifica-se elementos que podem gerar coletivização, vinculação e identificação para, então, desenvolver estratégias comunicacionais de engajamento. Em paralelo, serão desenvolvidos os protocolos, guias de acessibilidade comunicacional e workshop de formação de professores, técnicos e comunicadores das universidades.