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Ecologia larval de crustáceos decápodes na Plataforma Continental Amazônica

Unidade
NUCLEO DE ECOLOGIA AQUATICA E PESCA DA AMAZONIA
Subunidade
POS-GRADUACAO EM ECOLOGIA AQUATICA E PESCA
Coordenador
JUSSARA MORETTO MARTINELLI LEMOS
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 14 - Vida na Água

Impacto na Amazônia

  • Biodiversidade e Bioeconomia – Conservação Ambiental

Resumo

No Norte do Brasil, com a junção das vazões dos rios Amazonas e Pará, a Plataforma Continental do Amazonas torna-se uma importante área de berçário e crescimento para diversos organismos (Dall et al., 1990; Dagg et al., 2004; Nascimento et al., 2013; Moura et al., 2016) principalmente para invertebrados como crustáceos e moluscos, assim como para peixes diversos. Os recifes de corais também são fonte de biodiversidade, correspondem a menos de 1% dos ecossistemas marinhos, no entanto, compreendem aproximadamente um terço da biodiversidade das espécies marinhas (Spalding e Grenfell, 1997). É logisticamente difícil e oneroso investigar na costa do Norte do Brasil devido às enormes distâncias a percorrer, bem como a falta de navios de pesquisa. O conhecimento desse ecossistema é proveniente, em sua maioria, de grandes expedições realizadas por programas de pesquisas internacionais e nacionais como: AMASSEDS - programa internacional Brasil - Estados Unidos ‘Multidisciplinary Amazon Shelf Sediment Study’ (1989-1991); REVIZEE - programa nacional ‘Avaliação do Potencial Sustentável de Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva’ (1994-2006), sob a responsabilidade do IBAMA/MMA; PIATAM - ‘Monitoramento das Áreas de Atuação da Petrobras: Potenciais Impactos e Riscos Ambientais da Indústria do Petróleo e Gás no Amazonas’, financiado majoritariamente pela Petrobrás (2000-2010) e mais recentemente (2010-2016), o INCT-AmbTropic, projeto multidisciplinar e multicêntrico ‘Ambientes Marinhos Tropicais’, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-CNPq/MCTI/INCT, do qual a coordenadora brasileira faz parte (http://www.inctambtropic.org/grupos-de-trabalho/plataforma- continental—/variabilidade-espaco-tempor.html). Tais projetos estudaram os processos sedimentares químicos, físicos e biológicos (plâncton, nécton e bentos) que ocorrem ao longo da plataforma continental próximo à foz do Rio Amazonas e identificaram os potenciais estoques pesqueiros do país e suas estratégias de exploração em toda a Plataforma Continental do Brasil, realizando o primeiro levantamento dos recursos biológicos e pesqueiros na Região Norte (Brandini et al., 1997; Jablonski et al., 2006; Haimovici, 2007; Souza-Filho et al., 2009). No entanto, apesar dos esforços dos projetos citados acima, não há um conhecimento consolidado sobre a biodiversidade na região, principalmente em relação aos invertebrados, elo importante na cadeia trófica aquática. Pesquisas com crustáceos decápodes nesta área são quase inexistentes, limitam-se à ocorrência de espécies coletadas como bycatch (fauna acompanhante) da pesca industrial do camarão-rosa, Penaeus subtilis. Os crustáceos Decapoda Latreille, 1802 apresentam mais de 17.500 espécies atualmente descritas (Ahyong et al., 2011; Shen et al., 2013) e constituem a maior e mais diversa ordem dos crustáceos. Este grupo habita uma grande variedade de biótopos, sejam eles marinhos, dulcícolas ou terrestres e incluem os camarões, ermitões, caranguejos, corruptos, lagostas, entre outros. O conhecimento da diversidade é de suma importância para a sustentabilidade dos ecossistemas, mantendo o equilíbrio ecológico da região. Existe um vasto levantamento de ocorrência de crustáceos adultos realizados na Plataforma Continental do Amazonas-PCA (Cintra et al., 2003; Ramos-Porto et al., 2003; Silva et al., 2002a,b, 2003a,b, 2013; Viana et al., 2003; Silva e Cintra, 2008), porém nenhum trabalho sobre a dinâmica das espécies e ciclo de vida. Além disso, estudos sobre as larvas de Decapoda na PCA são praticamente inexistentes, uma vez que muitas pesquisas foram publicizadas em formato de resumos, monografias, dissertações e teses. A Infra-Ordem Caridea abrange 14 superfamílias que totalizam 3.438 espécies conhecidas de camarões (Ahyong et al., 2011; De Grave e Fransen, 2011). São dominantes as famílias Palaemonidae (981 espécies), Alpheidae (663 spp.), Atyidae (469 spp.), Hippolytidae (338 spp.) e Crangonidae (219 spp.) (De Grave e Fransen, 2011). Deste total, 40 espécies possuem o registro na área da Plataforma Continental do Amazonas, distribuídos nas seguintes famílias: Palaemonidae (13 espécies), Alpheidae (9 spp.), Pandalidae (5 spp.), Pasiphaeidae (4 spp.), Glyphocrangonidae (3 spp.), Acanthephyridae (1 sp.), Oplophoridae (1 sp.), Hippolytidae (1 sp.), Ogyrididae (1 sp.), Processidae (1), Psalidopodidae (1). Das espécies com registro na PCA, aproximadamente 70% não possuem o desenvolvimento larval descrito, um número significativo e preocupante, uma vez que o conhecimento dos estágios larvais das espécies constituem informação básica e primordial para estudos sobre o ciclo reprodutivo dos organismos, base para implementação de planos de manejo das espécies. A Infra-Ordem Anomura apresenta um pouco mais de 2.700 espécies descritas, distribuídas em 20 famílias e 222 gêneros (Ahyong et al., 2011; Tudge et al., 2012). Os anomuros incluem os porcelanídeos, diogenídeos e pagurídeos, aeglídeos, galateídeos e hipídeos. Os talassinóideos, por sua vez, estão organizados em duas infraordens: Axiidea e Gebiidea, com 465 e 209 espécies descritas, respectivamente (Ahyong et al., 2011; Dworschak, 2015). A descrição do ciclo larval completo bem como dos instars juvenis de algumas espécies de anomuros e talassinóideos vem sendo disponibilizadas recentemente, contribuindo principalmente para a sua identificação, apesar de ainda serem relativamente escassas, considerando as mais de 3 mil espécies atualmente descritas para as três infraordens (Anomura, Axiidea e Gebiidea) (De Grave et al., 2009; Ahyong et al., 2011; Dworschak, 2015). Considerando a região costeira amazônica brasileira, um total de 30 espécies de anomuros e 13 de talassinóideos tem ocorrência registrada (Melo, 1999; Barros e Pimentel, 2001; Coelho et al., 2007). Entretanto, apenas cerca de 32% (15 espécies) tem o desenvolvimento larval (ao menos zoea I) conhecido. Para a Infra-Ordem Brachyura, foram registradas 192 espécies na região costeira, pertencentes a 117 gêneros e 32 famílias. Tal número é expressivo e corresponde a cerca da metade das 370 espécies de caranguejos que ocorrem ao longo de toda a costa do Atlântico Sul (Melo, 1996). Destacando que a maioria das espécies não possui descrições morfológicas de nenhuma fase ou estágio larval (121 espécies - 62,6%) (Lima e Martinelli-Lemos, 2019). A diversidade de organismos na PCA é subestimada por diferentes aspectos, dos quais, destacamos as limitações metodológicas, as dificuldades logísticas, a escassez de estudos nesta temática e o baixo número de pesquisas realizadas no local. A importância e a magnitude dessa plataforma, somada à escassez de informações sobre conhecimentos básicos sobre identificação de espécies justifica nosso esforço para compreendê-la, contribuindo para a descrição de estágios larvais de crustáceos decápodes, conhecimento necessário para a correta identificação da biodiversidade aquática da região, bem como para se iniciar tentativas de sugestões para o manejo da área com vistas à conservação das espécies.