Estratégias comunicacionais, bioeconomia e sociobiodiversidade na Amazônia
ODS vinculados
- 10 - Redução das Desigualdades
- 12 - Consumo e Produção Responsáveis
Impacto na Amazônia
- Biodiversidade e Bioeconomia – Cadeias Produtivas
Resumo
A centralidade da questão ambiental na sociedade contemporânea, particularmente no que diz respeito à proteção do bioma amazônico e da diversidade sociocultural dessa região, tem produzido agendas políticas e processos de reivindicação de visibilidade e do direito à voz por parte das populações amazônicas, notadamente das tradicionais e subalternizadas, todas elas profundamente impactadas pelas políticas públicas negacionistas do período 2019-22. Este projeto se insere nessa dinâmica de reflexão e de direitos, que também é, em boa medida, a reivindicação por processos informacionais, jornalísticos e comunicacionais mais equilibrados e respeitosos da experiência social e da realidade amazônica. Por evidente, cabe dizer que a cobertura jornalística sobre a Amazônia é, geralmente, exógena, e não leva em conta as narrativas locais. Da mesma forma, as imagens e os imaginários que a sociedade global, bem como a sociedade nacional brasileira produzem sobre a região são, geralmente, construções assimétricas, centradas em relações de poder e em formas coloniais, senão mesmo colonizadoras, de perceber a alteridade e, assim, carregadas por estereótipos, lugares-comuns e tipificações simplificadoras da realidade. Nesse sentido, ao buscarmos compreender tanto as insurgências somo as soluções endógenas, produzidas pelas próprias comunidades amazônicas, na forma de tecnologias sociais comunicacionais, esperamos contribuir para reduzir essas assimetrias e as colonialidades internas do Brasil a respeito da Amazônia. Da mesma forma, por meio de uma abordagem etnográfica ? centrada, portanto, na alteridade ? buscamos compreender de que maneira as estratégias comunicacionais podem constituir-se como um dos elementos centrais da defesa da diversidade socioambiental e dos fundamentos da bioeconomia e do desenvolvimento econômicos responsável. No contexto dos grandes debates que precedem a COP-30, a realizar-se em Belém, em 2025, percebemos um momento de insurgência, de disposição para o debate e de críticas dos canais convencionais e hegemônicos de comunicação por parte das populações amazônicas. Enumeramos algumas contribuições centrais da pesquisa para com esse processo: - Trazer o acúmulo sobre as tecnologias sociais para o campo da comunicação e compreender as estratégias de comunicação empregadas pelas populações amazônicas. - Ampliar, em bases etnográficas, a reflexão científica sobre os ?ecossistemas comunicacionais?. - Contribuir para o diálogo entre as Ciências da Comunicação e as Socioambientais. - Contribuir, por meio da produção científica e da posterior comunicação da ciência, inclusive através de nossa militância social e política, para a coesão social, para o empoderamento e para a ampliação do capital social das populações tradicionais e subalternizadas da Amazônia. Fomentar a autocrítica da comunicação hegemônica brasileira à respeito da superficialidade e das relações de assimetria que estabelece em relação às populações amazônicas.