Cidade em brechas: representações experimentais do espaço (em) aberto em Belém
ODS vinculados
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- Políticas Públicas – Apoio à Formulação
Resumo
Esta pesquisa investiga os espaços abertos de Belém como brechas urbanas, compreendendo-os não como meras lacunas no tecido construído, mas como territórios de experimentação e reinvenção da paisagem e, consequentemente, do planejamento e do projeto urbano. Partindo de uma leitura expandida, considera-se uma ampla gama de espaços, incluindo espaços não-edificados, interstícios, vazios urbanos e lugares de encontro e sociabilidade que emergem das dinâmicas cotidianas da cidade. Ao questionar as categorias urbanísticas convencionais, muitas vezes moldadas por estereótipos e concepções alheias às especificidades locais, a pesquisa propõe uma imersão crítica que busca revelar outras formas de percepção e interpretação da cidade. A partir de uma abordagem transescalar, investiga-se uma relação de mão dupla entre o suporte (bio)físico e a experiência urbana. Para isso, analisam-se as interações entre os espaços abertos e os elementos biofísicos da paisagem, identificam-se tipologias espaciais e exploram-se experiências corpográficas que ocorrem nesses territórios. Por meio de suportes como a cartografia complexa, a fotografia e os diagramas, pretende-se refletir sobre fluxos, usos e apropriações desses espaços, compreendendo a cidade como um território experiencial e subjetivo, no qual as vivências cotidianas se entrelaçam ao suporte (bio)físico. Ao articular essas diferentes dimensões, a pesquisa propõe representações experimentais que questionam as narrativas tradicionais do planejamento urbano e ampliam o olhar sobre as potências latentes da cidade. Busca-se, assim, contribuir para um urbanismo mais atento às dinâmicas locais, capaz de valorizar a complexidade e a fluidez dos espaços abertos como agentes ativos na construção da paisagem urbana de Belém.