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MÉTODO DE ELABORAÇÃO DE MAPA DE EXPOSIÇÃO AO RUÍDO COM COLETA DE PARÂMETROS SUBJETIVOS: Projeto piloto para a cidade de Belém/PA

Unidade
INSTITUTO DE TECNOLOGIA - ITEC
Subunidade
FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO
Coordenador
ELCIONE MARIA LOBATO DE MORAES
Período
2022-09-01 a 2025-08-31
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar
  • 7 - Energia Acessível e Limpa
  • 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
  • 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
  • 14 - Vida na Água
  • 15 - Vida Terrestre

Impacto na Amazônia

  • Biodiversidade e Bioeconomia – Meio Ambiente
  • Políticas Públicas – Pesquisas Aplicadas
  • Políticas Públicas – Apoio à Formulação
  • Mudanças Climáticas – Monitoramento do Clima

Resumo

A presente pesquisa consiste na elaboração de um método para análise dos índices de exposição ao ruído que podem afetar a saúde de uma comunidade, utilizando-se da cidade de Belém/PA como modelo de base. A pesquisa insere-se tanto nas linhas de pesquisa sobre conforto em espaços urbanos abertos das cidades em andamento no Laboratório de Acústica (LAAC) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) do ITEC/UFPA, a partir dos mapeamentos sonoros de Belém e da Cidade Universitária Professor José da Silveira Netto ou campus universitário do Guamá. O método de simulação utilizado nas pesquisas previsionais, apoiado por método experimental, com levantamentos realizados in situ, é de grande relevância e vem sendo utilizado em vários países e em algumas cidade brasileiras. Entretanto, nem todos os métodos matemático expressão a melhor representação numérica dos níveis de pressão sonoros nos espaços urbanos públicos, especialmente em espaços com peculiaridades formais, construtivas, viárias ou de uso do solo. Esta pesquisa busca aferir através de simulação computacional o(s) método(s) que melhor se adeque(m) à elaboração de análise dos índices de pressão sonora a que uma determinada população esteja exposta, e que podem ser causadores de danos à saúde, tomando uma parcela da cidade de Belém como protótipo para a realização do estudo. O ponto de partida será o mapa acústico da 1ª Légua Patrimonial de Belém, datado de 2008, e elaborado com método ISO (International Organization for Standardization) e medições físicas. Os principais indicadores de ruído utilizados para descrever o ruído ambiente em relação aos efeitos nocivos ao ser humano são: Lden (indicador de ruído dia-tarde-noite), associado ao desconforto geral e Ln (indicador de ruído noturno), associado a distúrbios do sono. No entanto, pesquisas recentes propuseram novos indicadores e algoritmos para avaliar a perturbação do ruído. Eles consideram não apenas a energia sonora, mas também as variações de ruído, como o indicador Intermittency Ratio (IR), ou outros recursos de ruído, como os seu espectros, o índice de harmônicas e suas aplicações [1; 2]. O nível de ruído ambiente em uma grande cidade tende a ser maior quando o tráfego é maior. Há um interesse crescente em monitorar o ruído viário nas grandes cidades e relatar problemas de poluição sonora viária. Existem metodologias propostas para mapeamento dinâmico de ruídos que se baseiam em um modelo de emissão e propagação de fontes sonoras que é atualizado periodicamente com base em medições de níveis sonoros, que podem ser realizadas tanto por estações de medição fixas quanto por móveis. Assim, as possibilidades de identificação de fontes de ruído rodoviário são estudadas com base em medições feitas em vários pontos da rede viária, segundo o conceito de “engenharia reversa”. Está sendo avaliada a possibilidade de obter uma descrição precisa do ruído de tráfego com base nas medições do ruído rodoviário de algumas estações de monitoramento adequadamente distribuídas na área de interesse. O ruído do tráfego rodoviário contribui para 80% de todo o ruído. Ele cresceu em grande escala devido ao crescimento da população ao longo das estradas, levando a uma rápida mudança no uso da terra e evoluiu para uma realidade comum em várias cidades indianas [2; 3; 4; 5]. O estudo sobre o ambiente acústico de áreas urbanas relacionado ao desenvolvimento da cidade estabeleceu uma relação entre o desenvolvimento urbano e a poluição sonora. Quando analisado com base nos dados primários e secundários podem ser relacionados ao ruído na área urbana, e c existe uma forte relação entre o desenvolvimento urbano e o nível de ruído. Portanto, o planejamento adequado deve ser realizado para que o nível de ruído possa ser reduzido. Vários estudos já chegaram a conclusão que a redução do nível de ruído viário é um objetivo importante para garantir a mobilidade sustentável, e uma das formas importantes para atingir esse objetivo é a organização adequada do tráfego rodoviário urbano, especialmente nos cruzamentos rodoviários. Sabe-se entretanto que nas grandes cidades a reorganização ou alteração do tráfego diário não é uma tarefa imediata, nas bem, uma investida a médio e longo prazo. Mas o problema já existe, a cidade de Belém é um exemplo dele, como é possível observar nos resultado do mapa acústico de Belém, datado de 2008 [4]. Francis Cirianni e Giovanni Leonardi [6] propuseram uma abordagem metodológica para a análise quantitativa do ruído de tráfego em ambientes urbanos em seu estudo. Eles apresentaram uma análise dos dados acústicos medidos na cidade de Villa San Giovanni (Itália). Os resultados mostram como a abordagem de rede neural oferece melhor desempenho do que a solução clássica baseada em análise estatística. Os autores afirmam que o aumento do número de veículos nas estradas, a densidade da população dentro da cidade e o crescimento industrial, bem como o estilo de vida da maior população urbana, levou a um aumento dos níveis de ruído urbano. Esse aumento nos níveis de ruído vem afetando as pessoas que vivem nas áreas urbanas adensadas. Seu entorno e os efeitos negativos da poluição sonora vêm causando problemas de saúde. Esses problemas de saúde variam desde pequenos incômodos, irritação e distúrbios do sono até condições mais perigosas, como o aumento do risco de contrair diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares e perda de audição nos casos mais extremos. Portanto, este estudo difere de outros estudos relevantes por visualizar a extensão das pessoas e a área que está sendo afetada pela poluição sonora causada pelo tráfego rodoviário, e tem como objetivo propor uma metodologia baseada no modelo analítico espacial e social para detecção e mapeamento em zonas sensíveis ao ruído. A geração de uma base de dados que apresentem os resultados válidos do modelo e serviram como mapas úteis para tomadas de decisões urbanísticas e ambientais. O planejamento urbano é essencial para a redução dos efeitos do ruído na população em geral, sendo responsável pela qualidade de vida do aglomerado urbano. Suas variáveis são complexas, como, por exemplo, o tráfego de veículos, que está relacionado com a poluição sonora e do ar mas, ao mesmo tempo possui efeitos benéficos à sociedade, contribuindo para a mobilidade e não devendo, portanto, simplesmente ser eliminado. O mesmo ocorre com as atividades industriais, comerciais e de entretenimento, que são importantes para a economia. No processo de planejamento urbano, devem-se considerar as ferramentas da engenharia acústica capazes de simular a paisagem sonora com o objetivo de reduzir a propagação do ruído, como os modos de distribuição das edificações nas quadras, a forma das edificações e a taxa de ocupação dos lotes. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ruído é a segunda fonte de contaminação sonora nas cidades, e deve ser reconhecida como uma grande ameaçada à saúde humana. Acredita-se que ruído seja o responsável por aproximadamente 1 milhão de anos de vida saudável perdidos a cada ano devido as doenças adquiridas. As fontes não auditivas de irritação incluem o ruído do tráfego, que interrompe o sono, a comunicação, a concentração, a visualização de TV e o aprendizado. O ruído pode resultar a uma carga de doença que perde apenas para aquelas causadas pela poluição do ar. Ressalta-se, assim, a importância da avaliação do risco da posição sonora à saúde da população [7]. As fontes de ruído ligadas ao entretenimento são as mais preocupantes, pois estão em plena atividade no horário de descanso da população em geral. Nas cidades com vocação musical ou turística, essa situação agrava-se por causa da sazonalidade, uma vez que a geração de ruído sofre incremento nos períodos de festas regionais ou locais e na temporada de férias, de forma que a população local se torna mais afetada, por não estar acostumada com a situação. O estudo da poluição sonora urbana é parte importante do estudo de impacto de vizinhança. O estudo de impacto de vizinhança, instituído pelo Estatuto das Cidades, Lei no 10.275 (BRASIL, 2001), nada mais faz além de reforçar a necessidade do planejamento urbano, de maneira que qualquer implantação de novas infraestruturas ou edificações que promovam alterações paisagísticas e viárias necessita ser previamente examinada. A análise passa pela fase de diagnóstico, com caracterização da intervenção e da vizinhança, e avaliação do impacto, que resulta em medidas compatibilizadoras, mitigatórias e/ou compensatórias [8]. Pesquisas recentes e anteriores mostram que a paisagem sonora tem um papel importante nas atmosferas arquitetônicas gerais (ambientes) do design do espaço público. Desde a última década do século passado, houve uma clara mudança de interesse no campo da arquitetura e do desenho urbano em todo o mundo, do planejamento em grande escala para os espaços públicos urbanos e a escala humana. O renascimento do espaço público é evidente também entre arquitetos e planejadores das cidades brasileiras. A proposta é no sentido de experimentar as propriedades dos espaços construídos pelos sentidos, e a única abordagem verdadeira para avaliar a arquitetura desses espaços é experimentá-los em sua totalidade. Diferentes autores consideram o som como uma propriedade que diferencia a arquitetura de outras formas de arte. A acústica do espaço projetado, seja arquitetura de exteriores urbanos do espaço público, influencia decisivamente sua paisagem sonora. Os projetistas de hoje não costumam levar em consideração as propriedades auditivas de seus projetos (espaço público) durante a fase conceitual. É importante desafiar as abordagens tradicionais de projeto para incluir a noção de paisagem sonora no paradigma de projeto urbano, em particular nos espaços públicos urbanos [9]. Compreender a relação entre as pessoas e suas paisagens sonoras em um contexto urbano de inúmeras e diversas estimulações sensoriais é uma tarefa difícil. Para uma implementação significativa dos conceitos de paisagem sonora, elementos urbanos, entidades e fatores que influenciam a propagação do som devem ser identificados e descritos. Isso requer o desenvolvimento de um conjunto de descritores e métricas para quantificar a paisagem sonora e demonstrar seu impacto na resposta dos usuários à área urbana relacionada. Pesquisas anteriores provaram que métricas psicoacústicas padrão, como volume, são inadequadas como descritores para avaliação da paisagem sonora pelos habitantes. O aumento do interesse pela paisagem sonora como um fenômeno específico e fator ambiental pode ser observado recentemente em diferentes áreas científicas. Vários grupos de pesquisa se concentram em parâmetros acústicos objetivos, assim como na avaliação subjetiva, percepção e modelagem holística para categorizar as paisagens sonoras [10; 11; 12]. O que os usuários do espaço público ouvem e como o avaliam em relação às suas atividades realizadas ou pretendidas pode influenciar o engajamento dos usuários com seus espaços, bem como sua avaliação da adequação do espaço público às suas necessidades ou expectativas. Embora a interação entre a experiência auditiva e a atividade seja um tópico ganhando força na pesquisa da paisagem sonora, capturar a complexidade dessa relação no contexto continua sendo um desafio multifacetado. Neste sentido, abordar esse desafio pesquisando as relações usuário-paisagem sonora em relação às atividades dos usuários é uma evolução promissora. Basear-se em estudos anteriores da paisagem sonora, explorar o papel e a interação de fatores potencialmente influentes nas avaliações da paisagem sonora dos usuários, tais como: nível de interação social das atividades dos usuários; familiaridade; e suas expectativas, e pesquisar as maneiras pelas quais os usuários adotam suas paisagens sonoras. Para isso, o emprego de uma metodologia mista combinando análises quantitativas, qualitativas e espaciais para avaliar como os usuários de determinado espaço se identificam com a paisagem sonora do seu entorno [13]. Quando se trata de análise de ruído urbano, recorre-se aos métodos tradicionais de elaborar de mapa de ruído. Muitos estudos já comprovaram a relação do tráfego veicular com os níveis de ruído. É sabido que o volume de fluxos de veículos automotores podem ser tratados estatisticamente, o que pode estabelecer uma visão detalhada sobre a contribuição do ruído rodoviário para a poluição sonora prevalente e suas características. Entretanto, e como foi explicitado nos parágrafos anteriores, o tráfego veicular não é solitariamente o responsável pela produção de ruído nas cidades. Cada urbanização vai emitir fontes sonoras distintas que estarão relacionados com as atividades predominantes no espaço ocupado. No caso da cidade de Belém, o mapa acústico, de 2008, mostrou claramente que as zonas mais ruidosas são as que estão mais expostas do ruído de tráfego. Por outro lado, as zonas menos veiculadas, consequentemente mais periféricas, de menor poder aquisitivo da população, registram níveis de ruído baixos e próximos aos considerados toleráveis pela normativa brasileira vigente. Entretanto, e dada, também, a característica musical da cidade, o sons e ruídos produzidos pelas zonas periféricas são muito intensos. Tal afirmação é demostrada pelo elevado número de queixas contra o ruído nos órgão de gestão. Assim sendo, nesta pesquisa se busca estudar uma metodologia de análise do ruído urbano que contemple as diferentes fonte sonoras, incluíndo as fontes mecânicas (veículos, máquinas, industriais, etc.), fontes sociais (música, conversas, etc.), e fontes ambientais (animais, variáveis climáticas, etc.), que caracterizam as paisagens sonoras dos espaços abertos. O método será desenvolvido a partir de um projeto piloto em uma parcela da cidade de Belém e contará com a participação da população local através de uma consulta subjetiva da percepção sonora do espaço vivido.