Do passado para o futuro sustentável do povo Apurinã
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
- 14 - Vida na Água
- 15 - Vida Terrestre
Impacto na Amazônia
- Comunidades Tradicionais – Ações com Povos Indígenas ou Originários
- Mudanças Climáticas – Sustentabilidade
Resumo
A ideia dessa pesquisa tem sido discutida com a sociedade Apurinã, falantes de língua da família aruak no sudoeste da Amazônia, pois eles aspiram revitalizar suas histórias orais, músicas e língua como reflexos naturais de suas paisagens culturais, seu passado e presente. Os Apurinã somam aproximadamente 10.000 pessoas, residindo em mais que 20 terras indígenas demarcadas na região do Rio Purus. Os povos falantes de língua da família aruák têm uma longa história no sudoeste da Amazônia, e eles têm sido os povos dominantes, protegendo a cobertura florestal nas suas áreas (Gow 2002; Facundes e Brandão 2011; Virtanen 2011). A língua apurinã tem uma grande variação (Padovani et 2019), como também suas histórias orais que variam significativamente, pois os Apurinã vivem em territórios diferentes. O nosso projeto analisa como a variação de língua e histórias orais estão relacionados aos territórios ecologicamente diferentes e suas mudanças ao longo do tempo. Além disso, analisamos as relações entre a língua, os seres, as histórias orais, e os locais apurinã. Investigaremos ainda a importância dessas relações para criar um futuro sustentável. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU mencionam a importância global de aumentar o conhecimento científico para assegurar e promover a vida terrestre e vida na água (metas números 14 e 15). No entanto, indo além de uma abordagem universalista de sustentabilidade, esse projeto reconhece as histórias orais vivas na Amazônia e sua potencialidade de criar educação de sustentabilidade no contexto local. Como Archibald (2008) tem apontado, as histórias orais indígenas contam como as pessoas interagem com seus lugares, seres diferentes, criam estruturas sociais e definem como viver de maneira sustentável. Nossa hipótese é que, além de estruturas formais e informais de educação e práticas escolares, os espaços diferentes em si criam formas dissimilares de sentir, imaginar e reproduzir narrativas orais. Várias comunidades indígenas, como os Apurinã, consideram os humanos, animais e plantas inseparáveis ​​de seus processos sociais (Descola 2005; Blaser et 2010; Brightman et al 2014; Virtanen 2019), e as agentividades (agencies) de não-humanos como centrais para a sua consciência histórica (e.g. Hill 1989). As histórias orais indígenas tipicamente revelam que tipo de relações são considerados entre os diferentes seres, humanos e não-humanos. Todavia, essas questões têm sido pouco pesquisadas em relação à temporalidade nas línguas indígenas. Nossos estudos anteriores com os Apurinã já têm mostrado que a noção de tempo não-linear dos Apurinã orienta as suas decisões e ações para criar maior sustentabilidade nas suas terras (Virtanen et al 2021; Virtanen 2019; ver Kohn 2013). As atividades dos seus ancestrais guiam as suas práticas econômicas, proteção de certos lugares, animais e plantas. Por isso, em nosso projeto abordamos o futuro através do passado. Pesquisamos também como o fortalecimento das histórias orais e de língua podem contribuir para a educação formal e informal, assim como para uma maior sustentabilidade?