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AS PRÁTICAS DE ESCRITA DE SURDOS NO CENÁRIO EDUCACIONAL BILÍNGUE E BICULTURAL

Unidade
INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICACAO - ILC
Subunidade
FACULDADE DE LETRAS ESTRANGEIRAS MODERNAS
Coordenador
WALDEMAR DOS SANTOS CARDOSO JUNIOR
Período
2023-02-17 a 2026-02-15
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade
  • 10 - Redução das Desigualdades

Resumo

A proposta desta pesquisa vincula-se as atividades do Grupo de Pesquisa - Leitura, escrita e ensino de Português para Surdos (GLEPS-UFPA/CNPq), desenvolvidas no Instituto de Letras e Comunicação, certificado pela Universidade Federal do Pará, no Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil Lattes. No período de julho de 2018 a junho de 2021 a pesquisa intitulada Ensino-aprendizagem de leitura e escrita da Língua Portuguesa para surdos usuários da língua de sinais apresentou resultados que envolveram linguagens diversas, em redes de significações para a tessitura do sentido realizada pelo leitor surdo no momento de escrever textos em sua segunda língua, sem oralidade da Língua Portuguesa. Os resultados da pesquisa foram apresentados em dois eixos temáticos. O primeiro eixo diz respeito às perspectivas de ensino da leitura e da escrita de Língua Portuguesa para surdos desenvolvida no âmbito do Projeto de Extensão Universitária – Oficina de Leitura e Escrita de Português para Surdos (PEU-OLEPS) da Universidade Federal do Pará (UFPA). Nesta dimensão, percebeu-se que a forma como os surdos concebem o mundo, é diferente de como o ouvinte o faz; o que os aproxima é a participação e a interação social, concretizadas por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e da linguagem escrita da Língua Portuguesa, sem o uso da oralidade. Considerando que o ensino da Língua Portuguesa- como segunda língua- é fundamental à educação linguística de surdos sinalizantes da Libras na sociedade letrada, o trabalho pedagógico de leitura e de escrita foi baseado no desenvolvimento sociocognitivo, linguístico e discursivo dos aprendizes surdos a partir do uso da linguagem em situações comunicativas. Nesse processo em ensino de Língua Portuguesa como segunda língua na modalidade escrita para aprendizes surdos, as atividades de ensino de leitura e escrita se deram com auxílio da linguagem verbal, não verbal e mista relacionadas às temáticas sociais abordadas em rodas de conversa em Libras, como forma de mobilização dos conhecimentos de mundo, para assim iniciar o trabalho de ensino de leitura do gênero textual escrito quanto à forma, ao conteúdo e uso social. E por fim, a gramática do gênero textual escrito, em constante trabalho de reescrita no processo de produção textual escrita do gênero. No primeiro momento de aprendizagem da leitura e da escrita, constatou-se que a compreensão leitora dos surdos é baseada na decodificação da mensagem, eles atêm-se aos elementos presentes na superfície do texto. Esses aspectos mostraram ter implicações na competência escritora desses alunos, que enfrentam dificuldades na organização das ideias, quanto na produção de textos escritos, uma vez que eles se limitam ao entendimento dos significados e da forma das palavras a serem registradas graficamente com base nos conhecimentos adquiridos na língua de sinais. Em geral, os textos escritos por surdos no contexto do PEUOLEPS apresentaram problemas de grafia, desvios gramaticais, e principalmente, irregularidades de composição no texto dissertativo-argumentativo, observa-se muitas sequências linguísticas de mescla da Libras e da Língua Portuguesa escrita, uma espécie de linguagem escrita híbrida, que é compreendida pela dimensão enunciativa do texto escrito por surdos. A partir disso, o PEU – OLEPS desenvolveu estratégia de ensino de Língua Portuguesa ministrada em Libras por meio da produção de sentido na leitura e na escrita baseado no conhecimento interativo com base na situação comunicativa, possibilitando aos surdos o reconhecimento dos objetivos de leitura e escrita em determinado tempo-espaço; ajustamento de informações para o exercício da leitura e da escrita; manuseio da linguagem escrita na interação com o gênero textual; produção da (re)escrita do gênero textual em constante negociação de sentido por meio da Libras. Por essa razão, houve a necessidade que o professor de Língua Portuguesa dominasse a Libras para desenvolver práticas de linguagem mais apropriadas aos alunos surdos, de modo que esses indivíduos possam se tornar competentes na leitura e na escrita, então PEU-OLEPS desenvolveu uma pedagogia de ensino de leitura e escrita de gêneros textuais em variadas situações comunicativas, que se reveste de característica importância, uma vez que se buscou fornecer aos aprendizes surdos condições de constituir-se como sujeito de seu próprio texto e discurso, atentando para o uso da linguagem escrita como ato social por meio gêneros textuais em situações comunicativas, fazendo emergir o senso crítico-reflexivo dos surdos, sendo potencialmente benéfica para o seu desenvolvimento comunicativo reduzindo seu isolamento na sociedade letrada. Diante disso, é fundamental avançar para o trabalho pedagógico de gêneros textuais como práticas sociais, e isso implica dizer que o surdo se constitui como sujeito da linguagem por meio de atividades sociais, lançando mão dos recursos linguísticos, dos diversos conhecimentos no momento de ler e escrever.