Produção escrita em níveis iniciais em francês língua estrangeira: contribuições da revisão textual interativa e do aconselhamento linguageiro
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 5 - Igualdade de Gênero
- 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
Impacto na Amazônia
- Comunidades Tradicionais – Ações com Povos Indígenas ou Originários
- Comunidades Tradicionais – Ações com Quilombolas
Resumo
Há muito tempo tornou-se recorrente a queixa de que os alunos chegam à Universidade Federal do Pará (UFPA) sem as competências necessárias para fazer frente às exigências do ensino superior, sobretudo no que se refere à produção escrita. Esta é a realidade encontrada em cursos de diferentes áreas, como Exatas, Biológicas, Humanas, Letras, de acordo com o testemunho de professores dessas áreas. Os problemas encontrados na escrita desses alunos mostram-nos o quanto a formação de discentes no ensino superior carece de um trabalho sistemático, como defendem Pereira e Basílio (2019); Bezerra e Ledo (2019); Lousada; Dezutter e Blaser (2019); Lousada; Bueno e Dezutter (2019); Ferreira; Lousada (2016) e Lousada; Dias e Tonelli (2021). Essa problemática traz, inevitavelmente, consequências ao trabalho que realizamos em um curso de licenciatura em língua estrangeira (LE), pois muitos estudantes apresentam dificuldades de produzir em (língua materna (LM) não apenas gêneros acadêmicos, mas também gêneros primários, os quais serão convidados a produzir ao longo de sua formação em língua estrangeira. Esse é um fato que observamos ao longo dos anos de atuação enquanto professora de francês do Curso de Letras - Francês (CLF) da Ufpa. Pretendemos investigar outros aspectos que envolvem a escrita, além dos aspectos formais da língua que, embora sejam fundamentais, não representam o todo necessário para o desenvolvimento da escrita. Para Barré-De Miniac, escrever, qualquer que seja a situação de produção e a natureza do texto a produzir, mobiliza não só competências mas também atitudes: competências em termos de linguagem escrita obviamente, mas também uma decisão, a de escrever esse texto, a aceitação, então, de se mobilizar, de não se apressar, a aceitação também da tomada de risco que representa toda escrita, o que anda de mãos dadas com a capacidade de analisar situações de produção e questões pessoais, sociais, profissionais ou institucionais a ela associadas (Barré-De Miniac 2000, p.12 ) . É nosso propósito ainda, nesta pesquisa, focalizar a produção escrita não apenas do ponto de vista linguageiro, mas levar em conta igualmente a dimensão psicológica e social do discente (Simard, 1992 apud Dolz; Gagnon; Toulou, 2008), tomando-o de forma holística. Para Barré-De Miniac (2000, p. 102), o sujeito escritor, marcado por características afetivas, cognitivas, sociocognitivas, sociológicas, desenvolveu representações sociais que se repercutem em sua relação com a escrita. Não levar em conta tais peculiaridades pode levar o aluno, por exemplo, a abandonar sua formação superior pelo fato de não conseguir se adaptar ao ensino universitário (Zavala, 2010, apud Lousada; Bueno; Dezutter, 2019). Ao citar Zavala, os autores trazem o depoimento de uma estudante de mestrado peruana que exterioriza o sentimento de exclusão do mundo universitário ao dizer: queria que meus professores aprendessem a outra forma como vou dizer e gostaria que dissessem a que estás adentrando [no letramento acadêmico] mas que é interessante o que tens [o que traz do seu letramento vernáculo] (Zavala, 2010, p. 93 apud Lousada; Bueno; Dezutter, 2019). No depoimento acima, fica nítido que o ensino da escrita no nível superior clama por mudanças. O trabalho de inclusão nas universidades não pode resumir-se ao acesso proporcionado pelos diversos processos seletivos; deve também garantir aos estudantes a permanência e o sucesso na vida universitária. Se desejamos, de fato, auxiliar o aluno em sua trajetória acadêmica, pessoal e profissional, é preciso procurar caminhos alternativos que considerem suas peculiaridades para que sejam bem-sucedidos. Entendemos que a abordagem proposta nesse projeto de pesquisa, baseado em um trabalho que associe a revisão textual-interativa (RTI), a reescrita textual (RT) e o aconselhamento linguageiro (AL) possibilitará um trabalho profícuo com os estudantes de diferentes origens culturais, econômicas e sociais que compõem o público universitário da Ufpa entre os quais quilombolas, indígenas, alunos com TEA entre outros. É nessa perspectiva que propomos essa pesquisa para buscar algumas respostas para os problemas de escrita, com o propósito de encontrar um caminho que nos leve a desenvolver a contento a competência escrita em alunos do Curso de Letras- Francês (CLF) da Ufpa, desde os níveis iniciais.