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Variação toponímica em localidades quilombolas do Pará: hagiotopônimos e concorrência.

Unidade
INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICACAO - ILC
Subunidade
FACULDADE DE LETRAS
Coordenador
MARILUCIA DE OLIVEIRA CRAVO
Período
2025-05-01 a 2027-05-01
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 10 - Redução das Desigualdades
  • 16 - Paz, Justiça e Instituições Eficazes

Impacto na Amazônia

  • Comunidades Tradicionais – Ações com Quilombolas

Resumo

Atualmente, o estado do Pará conta com 516 territórios quilombolas, computando-se os territórios oficiais e não oficialmente delimitados (IBGE, 2020). Há, assim, um expressivo número de nomes de territórios quilombolas que poderia ser objeto de pesquisa toponímica. Mas como toda pesquisa precisa de recorte, selecionamos os hagiotopônimos, nos termos de Dick (1992), ou haxiotopônimos, nos termos da toponímia galega (cf. Boullón, 2017), para empreender pesquisa a partir do corpus de que dispomos, numa perspectiva de empreender uma análise Topoantroponímica. Considerando a trajetória do negro no país e a constituição histórica, cultural e social dos territórios quilombolas brasileiros, a problemática que levantamos é: qual o perfil religioso dos topônimos que nomeiam as comunidades quilombolas no estado do Parrá? Sendo a questão central da presente pesquisa: como se manifesta a variação toponímica quando se trata dos hagitopônimos de comunidades quilombolas do Pará? A presente proposta visa ao estudo da variação toponímica com base em nomes de comunidades quilombolas que recebem nomes de santos, os hagiotopônimos. A análise se atém aos nomes de santos de territórios oficialmente delimitados, segundo os critérios estabelecidos no IBGE (2023), cuja base de dados será usada na presente pesquisa, e sobre os resultados apresentados em Oliveira (2024). Outro recorte proposto está relacionado ao tipo de variação a ser investigada; limita- se à variação lexical, embora o corpus apresente indícios de outros tipos de variação, como a morfológica, por exemplo. Trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica e documental que se insere no âmbito de um projeto mais amplo cujo objetivo principal é construir o atlas toponímico de localidades quilombolas do Pará, sendo, portanto, a presente proposta um microprojeto que se insere numa empreitada maior. O presente projeto adota as orientações de (DICK, 1990, 1992), uma das mais importantes referências de pesquisa toponímica no Brasil, e acresce a suas orientações o modo de fazer desenvolvido pelo grupo de estudos toponímicos europeu, mais especificamente da equipe responsável pelo TopGalPor, responsável pelo estudo toponímico de Galícia e Portugal, sobretudo no que tange ao estudo dos hagiotopônimos, entendendo as duas formas do trabalho toponímico como complementares. Para a abordagem da variação, tomaremos os pressupostos da sociolinguística (Labov, 1992), concentrando-nos, sobretudo, na perspectiva de terceira onda, como previsto em Eckert (2012).