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Morfologia Verbal e Nominalizações em Parkatêjê

Unidade
INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICACAO - ILC
Subunidade
FACULDADE DE LETRAS
Coordenador
MARILIA DE NAZARE DE OLIVEIRA FERREIRA
Período
2023-03-01 a 2027-02-28
Grupo
Pesquisa

Impacto na Amazônia

  • Comunidades Tradicionais – Ações com Povos Indígenas ou Originários

Resumo

A língua Parkatêjê faz parte da família Jê composta atualmente pelas seguintes línguas, faladas exclusivamente no Brasil: Jê Meridional: Kaingáng, Xokléng; Jê Central: Xavante, Xerente, e Jê Setentrional: Apinajé, Kayapó, Panará, Suyá e Timbira. O Timbira falado no estado do Pará, o qual é bastante próximo da perspectiva genética do Timbira falado no Maranhão que inclui as línguas Canela Apãniekrá, Canela Ramkokamekrá, Gavião Pykobjê, Krahô, Krejê e Krikatí. São línguas inteligíveis entre si, com diferenças dialetais possivelmente de fundo diatópico. Como tantas outras línguas indígenas brasileiras, o Parkatêjê encontra-se em uma situação crítica de obsolescência, não sendo mais falado pelas crianças há mais de três décadas. Essa língua tem sido estudada por Araújo (1977; 1989 e outros), por Ferreira (2003, e outros). A descrição da morfossintaxe da língua no que diz respeito aos verbos indica a existência de diferentes tipos verbais. Entre os verbos ativos é possível observar verbos que apresentam duas formas – uma que se manifesta em predicados verbais e outras em contextos distintos, menos ativos, por assim dizer. Desse modo, o presente projeto intitula-se Morfologia verbal em Parkatêjê e tem como objetivo principal a descrição de mecanismos de mudança de valência dos verbos na língua, os quais em minha hipótese de trabalho, podem ocorrer para o aumento ou a redução da valência verbal. É necessário continuar a investigar os mecanismos de mudança de valência em Parkatêjê para buscar saber se a morfologia verbal observada tem relação de fato com a valência. Valência, portanto, nesse projeto, é entendida, em concordância com a Gramática de valências (1986), de Busse e Vilela que assim a definem: “Chamamos valência ao número de lugares vazios previstos e implicados pelo (significado do) lexema. São precisamente os verbos que apresentam de modo mais evidente estruturas relacionais do tipo valencial”. Os ditos lugares vazios se relacionam à estrutura argumental dos verbos, em que se tem argumentos e complementos, cujo número e tipo é determinado pela valência atribuída ao verbo. Inicialmente apresentarei uma síntese do que já está descrito sobre a morfologia verbal da língua, as lacunas existentes e a hipótese de trabalho a ser investigada a partir do presente projeto de pesquisa.