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Comunicação quilombola. O uso de smartphones e redes sociais no território quilombola do Terra da Liberdade.

Unidade
INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICACAO - ILC
Subunidade
FACULDADE DE COMUNICACAO
Coordenador
MARINA RAMOS NEVES DE CASTRO
Período
2025-08-18 a 2026-07-18
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 3 - Saúde e Bem-Estar
  • 4 - Educação de Qualidade
  • 10 - Redução das Desigualdades
  • 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
  • 12 - Consumo e Produção Responsáveis
  • 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
  • 15 - Vida Terrestre

Impacto na Amazônia

  • Comunidades Tradicionais – Ações com Quilombolas

Resumo

Este projeto objetiva desenvolver uma pesquisa etnográfica sobre o uso de tecnologias digitais – especificamente de smartphones – e, através deles, de redes sociais, por populações quilombolas da região do Baixo Tocantins. Buscamos compreender o uso das tecnologias de comunicação por comunidades quilombolas para discutir como o uso de smartphones insere, politicamente, as comunidades quilombolas na sociedade globalizada; qual o papel dos smartphones como fonte de informação e como eles mediam a relação dos sujeitos sociais investigados com o mundo da vida, como é o uso de redes sociais via smartphones na vida quotidiana dos sujeitos sociais investigados, quais as práticas, os costumes e as estratégias de uso e de economia no uso desses dispositivos mediáticos e qual o papel das redes sociais para a integração e para a coesão grupal e social dos sujeitos investigados. Caracterização do campo investigado O Baixo Tocantins é uma região situada a jusante do Rio Tocantins, segundo maior rio da Amazônia e do Brasil; compreende uma área de 36.024,2km² distribuídos por 11 municípios: Abaetetua, Acará, Limoeiro do Ajuru, Moju, Tailândia, Barcarena, Baião, Cametá, Igarapé-Miri, Mocajuba e Oeiras do Pará. Quanto ao município de Cametá5, este foi ocupado deste os primórdios da chegada dos portugueses na região Amazônica, um dos municípios mais antigos do Pará, fundado em 24 de dezembro de 1635, mas com evidências de ocupação desde 1620 (DÜRR; COSTA, 2008). Em 2020 sua população era estimada em 134.184 habitantes (IBGE, 2020). Os quilombos que emergiram no município de Cametá foram originados dos escravos que trabalhavam nas plantações de cana de açúcar, e cedo demonstraram alto grau de organização. Um dos quilombos de destaque é o Mola – um dos que fazem parte do Terra da Liberdade – que foi liderado por Felipa Maria Aranha. Já em 1750 esse quilombo contava com 300 negros, possuíam um código civil, uma força policial e um sistema de representação direta. (PINTO, 2001). Hoje o Terra da Liberdade é composto por oito comunidades quilombolas vizinhas uma das outras, pertence ao distrito do Juaba que, por sua vez, pertence ao município de Cametá, localizando-se ao sul deste, quase na fronteira com o município de Mocajuba. 5 O município de Cametá localiza-se na mesorregião Nordeste Paraense, com uma área de 3.081,36 km², limitada ao norte pela cidade de Limoeiro do Ajuru, ao sul, por Mocajuba, a leste, por Igarapé-Miri, e a oeste, por Oeiras do Pará. Em SOBRE O MUNICIPIO DE CAMETÁ: UM RECORTE HISTÓRICO (1library.org), consultado em 31 julho 2023.8 Cametá Cametá, uma cidade histórica enraizada no processo de ocupação e formação que remonta ao século XVII, quando o processo de colonização ganhou impulso na região. Esse primeiro período foi marcado pela instalação de fortes militares, missões e aldeamentos religiosos importantes na tomada e consolidação do que hoje conhecemos como Amazônia brasileira. A exploração das drogas do sertão foi uma das principais atividades econômicas da época, com o comércio de recursos naturais como o látex, a castanha, a salsaparrilha e outros produtos da região. Além disso, a agricultura da cana de açúcar foi uma atividade importante na economia local, contribuindo para o crescimento da cidade ao longo dos anos. A Cabanagem, por exemplo, foi um movimento rebelde que ocorreu na região entre 1835 e 1840, representando uma luta contra a opressão e a exploração colonial. Esse episódio teve um impacto profundo na história da cidade e da região. A história de Cametá é profundamente marcada por sua conexão com a ocupação e formação do espaço regional amazônico, desde o período da colonização até as transformações mais recentes relacionadas à modernização. Esses eventos históricos e geográficos moldaram a identidade da cidade e contribuíram para a diversidade cultural e histórica da região. Esse processo de modernização envolveu mudanças nas estruturas econômicas, sociais e culturais da região, moldando a cidade e sua população ao longo dos anos Becker (2006).