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Consumo, Cultura Material e Agenciamentos: a comunicação entre objetos e sujeitos

Unidade
INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICACAO - ILC
Subunidade
FACULDADE DE COMUNICACAO
Coordenador
MANUELA DO CORRAL VIEIRA
Período
2024-04-20 a 2026-04-20
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade
  • 10 - Redução das Desigualdades
  • 12 - Consumo e Produção Responsáveis

Resumo

O ato de consumir faz parte do cotidiano das sociedades, tanto por meio de produtos e objetos materiais quanto conteúdos e ideias, o consumo atua enquanto mediador de interações entre os indivíduos e elementos tangíveis e intangíveis (MCCRACKEN, 2007), por meio dos quais se pode fazer uso e absorver os significados sociais e culturais presentes no bem de consumo. Nesse sentido, os objetos de consumo possuem significados complexos, que vão além do seu caráter funcional e de seu valor comercial e econômico, e que são atribuídos e apropriados pelos indivíduos em práticas materiais, culturais e simbólicas imersas em redes de significações compartilhadas socialmente. O sujeito, por meio do consumo de um item, comunica, expressa e manifesta, intencionalmente ou não, aspectos de sua identidade, por meio de processos de reconhecimento que antecedem e perpassam o ato de consumir, configurando o consumo pelo seu caráter diverso, individual e coletivo, que propõe rituais de interação e reconfiguração do cenário social. Nesta pesquisa, compreende-se a comunicação enquanto espaço de interação com o social, um processo vivo e dinâmico, “instituidor de sentidos e de relações; lugar não apenas onde os sujeitos dizem, mas também assumem papéis e se constroem socialmente; espaço de realização e renovação da cultura” (FRANÇA, 2001, p. 16). Nesse sentido, estudar a comunicação, principalmente com base nas três dinâmicas básicas propostas por França (2001), a relação dos interlocutores, a produção de sentidos e o contexto sociocultural, mostra-se fundamental para entender as relações a partir dos processos de consumo da cultura material. Esta que é analisada nesta pesquisa a partir dos estudos de Daniel Miller (2013), sob o entendimento de que os sujeitos e os objetos são indissociáveis, um molda o outro em um processo cíclico, haja vista que os bens possuem a capacidade de “de sair do foco, de jazer periféricos à nossa visão e ainda assim determinar nosso comportamento e nossa identidade” (MILLER, 2013, p. 79). Por esse motivo torna-se imprescindível uma análise dos indivíduos e processos interacionais a partir dessa ótica, uma vez que, “na cultura material, estamos interessados também, e na mesma medida, em como as coisas fazem as pessoas” (MILLER, 2013), isto é, influenciam nos sujeitos, em forma de agenciamento próprio destes objetos.