HERMENÊUTICA E COMUNICAÇÃO: ESTUDOS DAS SOCIABILIDADES E DA MÍDIA NA AMAZÔNIA
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 5 - Igualdade de Gênero
- 10 - Redução das Desigualdades
- 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
Resumo
A comunicação entre duas ou mais pessoas jamais se configura como algo simples. Mesmo quando há familiaridade, competência comunicativa ou modos aparentemente eficazes de interação, ela permanece inacabada. Ou como afirmará Ricoeur (2019, p. 30), As pessoas, efectivamente, falam umas às outras. Mas para uma investigação existencial, a comunicação é um enigma e até mesmo um milagre, pois, ela possibilita a superação da radical não comunicabilidade da experiência vivida enquanto vivida (Ricoeur, 2019, p. 30). Partindo dessa complexidade inerente, esta pesquisa propõe investigar a relação entre Hermenêutica e Comunicação, à luz dos processos comunicativos e das sociabilidades mediadas pela mídia sobre e na região amazônica. A abordagem privilegia uma visão que entende a comunicação como indissociável da experiência humana no mundo, assim como um direito essencial. Dentre as perspectivas adotadas, recorremos a Vizer (2011), que concebe a comunicação como um processo transversal e multidimensional, atravessando todas as fronteiras disciplinares e sociais. Para o autor argentino, a comunicação não apenas reflete as interações humanas, mas também as constitui, revelando-se essencial para compreendermos a nós mesmos e ao mundo que habitamos. Enquanto processo, a comunicação implica interpretações recíprocas entre os/as envolvidos/as, que moldam relações, identidades e representações sociais. Dessa forma, esta proposta busca articular os pressupostos teóricos da hermenêutica e da comunicação para compreender os processos sociais e midiáticos na Amazônia. A região é pensada dentro de um contexto singular, onde dinâmicas culturais, históricas e políticas atravessam os fluxos comunicacionais, exigindo uma abordagem que respeite suas diversidades e especificidades e contribua para uma hermenêutica situada. Ou seja, a Amazônia, enquanto espaço territorial, cultural e simbólico, apresenta-se como um dos cenários mais complexos e desafiadores para os estudos da comunicação, considerando os processos diferenciadores experienciados por seus moradores. Seus processos de sociabilidade estão intrinsecamente ligados às dimensões históricas, ambientais (ou da natureza), sociais e culturais que atravessam as relações humanas, configurando-se como uma arena de produção e disputa de sentidos. A mídia, nesse contexto, tem um papel mediador relevante, reproduzindo, contestando ou reformulando as representações da região e de seus habitantes. Por outro lado, a hermenêutica, entendida como uma teoria da interpretação, oferece uma lente crítica para a análise das práticas comunicativas e das narrativas midiáticas, pois considera a comunicação como um processo dialógico, marcado pela pluralidade de significados, pelas disputas simbólicas e pela temporalidade histórica. Ao aplicar a hermenêutica ao campo da comunicação, emerge a possibilidade de investigar não apenas o que é dito, mas como e por que certos discursos se tornam predominantes ou silenciados. Do mesmo modo, ao dialogarmos com a hermenêutica de Ricoeur, levamos em conta que ela não se limita a uma interpretação textual restrita, mas abraça uma compreensão mais ampla dos significados e intenções subjacentes, fatores essenciais para entender a comunicação em sua complexidade (Costa, 2022). Nesta perspectiva, propomos uma análise articulada das categorias Amazônia, Hermenêutica, Comunicação, Mídia e Sociabilidades , integrando-as em uma abordagem teórico-metodológica que privilegia a compreensão crítica das dinâmicas comunicativas e das sociabilidades, profundamente enraizada na intersubjetividade e na crítica social.