EXPANSÃO DOS MANGUEZAIS SUBTROPICAIS NA AMÉRICA DO SUL E NORTE: VARIABILIDADE CLIMÁTICA DO HOLOCENO TARDIO OU AQUECIMENTO GLOBAL DO ANTROPOCENO?
Impacto na Amazônia
- Mudanças Climáticas – Mudanças Climáticas
- Mudanças Climáticas – Monitoramento do Clima
Resumo
Aquecimento global é ainda um tema polêmico no que se refere ao grau de influência humana no clima. Estudos têm avaliado o impacto dos mecanismos alogênicos (p.ex., mudanças no nível do mar e clima) e autogênicos (p.ex. abandono/reativação de canais) na dinâmica dos manguezais ao longo do litoral tropical do Brasil. Tais estudos evidenciam a migração dos manguezais para o continente à medida que o nível do mar subiu desde o Último Máximo Glacial. Simultaneamente, ocorreu expansão dessas florestas para latitudes mais elevadas. Em escala secular-decadal, tal processo pode estar se repetindo em razão das emissões de gases do efeito estufa para a atmosfera após a Revolução Industrial, o que teria desencadeado a migração das isotermas para os polos. Esse aquecimento (0.2°C/década) tem causado um aumento no nível global do mar nas últimas décadas (~3,4 mm/ano), com estimativas conservadoras de aumento de 65 cm até o final deste século. Seguindo essa tendência, os manguezais podem estar migrando para zonas temperadas e para planícies mais elevadas. Essa dinâmica evidenciaria a tropicalização das zonas temperadas, causada por uma tendência climática do 1) Holoceno (natural), 2) das últimas décadas (antrópica), ou 3) da interação de ambas. Para testar a hipótese de expansão dos manguezais para latitudes mais temperadas devido ao recente aquecimento global, este projeto pretende obter novos dados de pólen, isótopos, elementares e datações (C-14) de testemunhos a serem amostrados de planícies de lama ocupados por manguezais ao longo da costa subtropical dos Brasil (Santa Catarina) e dos Estados Unidos (Flórida sob influência do Atlântico e Golfo do México) e tropical (Marapanim-Pará, sob maior influência do aumento do nível do mar). Esses dados permitirão completar a reconstituição da dinâmica dos manguezais no Holoceno médio-tardio e Antropoceno. Imagens de satélite/drone e dados Lidar serão usados para avaliar a dinâmica dos manguezais austrais e boreais expostos à extremos climáticos, tais como temperaturas mínimas de inverno abaixo de 0°C, furacões e retrogradação de ilhas barreiras em escala de décadas. Esse projeto pretende ainda investigar zonas de degradação de manguezais ao longo da costa da Flórida. A reconstituição de paleoambientes tropicais e subtropicais permitirá projetar uma nova biogeografia global dos manguezais e avaliar as tendências climáticas do Holoceno e Antropoceno.