Isótopos radiogênicos aplicados em investigações de evolução crustal, paleoambiental e meio ambiente
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
- 10 - Redução das Desigualdades
- 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
- 14 - Vida na Água
- 15 - Vida Terrestre
Impacto na Amazônia
- Biodiversidade e Bioeconomia – Meio Ambiente
- Mudanças Climáticas – Mudanças Climáticas
Resumo
Este projeto dá continuidade à nossa atuação na supervisão de estudantes de graduação e pós-graduação na última década. Notadamente, esses trabalhos se concentraram na aplicação de isótopos radiogênicos em estudos de evolução crustal, paleoambientais (paleogeografia) e ambientais. De um lado, os estudantes com formação em geologia buscam entender a evolução dos continentes e a paleogeografia ao longo do tempo, enquanto aqueles provenientes de áreas afins se preocupam com a influencia antropogênica no meio ambiente. Nos estudos realizados em ambos os casos, os isótopos radiogênicos se mostraram uma eficiente ferramenta, propiciando avanços significativos no conhecimento geocientífico. Assim, essa proposta, envolve a aplicação destes isótopos em áreas específicas e temáticas selecionadas com a finalidade de atender a formação de recursos humanos qualificados e ampliar o conhecimento gerado nos últimos anos. O Cinturão Araguaia, formado no Neoproterozoico, é a unidade geotectônica selecionada para as investigações de evolução crustal e paleogeográficas. Estudos realizados com os sistemas isotópicos U-Pb e Lu-Hf em zircão em ortognaisses do embasamento sugerem que este seria, em parte, uma extensão do Cráton Amazônico. Todavia, na porção sul do cinturão, o embasamento abrange terrenos que podem não fazer parte deste craton. Inclusive, ortognaisses e granitoides anteriormente incluídas nesse embasamento paleoproterozoico, são mais jovens (~0,6 Ga) e podem ter sido acrescido durante a formação do Cinturão Araguaia. Tal fato precisa ser investigado para entender a evolução dessa porção do embasamento e sua colagem no Cráton Amazonico. Para isso, serão usados os sistemas U-Pb e Lu-Hf em zircão, U-Pb em monazita e Sm-Nd em rochas. Ademais, datações U-Pb em zircão detrítico de quartzitos do Cinturão Araguaia sugerem fortemente que o principal aporte sedimentar para a bacia precursora do orógeno Araguaia não teria vindo do Cráton Amazônico, e sim de terrenos do Maciço Goiano e Arco Magmático de Goiás. No entanto, é recomendável a datação U-Pb em zircão de outras rochas metassedimentares para testar essa hipótese, que se mostra capital para o entendimento da evolução paleogeográfica do Cinturão Araguaia e do Gondwana Ocidental. Em termos dos estudos ambientais, propomos realizar a determinação sistemática da composição isotópica de estrôncio (87Sr/86Sr) de águas pluviais, ao longo de dois anos. A coleta, bimensal, será feita em estações pluviométricas existentes nos municípios de Belém, Marabá e Santarém no estado do Pará, instaladas pela CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais). Tais informações são essenciais para investigar a recarga de aquíferos e a mistura de águas de subsuperfície. Assim, a proposta inclui ainda a avaliação dessa ferramenta no estudo de recarga de água e vulnerabilidade de aquíferos livres no município de Santarém. A determinação da composição isotópica do estrôncio em águas pluviais abre ainda possibilidade de investigar eventual contribuição de fontes antropogênicas provenientes de emissões industriais, da agricultura, de fertilizantes, de combustíveis fósseis e queimadas.