Diversidade Sexual e de Gênero, Política e Antropologia
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 5 - Igualdade de Gênero
- 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura
- 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
- 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
- 14 - Vida na Água
- 15 - Vida Terrestre
Impacto na Amazônia
- Comunidades Tradicionais – Ações com Povos Indígenas ou Originários
Resumo
Em pesquisas desenvolvidas nos últimos dez anos, chegamos à conclusão parcial de que os silenciamentos, apagamentos e/ou enquadramentos reguladores da diversidade sexual e de gênero, em prol do binarismo de gênero, da heterossexualidade compulsória e da heteronormativiade, parecem ser mecanismos inseridos em um dispositivo essencializador e naturalizador sustentado pelos sistemas médico-científico e jurídico-normativo, com o apoio de moralidades religiosas de produção do projeto hegemônico de nação no Brasil uma nacionalidade eurocentrada, branca, heteronormativa e reprodutora de inúmeras modalidades de colonialismos internos. Propomos uma reflexão sobre o papel das práticas dos/as cientistas sociais em geral e, particularmente, dos/as antropólogos/as sociais (e também dos/as arqueólogos e historiadores/as) na con-formação ou de-formação de discursos sobre a nacionalidade ou "ideologia de nation-building", em contextos em que são acionados (ou desacionados, quiçá), dentre outros marcadores (como raça e etnia/etnicidade), os de gênero e sexualidade. As perspectivas teóricas e epistemológicas críticas e reflexivas desenvolvidas nas últimas décadas dentre as quais, a crítica feminista, a perspectiva queer e as epistemopolíticas decoloniais podem subsidiar o nosso intuito de observar as formulações de ideologias de construção de nação em sua relação com a constituição e manutenção dos dispositivos modernos de gênero e sexualidade no âmbito dos Estados nacionais e das relações entre Estados no sistema-mundo. Informado pelos mecanismos que estão na base da colonialidade/imperialidade do poder/saber estruturadores da diferença colonial e dos colonialismos internos e consciente do potencial heurístico desprovincializador do fazer antropológico do ponto de vista do Sul Global, esse projeto se propõe a analisar, a partir das margens do Estado, as formas originais de resistência criativa aos saberes, discursos, práticas e poderes disciplinares religiosos, médicos e jurídicos que foram naturalizados e se tornaram hegemônicos em diversos contextos mundiais. Em breve, trata-se de abordar esses mecanismos de silenciamentos, apagamentos e/ou enquadramentos reguladores da diversidade sexual e de gênero, num âmbito mais amplo, no seio dos processos de construção e manutenção de identidades nacionais ou "ideologias de nation-building" em conjunturas atuais de sociedades plurais pelo mundo afora, numa perspectiva comparada, multissituada ou global consciente dos efeitos múltiplos da colonialidade do saber e do poder e das novas situações coloniais e verificar a relação da Antropologia (e da Arqueologia) com esses mecanismos no seio desses processos.