VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES: INDICADORES E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO
ODS vinculados
- 3 - Saúde e Bem-Estar
- 4 - Educação de Qualidade
Resumo
O projeto de pesquisa, ora apresentado, dará prosseguimento aos estudos iniciados a partir do projeto de Tese de Doutorado da coordenadora em questão, realizado entre os anos de 2011 e 2014. Em linhas gerais o projeto de tese intitulado Maus tratos contra crianças e adolescentes: limites e possibilidades de atuação de profissionais de saúde, investigou a percepção de maus tratos contra crianças e adolescentes entre profissionais de saúde de um Distrito Sanitário de Belém o DAGUA - e identificou que esses profissionais possuem um bom repertório de informações sobre como identificar sinais de maus tratos em crianças e adolescentes, no entanto, oscilam entre a crença e a descrença da resolubilidade dos casos e sentem insegurança em relação aos procedimentos que envolvem a notificação dos casos. Destacaram-se, também, os problemas relacionados à lacuna desse tema na formação profissional e a reprodução de padrões culturais de que não se deve interferir em assuntos familiares e que a notificação só deve ser realizada em casos confirmados de violência. Também ficou evidente a falta de infraestrutura necessária para o atendimento dos casos nas Unidades de Saúde, o desconhecimento sobre o papel da rede de atendimento e principalmente como realizar um trabalho em parceria com outros setores da saúde, tais como da educação e da assistência social. Paralelamente, tem sido investigado o perfil das notificações de violência perpetradas contra crianças e adolescentes no município de Belém-Pará. Publicamos em 2013, um estudo descritivo traçando o perfil das violências notificadas em Belém-PA entre anos de 2009 a 2011, com análises a partir de dados tabulados pelo próprio Departamento de Vigilância à Saúde (DEVS/SESMA). Também foram analisados e publicados os dados secundários das notificações para o período de 2009 a 2019, que também fizeram parte da Tese de Doutorado. Nesse sentido, é válido ressaltar que nossos estudos têm apontado para a necessidade de continuação das investigações direcionadas a esse fenômeno, para urgência de inclusão desse debate nos currículos dos cursos da área da saúde, das ciências sociais aplicadas e das humanidades, para necessidade de capacitação continuada dos profissionais de saúde e da educação, de sensibilização da comunidade escolar e dos gestores para o enfrentamento da violência. Cabe destacar que foi estabelecida uma pareceria com o Professor Dr. Manuel Sarmento da Universidade do Minho em Portugal, em função do estágio doutoral, realizado pela coordenadora em questão naquele país em 2014. Desde então vários trabalhos de conclusão de curso, e outras publicaçõestem sido desenvolvidas a partir desse projeto de pesquisa.Apesar da pandemia de COVID 19, e as medidas sanitárias para evitar a proliferação do vírus, como o distanciamento social, tem trazido maior dificuldade para que as famílias busquem o pereseente projeto foi consituado, o que possibilitou inclusive a elaboração de duas dissertações de mestrado. Além disso a pandemia tornou a análise das notificações ainda mais relevantes, visto que o atendimento presencial nas unidades de saúde, também pode ter impactado na identificação e notificação de casos de violência. Em razão do exposto estamos propondo a continuidade do projeto de pesquisa em tela, para dar continuidade aos estudos que vem sendo desenvolvidos desde 2015, com a possibilidade de coleta ,análise e elaboração de artigos com os dados desse período de pandemia, bem como com a inserção de bolsistas de iniciação científica e de outras parcerias entre projetos de pesquisa multicêntrica que estão sendo realizados no Brasil.