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CROMOGRAFIA EQUATORIAL: escrita da cor, arte e literatura na Amazônia (1860-1950)

Unidade
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIENCIAS HUMANAS
Subunidade
FACULDADE DE HISTORIA
Coordenador
ALDRIN MOURA DE FIGUEIREDO
Período
2024-03-01 a 2027-02-28
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima
  • 14 - Vida na Água
  • 15 - Vida Terrestre

Resumo

Este projeto busca analisar a escrita artística e literária na Amazônia partir dos significados da cor, de suas representações e também de sua recusa, apagamento e marginalização, concentrando análises em coleções artísticas paraenses e no mais importante corpus literário da época. Chamamos esse recurso de cromografia. Em estudos anteriores e experiências em curadorias, organização de catálogos e pesquisa em acervos de arte nos principais museus do Pará (em diálogo com museus brasileiros e estrangeiros), já percebemos três fazes importantes, com seus devidos artistas, temas e projetos. O primeiro momento, que vamos chamar de Cromofilia, entrecruza-se com um momento chave da história política e econômica da região a abertura do Rio Amazonas à navegação internacional, em dezembro de 1866, com a atração de muitos artistas estrangeiros, como Felipe Fidanza, Karl Wiegandt e Giuseppe Righini, e literatos como Juvenal Tavares, Antônio Pádua Carvalho e F. Santa Anna Nery, tudo isso acompanho de amplos debates e disputas no cenário da política imperial brasileira. O segundo momento, que chamamos cromofobia, está diretamente ligado ao incremento a exploração da borracha, que no final do século XIX divisou com o café como principal produto de exportação na balança comercial brasileira. Entre 1885 e 1925, no auge da chamada belle-époque equatorial, esteve claro uma marca do autoritarismo brasileiro, desde o movimento abolicionista e à própria abolição da escravidão no Brasil com seu enredo político, econômico e cultural até a a construção da primeira República. Com a abolição, o problema da liberdade demarcou a inquietação da cor na arte, em especial dos retratos, com um visível processo de embranquecimento de figuras conhecidas do panteão nacional, como Machado de Assis, Castro Alves ou Carlos Gomes, ou ainda dificuldades em retratar autoridades recém-falecidas cuja epiderme estava na viva lembrança do povo. Artistas que vão do italiano Domenico de Angelis, passando por Crispim do Amaral, João Affonso do Nascimento até Balthazar da Câmara, ao lado de literatos como José Veríssimo e João Marques de Carvalho. O terceiro e último momento, que chamamos Cromotopia, entre os anos de 1920 e a década de 1950, centraliza os debates sobre o modernismo na Amazônia, com vasta obra de reconhecidos paisagistas que, de certo modo, puseram-se a repensar o que posteriormente seria chamado de visualidade amazônica. Nomes como Arthur Frazão, Andrelino Cotta, Antonieta Santos Feio e Leônidas Monte ajudaram a construir amplo panorama constitutivo da paisagem e do retrato humano da Amazônia, ao lado de literatos do porte de Bruno de Menezes, Raul Bopp e Jacques Flores.