Uma avaliação crítica da epistemologia social veritista da argumentação de Alvin I. Goldman
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 10 - Redução das Desigualdades
Resumo
Este projeto consiste em uma continuação do anterior, uma renovação. Um dos problemas centrais da teoria da argumentação e lógica informal é o problema de determinar qual seja a função e o proposito padrão da argumentação: qual tipo de função e proposito padrão a argumentação deve ter? O que é um bom argumento? Quais regras constituem uma concepção razoável que qualquer exemplar de argumento que avaliamos e/ou construímos deve atender? Nesse sentido, é o problema que qualquer defensor de uma abordagem epistemológica busca resolver, postulando que a argumentação possui um tipo de função epistêmica e proposito epistêmico: o proposito e a função da argumentação é conduzir a verdade ou conhecimento ou no mínimo a aceitabilidade (crença justificada, verossimilitude, probabilidade de verdade, racionalmente convencer etc). A abordagem epistemológica a argumentação é um movimento filosófico do qual participam muitos filósofos, no sentido de que há muitas propostas teóricas diferentes, o que implica que a bibliografia a respeito desse movimento filosófico é muitíssimo extensa, rica, numerosa etc. Propomos neste projeto avaliar criticamente a abordagem epistemológica da argumentação de Alvin I. Goldman, denominada de epistemologia social veritista, especialmente o tratamento fornecido a um tipo especifico de atividade argumentativa: a argumentação monológica. A avaliação crítica será feita com base em identificação de dificuldades teóricas que a visão epistemológica da argumentação de Goldman enfrenta. Será realizada com base em textos de filósofos que se posicionaram contra a epistemologia social veritista de Goldman, bem como o desenvolvimento de críticas autorais próprias apontando algumas dificuldades filosóficas na epistemologia social veritista. Tais críticas serão desenvolvidas a partir de analise filosófica da concepção de boa argumentação de Goldman, avaliando especialmente os critérios que do que consistem boas práticas de argumentação monológica: isto é, os critérios que endossa como justificando a tese de que o objetivo e o propósito da argumentação são crenças verdadeiras. Goldman tem contribuído substancialmente propondo um tipo de função e propósito argumentativo a partir da estrutura de sua epistemologia social veritativa e justificatória, a primeira uma epistemologia orientada para a verdade, e a segunda orientada pela noção de crenças justificadas. Do ponto de vista historiográfico, Goldman tem se dedicado ao estudo da argumentação nos seguintes trabalhos: Epistemology and Cognition (1986), Argumentation and Social Epistemology (1994), Argumentation and Interpersonal Justification (1997), Knowledge in a social world - Part Two: Generic Social Practices: Argumentation (1999), An Epistemological Approach to Argumentation (2003). Seu projeto em epistemologia social da argumentação só aparece a partir da década de 90. Goldman entende que em Epistemology and Cognition (1986) apenas realizou um esboço de uma conexão entre seu projeto em epistemologia individual/pessoal e social. A defesa mais substancial e geral da sua abordagem epistemológica da argumentação foi realizada em Knowledge in a social world (1999), que é onde o epistemólogo unifica, revisa, e sintetiza alguns de seus trabalhos das últimas décadas em epistemologia social transformando-os em partes específicas desse livro, e oferece a sua teoria unificada do conhecimento social de grupos sociais que se engajam em práticas argumentativas. Goldman denominou esse projeto de epistemologia social veritista a sua teoria filosófica geral do conhecimento social, e procura mostrar como tal prática social possui o papel potencial de aperfeiçoamento e aumento do conhecimento humano. Uma interpretação caridosa da normatização da epistemologia social veritista é que Goldman julga que tais condições constituem no mínimo as condições necessárias de boas práticas argumentativas, mas que não são conjuntamente suficientes. É importante enfatizar que a parte filosófica da teoria da argumentação e lógica informal, o que consequentemente se aplica também a epistemologia social veritista de Goldman, não é apenas uma área de investigação com problemas e métodos próprios. As teorias da argumentação e da logica informal também são instrumentos poderosos que nos ensinam como devemos argumentar, isto é, a área fornece um conjunto sofisticado de ferramentas de trabalho para se estudar e fazer filosofia. Dito isso, pode ser utilizada para estudar qualquer tópico de filosofia, qualquer autor clássico, uma vez que todo filosofo, e toda área da filosofia, investiga problemas, teorias e argumentos. Tais observações servem para justificar a tese da viabilidade e relevância que qualquer plano de trabalho sobre qualquer tópico filosófico que qualquer estudante de graduação por ventura possa vir a executar dentro deste projeto.