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Interculturalidades - um estudo do processo de inclusão das diversidades étnicas no ensino superior

Unidade
INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICACAO - ILC
Subunidade
POS-GRADUACAO EM LETRAS
Coordenador
CELIA ZERI DE OLIVEIRA
Período
- a -
Grupo
Pesquisa

ODS vinculados

  • 4 - Educação de Qualidade
  • 10 - Redução das Desigualdades

Impacto na Amazônia

  • Comunidades Tradicionais – Ações com Povos Indígenas ou Originários
  • Comunidades Tradicionais – Ações com Quilombolas

Resumo

O presente projeto de pesquisa tem o objetivo de realizar um estudo crítico-reflexivo, dentro da abordagem de escuta etnográfica, acerca das vivências e das relações entre os estudantes indígenas e quilombolas no contexto universitário de formação em nível superior em que as interações humanas interculturais ocorrem entre diversidades: linguística, cultural, étnica, religiosa. Os encontros, e também, os desencontros em termos de interculturalidades materializam-se nos espaços de ensino e aprendizagem, com maior frequência, nas salas de aula dos diversos cursos de formação profissional ofertados pela UFPA e UFPB, em nível de graduação e de pós-graduação. Neste cenário socioeducacional cujos contatos interculturais ocorrem, os problemas relativos ao convívio com as diversidades étnico-raciais emergem em relação às necessidades de compreensão de si e do outro, ampliando-se para as dificuldades de gestão das diversidades por parte dos/das professores/as, dirigentes, alunos/as e outros/as atores/atrizes sociais que participam desta comunidade intercultural, a Universidade. As barreiras quanto às interações assim emergem, pois não está consolidado o conceito de vivência e convivência naturalizada no seio de culturas diversas nas quais as relações humanas demarcam conceitos de ser e de estar. A problemática a ser estudada nesta proposta é a da integração destes/as estudantes pertencentes a grupos étnicos diversificados quanto à interculturalidade nos espaços de ensino e aprendizagem em que as barreiras de integração na nova comunidade, a Universidade, ocorrem: em termos das diversidades linguística e cultural, das interações interculturais, dos sentimentos de pertença e de afetividade nos novos espaços de interação, isto é, os locais destinados ao ensino e aprendizagem em nível de formação profissional. Dentro das hipóteses de compreensão do porquê da dificuldade de exercício da interculturalidade, em relação aos indígenas, Baniwa (2019) põe como um dos pressupostos que obstaculizam os diálogos, o racismo, cuja prática epistêmica na sociedade brasileira é inquestionável. Não apenas o racismo étnico, mas o racismo cultural e epistêmico. O racismo contra os povos indígenas é parte constituinte da cosmologia e da cosmovisão do ocidente europeu. “A organização do pensamento, do conhecimento e das crenças está posta sobre a compreensão natural e divina da inferioridade de outros povos, culturas e civilizações não europeias” (Baniwa, 2019, p.6).