Florestas culturais e territorialidades no litoral Amazônico pré-colonial-Fase 2
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis
- 15 - Vida Terrestre
Impacto na Amazônia
- Comunidades Tradicionais – Ações com Ribeirinhos
- Mudanças Climáticas – Monitoramento do Clima
Resumo
Sambaquis são depósitos antropogênicos formados pelo acúmulo de conchas de moluscos cuja variabilidade cronológica e geográfica abrange desde depósitos paleolíticos europeus a montículos monumentais brasileiros. São montículos intencionalmente constituídos por camadas de conchas, sedimentos, carvões, ossos e utensílios de pedra e cerâmica, localizados em áreas costeiras e fluviais. Os sambaquis amazônicos se situam em ambientes de várzeas e manguezais, dispersos desde a costa e estuário, pelo baixo Amazonas e sudoeste amazônico. O aspecto monumental e as estratigrafias complexas evidenciam eventos contínuos de construção associados a múltiplas ocupações. No estuário amazônico, são datados entre 7.000 e 1.000 A.P evidenciando variedade espaço-temporal, distribuídos em três setores: estuário continental, estuário insular e zona costeira. Apesar de termos uma ideia geral da estratigrafia, as estratégias construtivas e a cronologia de alguns desses sítios, há carência de pesquisas estratigráficas sistemáticas combinadas a estratégias de datação relativa. A questão que orienta a pesquisa é como podemos compreender os modos de vida estuarinos relacionados à construção dos sambaquis, e seus processos de territorialização ao longo do tempo? A hipótese é que os sambaquis estuarinos foram parte de uma rede extensa de interações culturais entre a costa atlântica e o baixo amazonas. Para tanto, abordaremos sambaquis nos três setores do estuário: Porto da Mina (zona costeira), Jacarequara (estuário continental) e Ilha de Terra (estuário insular) com metodologia multiescalar e distintos métodos combinando toponímias, sensoriamento remoto e LiDAR, escavações sistemáticas e amostragens de artefatos e sedimentos para análises arqueobotânicas, geoarqueológicas, bioarqueológicas, zooarqueológicas e arqueométricas da cerâmica. Assim, aprofundaremos o conhecimento dos modos de vida envolvidos na formação dessas estruturas criando modelos diacrônicos de territorialização estuarinos.