Meios de comunicação no Pará em perspectiva histórica: entre memórias e sentidos (versão 3)
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
Resumo
Em 22 de maio de 2026 a imprensa paraense e amazônica completa 204 anos de existência, caso seja considerado como ponto inicial a primeira edição de O Paraense, em 1822. A data oitocentista marca a entrada oficial da região no mundo da imprensa, que, posteriormente, integrou-se ao cenário social e cultural da Amazônia. E assim foi também com os demais meios: o telégrafo, o telefone, o rádio, a televisão e o ambiente comunicacional da internet. Este projeto é continuidade de outro anterior, e, nesse sentido, mantém a proposta de estudar os meios de comunicação no Pará em uma perspectiva histórica. Estudo dos meios, estudo nos meios, estudo a partir dos meios. Por meios de comunicação estão sendo compreendidos aqui os impressos (jornais e revistas), o rádio, a televisão e os portais/sites de notícia, quanto ao seu desenvolvimento ao longo do tempo e quanto aos conteúdos veiculados, relacionados a jornalismo, à publicidade e propaganda e ao entretenimento. O escopo do projeto é amplo, mas reflete o interesse de estudar, pouco a pouco, os meios de comunicação do estado quanto a suas trajetórias e constituições, que vão compor o processo de midiatização do Pará e da região, ao longo do tempo, até a contemporaneidade. O estudo da midiatização na região constitui interesse de uma das linhas de pesquisa do Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia da Universidade Federal do Pará (PPGCOM/UFPA). É por entender os meios de comunicação como em diálogo constante com as transformações da sociedade, inclusive quanto aos sentidos que visibiliza em suas edições, que os conteúdos publicados também são de interesse de estudo. Observando o que ocorre na atualidade, uma das interrogações que têm movido os estudos realizados é buscar saber: como seria antes, até chegar ali, naquele ponto? Dessa maneira, os estudos no grupo e nos projetos já desenvolvidos têm transitado entre o ontem e o hoje. Desde 2009, outros projetos com perspectiva histórica foram desenvolvidos. Nesse processo, houve a formação de parcerias com pesquisadores de instituições de ensino superior de outros estados da Região Norte, no intuito de contribuir para os estudos sobre a história dos meios de comunicação na região. Em nível regional, as parcerias mantidas de forma mais estreita ocorreram com os professores Luís Francisco Munaro (UFRR) e Sandro Adalberto Colferai (UNIR), com os quais foram realizados estudos e publicações conjuntas. Em nível nacional, foi realizado estudo sobre a imprensa na Amazônia no século XIX cem uma pesquisa em rede coordenada pela professora Marialva Barbosa (UFRJ), uma referência no país em estudos em história e comunicação. O estudo foi publicado no livro História da Imprensa no Brasil do Século XIX, organizado por Barbosa (2024). e editado pela Editora da PUCRS . Houve também continuidade da aproximação com a Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia-Rede Alcar, com afiliação, ocupação do cargo de diretora Regional Norte, presidência do Conselho Fiscal da entidade e, novamente, diretora Regional Norte para o período 2023-2027. Pode ser creditado também ao trabalho com a história da imprensa regional o convite para integrar a comissão editorial da Revista Brasileira de História da Mídia-RBHM, de 2016 a 2026, ao lado de outras editoras. Os estudos realizados até o momento têm produzido visibilidade sobre a história da imprensa paraense e regional. Contribuir para a produção e fortalecimento de pesquisas sobre comunicação, sua história e memória, também foi o objetivo para a criação, em 2014, do Grupo de Pesquisa História da Mídia na Amazônia (Midiam), com sede na UFPA e registrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Posteriormente, o nome do grupo foi alterado para Vestígios-Comunicação, Linguagens, Discursos e Memórias na Amazônia, a fim de abrigar o conjunto de abordagens presente no grupo, que tem a memória como elemento central, mas possui também outros aportes, como aqueles relacionados à linguagem, ao discurso e à memória e aos seus universos. Os estudos já realizados permitiram a socialização dos resultados produzidos por meio de publicações em nível nacional. Mesmo assim, as lacunas ainda são muitas, motivando e justificando não só a continuidade das pesquisas, mas também a ampliação do seu escopo para além de jornais e revistas, por isso a inclusão de outros meios, como mencionado no início desta Introdução. Em nível nacional, os estudos relativos à história dos meios de comunicação têm aumentado consideravelmente e a proposta deste projeto e dos que o antecederam se enquadra nesse esforço de pesquisa. É possível retomar o que diz reiteradamente a pesquisadora Marialva Barbosa (2007, 2010, 2013), de que não se trata de reconstituir um passado, mas de observar os vestígios que nos chegam, sem esquecer que fazemos isso com um olhar de hoje. Continua sendo válido indagar o que os meios de comunicação do Pará e da Amazônia podem nos ccontar.