Consumo, Cultura Material e Agenciamentos: a comunicação entre objetos e sujeitos Parte II
ODS vinculados
- 4 - Educação de Qualidade
- 10 - Redução das Desigualdades
- 12 - Consumo e Produção Responsáveis
Resumo
A pesquisa tem o intuito de analisar as relações de interacionismo entre marcas e consumidores, tendo como foco de análise a relação entre a prática do consumo e a expressão de ideais, bem como a influência e contribuição do posicionamento das marcas na construção e experiência da identidade dos sujeitos. Uma questão primordial a esta pesquisa é a de compreender, primeiramente, como marcas e sujeitos interagem, tanto no meio online quanto no offline, no intuito de perceber de que formas estas relações podem ser materializadas e influenciar nos valores, nos desejos e nas manifestações das subjetividades dos indivíduos. Um importante ponto para este estudo diz respeito à concepção trazida pela cultura material, através dos estudos do antropólogo Daniel Miller (2013) sobre o processo de construção das relações sociais por meio do exercício da relação com os bens e com o consumo. Assim, a cultura material estabelece que não existe uma humanidade separável de sua materialidade, nesse sentido, as relações entre sujeitos e objetos, intermediadas pelo consumo, são reais e baseiam-se na produção de significações e efeitos, que ultrapassam o caráter meramente funcional dos bens. McCracken (2003) afirma que por meio do consumo comunicamos nossos valores, ideais e opiniões, e expressamos nossa individualidade. Assim, o consumo por ser um caminho para a expressão da identidade dos indivíduos (CAMPBELL, 2001), tem seus vieses próprios e também pode ser entendido enquanto um lugar útil para pensar e agir significativamente na vida social (CANCLINI, 2005), percebendo-o também enquanto ferramenta política, social e cultural. Como continuação de pesquisa, pretende-se seguir na compreensão que a comunicação é um campo de interação com o social, um processo vivo e dinâmico, instituidor de sentidos e de relações; lugar não apenas onde os sujeitos dizem, mas também assumem papéis e se constroem socialmente; espaço de realização e renovação da cultura (FRANÇA, 2001, p. 16), porém aprofundando a questão dos agenciamentos para impactos sobre a territorialidade, a cultura e as trocas simbólicas da cultura material, temas estes que foram observados na pesquisa anterior, porém que demonstram possibilidade de expansão e aprofundamento em uma continuidade de pesquisa. Neste sentido relembra-se os estudos de Daniel Miller (2013), sob o entendimento de que os sujeitos e os objetos são indissociáveis, um molda o outro em um processo cíclico, haja vista que os bens possuem a capacidade de de sair do foco, de jazer periféricos à nossa visão e ainda assim determinar nosso comportamento e nossa identidade (MILLER, 2013, p. 79). Por esse motivo torna- se imprescindível uma análise dos indivíduos e processos interacionais a partir dessa ótica, uma vez que, na cultura material, estamos interessados também, e na mesma medida, em como as coisas fazem as pessoas (MILLER, 2013), isto é, influenciam nos sujeitos, em forma de agenciamento próprio destes objetos. Os estudos de mercado terão o apoio das teorias de Phillip Kotler e de David Aaker, direcionando a análise de como o consumo que estas acarretam, bem como os anseios que fomentam as suas buscas por parte dos cidadãos. Finalmente, o estudo também será embasado nas análises de comportamento do consumidor, que observam as relações provenientes do indivíduo com a sociedade, bem como as interferências exercidas pela publicidade e a propaganda, no desenvolvimento e nas decisões de consumo do indivíduo, desde a função de identificação até as atividades de expressão e construção de linguagens. A escolha por um leque de pontos de vista justifica-se na própria fala do antropólogo Rocha quando destaca que Para entender o consumo, é preciso conhecer como a cultura constrói essa experiência na vida cotidiana, como atuam os códigos culturais que dão coerência às práticas e como, através do consumo, classificamos objetos e pessoas, elaboramos semelhanças e diferenças (ROCHA, 2006, p.86). Desta forma, o comportamento e a construção do indivíduo acontecem nas interações com o mundo e na auto relação do indivíduo, relações estas que ocorrem tendo como palco diversas situações, dentre eles o objeto deste estudo: o consumo, sendo este reconhecido através da sua riqueza de linguagens e na complexidade de sua essência, o que se representa nesta pesquisa através das correntes teóricas de análise que abordam o campo das ciências sociais, da comunicação, do consumo e da identidade, além dos estudos de mercado e comportamento do consumidor. A seguir estão sugeridos, na bibliografia deste projeto, alguns títulos que podem embasar as discussões acerca da Comunicação Social, sobretudo no que tange os Meios de Comunicação, a Sociedade e a Comunicação, Construções Identitárias, Planejamento em Publicidade e Propaganda, Relações de Mercado, Adequação ao Meio e Hibridização das Tecnologias. Os títulos foram organizados de modo a contribuir de maneira complementar à pesquisa do Projeto aqui proposto o qual, igualmente, sofre interferência e atua em conjunto com diversos níveis da Comunicação e das Ciências Sociais, bem como Antropologia e Sociologia, daí a necessidade e iniciativa da expansão do olhar para que não se compreenda apenas um evento isolado da comunicação e do consumo, mas sim suas interferências, relações, possibilidades, atuações e contributos ao sujeito e sua identidade social por meio da relação com os objetos. Destaca-se ainda que o presente plano de trabalho dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, sobretudo os seguintes: Objetivo 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos (ao que se pensam ações abertas ao público e de integração com a comunidade estão previstas na execução das atividades, bem como ao acesso dos dados, reflexões e das informações desenvolvidas no plano) Objetivo 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles (entre as atividades previstas busca-se empoderar e promover a inclusão social, econômica e política de todos, independentemente da idade, gênero, deficiência, raça, etnia, origem, religião, condição econômica ou outra) Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis (o projeto centra-se, sobretudo, no repensar das práticas de consumo e como estas se desdobram socialmente, culturalmente, economicamente e politicamente, percebendo-as, ainda, enquanto agentes de mudança entre sujeitos e sociedades, buscando que as pessoas, em todos os lugares, tenham informação relevante e conscientização para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida em harmonia com a natureza).